30 de maio, de 2015 | 20:00

“É a ponte da vergonha”

Antiga passagem entre Coronel Fabriciano e Timóteo permanece sem solução


IPATINGA – A falta de solução para a ponte velha, que liga Coronel Fabriciano a Timóteo, tem gerado a insatisfação de usuários e lideranças. O deputado estadual José Célio Alvarenga, o Celinho do Sinttrocel (PCdoB), acompanha o imbróglio e lamenta a falta de união entre os representantes políticos da região para o desenrolar do caso.

Em situação precária, a passagem está há mais de dois anos com a estrutura comprometida e o tráfego restrito apenas a veículos leves. A situação gera problemas para motoristas, ciclistas e pedestres que passam pelo local, a cada dia mais perigoso. A interdição parcial da ponte também atinge comerciantes que mantêm negócios no trecho próximo à antiga ponte.

Celinho do Sinttrocel recorda que a situação da antiga ponte se arrasta desde 8 de novembro de 2012, quando houve a interdição e, posteriormente, houve a liberação parcial só para veículos leves. Celinho explica que, como deputado realizou, por meio das Comissões de Obras Públicas e de Assuntos Municipais da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), duas visitas técnicas. “Buscou-se o entendimento com a superintendência do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), à época, na pessoa do José Maria, para uma garantia de solução para a ponte. Infelizmente, ambos os superintendentes não resolveram nada e todas as promessas feitas, ficaram apenas nas letras”, observou.

O deputado avalia que o problema da ponte já poderia ter sido resolvido há muito mais tempo, se o superintendente do Dnit, José Maria, tivesse decretado a emergência como foi solicitado. “E já haveria a licitação, mas o superintendente entendeu que não precisaria e colocou o projeto para ser realizado no Regime Diferenciado de Contratações (RDC), o que burocratizou muito o processo”, disse Celinho.

O parlamentar aponta que o primeiro anteprojeto feito para a ponte foi o responsável pelo fracasso das licitações. Depois que a segunda licitação foi fracassada, o deputado esteve em Brasília conversando com a nova direção interina do Dnit. O deputado relatou que recebeu a garantia que o segundo anteprojeto já estava em fase conclusiva, e que, entre os meses de março e abril de 2015, seria publicado o edital, mas nada disso ocorreu.

O parlamentar relata que voltou a procurar o superintendente do Dnit em Minas Gerais, Carlos Evandro, que reconheceu a ponte de Coronel Fabriciano como a ponte da vergonha para o Dnit. “Expliquei para ele que a ponte está visivelmente cedendo em sua cabeceira. Há risco para quem a utiliza e, agora, estamos enfrentando ações de violência de marginais, parando veículos e pedestres à noite, para assaltos”, frisou.

O deputado alertou Carlos Evandro para o fato que, caso ocorra algum acidente ou morte, o Dnit será acionado pelo Ministério Público. “Vamos buscar a responsabilidade criminal, mas nada justifica essa falta de responsabilidade, essa falta de compromisso e de prioridade com o Vale do Aço”, destaca.

Ofício
Em resposta a um ofício enviado por Celinho do Sinttrocel, o Dnit disse que o assunto é tratado pela diretoria de Planejamento e Pesquisa, em Brasília. Conforme informações fornecidas à superintendência em Minas pela assessoria em Brasília, o projeto de recuperação da ponte está concluído e o termo de referência para elaboração do edital, para contratação de serviço de recuperação da obra, pelo sistema RDC, está em andamento com previsão para lançamento para 30 de junho.

“Se não houver compromisso da publicação do edital, não vamos mais esperar. É uma falta de respeito. Caso não seja tratado com sinceridade, responsabilidade e urgência, eu estou conclamando a população para um protesto de paralisação contra esse desprestígio em relação a nossa região”, salientou.

Repúdio
Na opinião do parlamentar, as lideranças políticas do Vale do Aço não buscam convergir forças para a solução. É preciso trabalhar o conjunto, ações que precisam partir das quatro prefeituras, e agir em nome do Vale do Aço. “Os empresários sediados na avenida Tancredo Neves e seus moradores não aguentam mais. Essa é a vergonha que nossa região passa quando recebe pessoas vindas de fora. Em dado momento chegou-se a dizer que o problema era falta de orçamento, o que não é verdade, já que o valor já foi aprovado”, concluiu.
 

Promessas que não saíram do papel


No dia 7 de fevereiro de 2014,  o DIÁRIO DO AÇO divulgou a publicação do edital que garantiria as obras de recuperação da ponte velha sobre o rio Piracicaba, que liga Timóteo a Coronel Fabriciano, à época, fechada parcialmente há mais de um ano. O edital foi publicado no dia 6. À época, o superintendente do Dnit, José Maria Cunha, esteve na região.

Em dezembro de 2013, durante reunião realizada com a equipe técnica do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), em Brasília, o deputado recebeu a informação de que o processo burocrático para a obra de recuperação da ponte seria concluído até o fim daquele mês. A contratação da obra seria feita no Regime de Contratação Integrada.

No dia 27 de maio, o DIÁRIO DO AÇO publicou informação da assessoria de Imprensa do Dnit de que o projeto da obra está em fase final de revisão. “Assim que a revisão for concluída, o edital será publicado. Não há um prazo definido, mas a revisão termina em breve”, esclareceu a assessoria de imprensa.

No mês de abril, em uma reunião do Dnit com autoridades locais, ficou prometido que, até o dia 30 do mês passado, o edital seria publicado. Presente à reunião, a prefeita de Coronel Fabriciano, Rosângela Mendes (PT), explicou que a licitação da obra será em Regime Diferenciado de Contratações, que torna o processo mais rápido. Da atual ponte, somente as cabeceiras serão aproveitadas.


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