adriana 728x90

05 de junho, de 2015 | 20:00

Idoso vive isolado no mato desde 1982

MPMG trabalha para viabilizar concessão de benefício de prestação continuada


DA REDAÇÃO - O corpo é franzino, mas as mãos são espessas e revelam as décadas de trabalho pesado no cultivo da terra. Os olhos são vivos e escondem uma história que desperta curiosidade, entre tantos sentimentos. Os movimentos são rápidos e súbitos, e impedem a aproximação de qualquer pessoa que represente ameaça.

A casa é um cubículo de condições precárias, feita de barro e areia pelo próprio morador. Dentro dela, há apenas um canto para dormir, onde se misturam trapos usados como coberta e roupa, uma trempe para o preparo de  alimentos, e um espaço para as ferramentas, usadas diariamente.

Cassimiro Alves de Souza, 71 anos, é uma espécie de lenda para os moradores de Santa Cruz de Salinas, município localizado no Norte de Minas. O septuagenário nasceu em 1944, às margens do rio Itinga. Há 32 anos, vive sozinho no mesmo local. Não guarda qualquer documento. Sabe ler e é bom de cálculos, mas há anos não tem contato com dinheiro. Logo que se instalou no local, em uma grande área de terra na localidade de Brejinho – situada a cerca de 7 km de Santa Cruz de Salinas – ele costumava ir à cidade para fazer trocas e garantir sua sobrevivência. Deslocava-se a pé até lá, pela estrada de terra aberta por ele mesmo. Após alguns anos, porém, as permutas cessaram. “No início, a gente até ia lá! Mas agora tudo tem que comprar na cidade. E como a gente não tem dinheiro, não tem pra que ir lá mais”, explicou o idoso.

Depois de ser apresentado pelos amigos Arlando e Eduardo, de Santa Cruz de Salinas, à equipe do projeto MP Itinerante - desenvolvido pela Coordenadoria de Inclusão e Mobilizações Sociais (Cimos) do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) -, o idoso tirou de casa um saco de mexericas e ofereceu aos visitantes. Como a oferta foi aceita, a conversa passou a fluir com tranquilidade.

Além dessas raras situações de contato, Cassimiro só costuma ver gente quando, eventualmente, algum de seus amigos aparece por lá para levar algo ou quando promove a tradicional festa de São João. “Todo ano, ele faz. Acende uma fogueira e a gente leva biscoito e refrigerante. Algumas pessoas levam violão. Fica bem animado. Ele adora”, conta Arlando.

Desde que se mudou para o mato, a vida de Cassimiro é trabalhar a terra. Ele planta, seca e colhe café, cultiva abóbora, maracujá, mexerica, melancia, entre outros alimentos. Choupanas foram montadas por ele em pontos estratégicos da propriedade, para descansar e guardar ferramentas. Do lado de fora de sua casa, é possível ver cerca de 50 enxadas completamente gastas. “Esse homem trabalha demais”, asseguram os amigos.

Benefício
De acordo com o promotor de Justiça Paulo César Vicente de Lima, e o procurador de Justiça Bertoldo Mateus de Oliveira Filho, da Coordenadoria de Defesa do Direito de Família do MPMG - que realizaram a visita -, o Ministério Público já trabalha para oferecer uma vida mais digna para Cassimiro. “Vamos resgatar a certidão de registro civil dele e, através do Programa de Inclusão e Educação Previdenciária (Piep) da Faculdade de Direito Milton Campos, parceira do MP Itinerante, vamos conseguir o Benefício de Prestação Continuada da Assistência Social (BPC). Assim, ele passará a receber um benefício mensal no valor de um salário mínimo e dependerá menos de doações”, informam. (História completa em www.diariodoaco.com.br)

 
Encontrou um erro, ou quer sugerir uma notícia? Fale com o editor: [email protected]

Comentários

Aviso - Os comentários não representam a opinião do Portal Diário do Aço e são de responsabilidade de seus autores. Não serão aprovados comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes. O Diário do Aço modera todas as mensagens e resguarda o direito de reprovar textos ofensivos que não respeitem os critérios estabelecidos.

Envie seu Comentário