19 de maio, de 2015 | 20:00

Líderes avaliam situação da Usiminas

Siderúrgica reduzirá sua produção de ferro gusa em cerca de 120 mil toneladas ao mês, com desligamento de altos fornos


IPATINGA – Após a Usiminas anunciar o desligamento temporário dos altos fornos nº 1 da usina de Cubatão e de Ipatinga, dirigentes ligados à indústria e falam sobre o momento vivido pela empresa. Com a mudança, a siderúrgica reduzirá sua produção de ferro gusa em cerca de 120 mil toneladas ao mês. Em Cubatão, o equipamento será desligado em 31 de maio e em Ipatinga, a partir de 4 de junho.

Em nota, a assessoria de Comunicação da Usiminas informou que, em razão das atuais condições econômicas adversas vividas pelo setor siderúrgico, a empresa está avaliando constantemente o equilíbrio entre a demanda do mercado e o seu quadro de pessoal. No entanto, o foco da Companhia, no momento, tem se concentrado no aumento da eficiência operacional de suas linhas de produção, buscando preservar ao máximo a sua força de trabalho.

O vice-presidente do Sindicato Intermunicipal das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico do Vale do Aço (Sindimiva) e presidente da Líder Indústria Mecânica, Jeferson Bachour Coelho, aponta que a situação vivida pela Usiminas é reflexo da crise econômica que se instaurou no país. “Estamos ouvindo já há algum tempo que a indústria automobilística está com problemas. Sendo assim, não compra o aço e a demanda da Usiminas cai e é necessário fazer alterações em sua produção. Não vai usar um alto forno até que a econômica volte a se recuperar, e isso não é a primeira vez que acontece. Acredito que a Usiminas tomou uma decisão acertada”, avaliou Jeferson Bachour.


Para o empresário, a situação ainda pode piorar. “Nós ainda não chegamos ao fundo do poço, e ainda demora um pouco até estabilizar e voltar a crescer. Está exclusivamente na mão do governo federal. Não estamos vendo esse tipo de crise de forma tão profunda em outros países, como aqui no Brasil. Estamos pagando caro pelos erros do governo e os reflexos estão sendo sentidos agora”, aponta Bachour.

O gerente executivo da Agência de Desenvolvimento de Ipatinga (ADI), Elísio Cacildo, observa que a empresa tem que se adequar, pois não adianta ter capacidade plena, se demanda para tal. Limitar o uso dos altos fornos é uma forma que a empresa tem de reduzir custo. “A usina tem três altos fornos aqui e dois em Cubatão, agora terá um lá e dois aqui operando. Em Ipatinga, o principal deles é 3, que continua operando e o de nº 1 tem capacidade mais reduzida.  Se o mercado melhorar muito, pode ser que volte, mas a perspectiva é que demore um bom tempo para retornar a operação, e para isso será necessário que a demanda aumentasse de 15% a 20%”, aponta Elísio Cacildo.

Pessoal
O gerente executivo acrescenta que, há alguns anos, quando ocorria algum tipo de mudança na empresa, havia remanejamento de pessoal para impedir demissão de funcionários. Os empregados das áreas eram deslocados para trabalhar, inclusive em reforma de alto forno. “Mas hoje não sei qual é a linha que a Usiminas irá adotar, há meios de conter demissões. Mas depende de gestão e do pensamento da usina. Vamos torcer pelo remanejamento, para que sejam mantidos os empregos”, disse.

Diretor do Sindicato dos Metalúrgicos de Ipatinga, Geraldo Magela Duarte relatou que uma notificação foi enviada à empresa, para que uma reunião de esclarecimentos seja feita. “Queremos reivindicar que o trabalhador não seja prejudicado. Uma decisão como essa não pode atingir aqueles que são os principais geradores de riqueza e que precisam trabalhar”, destacou.

Cenário ruim para o mercado de aço

O consumo aparente de aços planos no Brasil começou este ano (1º trimestre) melhor do que o final de 2014 (4º trimestre): aumento foi de 7%. Porém, com a deterioração da economia, a curva se inverteu e o Instituto Aço Brasil (IABr) divulgou que o consumo deve fechar 2015 com uma queda de 6% frente a 2014. Porém, já há sinais claros de que esta estatística será revisada em breve, e para pior: a queda poderá ser de mais de 10%.

Esta queda reflete a demanda fraca do mercado. O setor automotivo, que é destino de 1/3 das vendas internas da Usiminas, começou o ano prevendo produzir mais 4% em relação a 2014. Mas as perspectivas pioraram e, agora, o setor prevê produzir menos 10%. Para se ter uma ideia da dimensão da crise, as montadoras registraram de janeiro a abril a pior  produção de veículos dos últimos oito anos.  As informações são da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores – ANFAVEA 

Outro setor importante para a Usiminas é o de distribuição. Em novembro o Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço (INDA) previa para 2015 crescimento de 2%, passou para os atuais 5% de queda, mas já afirmou que terá que ajustar esse dado para mais de perto de 10% de queda.

Mais:

Crise leva Usiminas a desligar alto fornos - 19/05/2015

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