19 de junho, de 2015 | 13:50

Metalúrgicos elegem comissão e pedem votação de proposta da Usiminas

Funcionários pedem ao Ministério do Trabalho a intervenção em negociação para evitar demissão em massa


IPATINGA – Nessa sexta-feira (19), uma comissão formada por trabalhadores da Usiminas foi ao Ministério do Trabalho, situado na rua Diamantina, no Centro de Ipatinga, pedir a intervenção nas negociações junto à Usiminas. A empresa propôs redução na jornada de trabalho do horário administrativo, como alternativa à demissão de trabalhadores.

A alegação da empresa é que a redução da demanda por aço levou a usina a reduzir a produção em suas unidades. Com isso, haverá necessidade de redução da mão de obra. A alternativa às demissões de trabalhadores é a redução da jornada com redução de salários, mas a possibilidade não chegou a ser levada à apreciação dos trabalhadores pelo Sindicato dos Metalúrgicos (Sindipa), que reivindica avanços na proposta antes de colocá-la em votação.

Preocupados com possíveis demissões, os empregados foram ao MTE pedir ajuda. Os trabalhadores recolheram 1.270 assinaturas em três dias, e elegeram uma comissão. O grupo foi ao órgão pedir que este intervenha e coloque na mesa de negociação representantes da Usiminas, do sindicato, e, se possível, alguns dos 1.270 que participaram da assinatura.

Empregado do setor de Aciaria, Adair Morais explica que a preocupação da classe é a demissão em massa. “Temos visto que, no Brasil, se criou um novo método de evitar demissão e férias coletivas, que é o ‘day off’. E o sindicato mal senta com a empresa para negociar. Nós, trabalhadores, não sabemos para que lado recorrer. Diante dessa situação, reunimos a turma, colhemos 1.270 assinaturas e elegemos uma comissão”, disse, acrescentando que “na verdade, o sindicato está quebrando parte do estatuto, que prevê que nós, sócios diretos, temos o direito de expressar”.

Também trabalhador da Usiminas, Francisco Filho destacou que a preocupação é com as demissões. “Nesse momento, se a empresa vier a desligar o funcionário, ele não vai achar emprego. É melhor reduzir o salário do que ficar desempregado. Cada pai aqui equivale a quatro, cinco pessoas, que dependem desse salário. A melhor coisa é o sindicato sentar e, juntos, resolvermos o problema. Se demorar, quem vai pagar o pato é o trabalhador”, lamentou.

Marcos Ferreira, casado e pai de três filhos, também destacou que depende do salário para mantê-los. “É plano de saúde, escola e tudo o mais. Percebemos que o mercado siderúrgico não está ruim somente em Ipatinga. Precisamos contribuir com a parcela que nos cabe pra continuarmos empregados”, frisou.

O metalúrgico Ivan lembrou que o Brasil está em recessão e os clientes da Usiminas, principalmente as montadoras, optaram por férias coletivas e demissões. Sem a venda de veículos, a Usiminas tem reduzidas as vendas de aço. “Estamos com produção reduzida na usina de Ipatinga em torno de 30%, se não houver negociação e se o sindicato pagar pra ver, tudo indica que haverá demissões. E pra evitar isso, está tendo uma comissão de trabalhadores para sentar e negociar com a empresa. Uma redução temporária na jornada de trabalho é uma decisão menos ruim que a perda do trabalho. Gostaríamos que o sindicato ouvisse a classe trabalhadora”, enfatizou.

Sindicato

O diretor do Sindipa, Geraldo Magela Duarte, pontuou que a comissão mencionada tem representantes da diretoria da Usiminas, “os mesmos paus mandados de sempre”. A situação foi motivo de denúncia no Ministério Público, em razão da pressão feita por parte da empresa. Ele explica que, quando a proposta de reduzir o salário (entre 14% a 16%) foi negada na mesa, além de promover o “terror” e falando da importância de conservar o emprego e a equipe, a empresa deixou de dizer que não haverá estabilidade para o trabalhador.

O dirigente afirma que não existe garantia de emprego de forma nenhuma e que, depois de o sindicato rejeitar a proposta, começaram a aparecer denúncia de que os chefes estavam passando listagem nas áreas para que se levasse a proposta em assembleia. “Recebemos a denúncia que estava sendo rodado um abaixo-assinado. Mas que não tem validade por causa da coação. Retirar direitos, não concordamos. Não estamos com má vontade. Não temos é vontade nenhuma de aceitar redução de salários e direitos. Mas discutir, não nos negamos. Ontem, reunimos com Usiminas a única proposta é essa, que não garante nada”, salientou. 

Ainda conforme o diretor, o sindicato propôs redução da jornada sem redução de salário, pois o trabalho que se faria em cinco dias seriam reunidos em apenas quatro, o que economizaria transporte e outros pontos. “Essa redução de salário é uma economia insignificante para a Usiminas. Essa comissão não é reconhecida pelo sindicato e o abaixo-assinado não tem validade”, concluiu. 

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