28 de maio, de 2015 | 12:25
Usiminas reduz jornada de trabalho
Efetivação da medida está condicionada à negociação com entidades de classe
IPATINGA A veiculação de informações nas redes sociais antecipando as medidas que a Usiminas colocaria em prática para enfrentar a crise econômica, levou a empresa a se posicionar, oficialmente, na tarde de quinta-feira (28). Por meio de nota oficial, a empresa aborda as suas mais recentes decisões administrativas para tentar superar o momento difícil.
As informações acerca das mudanças na empresa vazaram depois uma reunião entre a diretoria da empresa e representantes do Sindicato dos Metalúrgicos.
Conforme o texto, a partir de meados de junho, todos os empregados de horário administrativo trabalhariam apenas quatro dias por semana, medida a ser adotada por três meses prorrogáveis por mais seis meses. Ao fim desse prazo a empresa faria uma nova avliação do cenário econômico.
Em nota enviada por sua assessoria de Comunicação, a Usiminas informa que, diante da atual crise do setor industrial - em particular, do mercado de aço - a empresa está se adequando ao cenário com o objetivo de preservar, ao máximo, a sua equipe de trabalho. Nesse sentido, a empresa está optando pela redução da jornada de trabalho para as áreas administrativas em todas as suas unidades.
Pela proposta, os empregados destas áreas deixarão de trabalhar um dia útil/semana, com redução de salário proporcional, por tempo indeterminado e em conformidade com os prazos da Lei. A efetivação da medida está condicionada às negociações com os sindicatos nos próximos dias e à aprovação por parte da categoria.
Segundo o Instituto Aço Brasil, a estimativa atual de queda no consumo aparente de aços planos no Brasil, em 2015, é de 6%. Setores consumidores importantes, como o automotivo, de infraestrutura e de distribuição, estão operando com baixa atividade.
Em face deste cenário econômico adverso, a Usiminas continua empenhada na redução de custos, com foco maior no aumento da eficiência operacional de suas linhas de produção. A empresa decidiu desligar temporariamente os Altos-Fornos nº 1 da usina de Cubatão (SP) e da usina de Ipatinga, a partir de 31 de maio e 4 de junho de 2015, respectivamente.
Com isso, a produção de ferro gusa será reduzida em aproximadamente 120 mil toneladas por mês. Tal ajuste visa a adequar a produção ao atual ritmo de demanda do mercado siderúrgico, trazendo oportunidades de redução de custo e melhoria da competitividade da Usiminas no atual cenário de mercado.
A medida atinge cerca de três mil trabalhadores em todas as unidades do grupo, o que inclui até a Mineração Usiminas.
Sindicato
Diretor do Sindicato dos Metalúrgicos de Ipatinga, Geraldo Magela Duarte disse que, em conversa com a Usiminas, o discurso era da necessidade de busca uma saída para a crise. Entretanto, no que depender do sindicato, nenhuma medida que prejudique os empregados ocorrerá.
Nosso objetivo é resguardar o trabalhador. Qualquer alteração necessita de negociação com o sindicato e vamos nos empenhar para que não haja prejuízo”, disse o diretor.
Vale do Aço carece de união de lideranças”
O cenário econômico pessimista diante de notícias de retração no setor siderúrgico, como reflexo da crise, exige mudança de postura, mais criatividade e articulação de forças para reverter o quadro. Neste contexto, o Vale do Aço precisa buscar rapidamente uma aglutinação de representações políticas e empresariais. Essa é a análise que o líder sindical, Luiz Carlos Miranda, faz do contexto atual no plano regional. Segundo o dirigente, os anúncios recentes de desligamento do Alto-Forno 1 da Usiminas, e da redução de jornada de trabalhadores do setor administrativo em Ipatinga agravam o clima de instabilidade.
Luiz Carlos Miranda é vice-presidente da Confederação Nacional dos Metalúrgicos, vice-presidente da Força Sindical Nacional e estadual e coordenador do Sindicato dos Trabalhadores em Montagem, Reparos e Manutenção do Vale do Aço (Sintramvaço). Ele afirma que, nos últimos três anos, foram fechados 5 mil postos de trabalho na companhia. Nesta semana, a empresa reúne funcionários colocando a condição de perderem 14% do salário, ou não têm outra saída. E ninguém discute isso. As autoridades precisam se unir, chamar a Usiminas e o governo do Estado para discutir o que pode ser feito”, comentou.
Má gestão e decisões errôneas que se acumulam desde a saída do ex-presidente Rinaldo Campos Soares, falta de relacionamento da empresa com a comunidade e articulação política regional são fatores apontados por Luiz Carlos como causas que levaram ao atual quadro. O líder sindical diz que é necessário unir forças de vários setores para superar essa crise com menos impactos.
Luiz Carlos Miranda pontua que, desde as gestões de Amaro Lanari Júnior a Rinaldo Campos, havia uma sintonia, que foi quebrada por seus sucessores. Os demais presidentes não conseguiram manter a política de diálogo e articulação em prol do desenvolvimento regional. O Vale do Aço carece de união de lideranças que possam aglutinar todos os setores da sociedade para defender a região. Desde a morte do Rinaldo, não vejo alguém preocupado com o futuro e o desenvolvimento, ficou uma lacuna que nossas lideranças empresariais e políticas não se preocuparam em ocupar”, reforçou o líder sindical.
Vínculos
Na avaliação de Luiz Carlos Miranda, a empresa que sempre participou do desenvolvimento da região não pode perder esse vínculo. O polêmico reajuste no seguro de vida de aposentados é apontado pelo líder como exemplo do distanciamento com os empregados. Na administração dos argentinos cortou-se o vínculo com empregados e aposentados, com a suspensão da participação no seguro de vida, direito adquirido desde a fundação da empresa. Isso é violência com empregados que construíram a história da empresa e da cidade”, reclamou.
Para Luiz Carlos, o cenário econômico de superoferta de aço e queda de demanda no setor automobilístico não deve ser justificativa para a situação da Usiminas. Ele lembra que outros momentos difíceis foram superados com criatividade e união de forças. Em 1979 e 1981 tivemos uma crise profunda e a empresa, que na época era estatal, recebeu ordem para demitir 30% dos trabalhadores. Mas com esforço político, para evitar o desemprego funcionários foram colocados à disposição de prefeituras e clubes”, comentou.
Luiz Carlos cita o crescimento atual de empresas do setor como CSN (Companhia Siderúrgica Nacional) e Gerdau, para questionar a gestão da Usiminas, que vive momento crítico. Enquanto isso, estamos reduzindo a nossa planta, desligando alto-forno, o que acarreta em prejuízo na sinterização, produtos químicos, laminações. A bolha estourou e as consequências estão aí. A Usiminas Mecânica tinha 5 mil empregados, hoje tem 700. Ninguém nunca convocou reunião com lideranças políticas para discutir a situação. A empresa (UMSA) de bens de capital conhecida no mundo inteiro pela qualidade está praticamente fechada”, criticou.
Na avaliação de Luiz Carlos, sindicatos, prefeituras, câmaras, associações comerciais e demais instâncias de todo o Colar Metropolitano deveriam se mobilizar, como ocorria antigamente. A título de exemplo, ele citou o empenho do então prefeito Jamill Selim de Salles para evitar o fechamento da Usimec na década de 1980.
JÁ PUBLICADO:
Crise leva Usiminas a desligar alto fornos - 19/05/2015
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