20 de junho, de 2015 | 09:25

Servidores mantém greve em Timóteo

Com 12 dias de paralisação, completados na sexta-feira, funcionalismo mantém reivindicação de avanços em negociação salarial


No 12º dia de paralisação dos servidores municipais de Timóteo, completados na sexta-feira, 19, o movimento grevista recebeu o apoio da Central Única dos Trabalhadores (CUT) do Vale do Aço e Região, através de um Ato Público realizado pela manhã com concentração na Praça 1º de Maio, no Centro Norte.

Estiveram presentes lideranças de vários sindicatos da região, entre eles dos Bancários de Ipatinga e Região (SEEB), dos Servidores Municipais de Ipatinga (Sintserp), Sindicato dos Comerciários de Ipatinga (SECI), Metasita,  Sindicato dos Trabalhadores Municipais de João Monlevade (Sintramon), Federação dos Trabalhadores dos Municípios de Minas Gerais (Fetam), Confederação dos Trabalhadores do Serviço Municipal (Confetam), Sindicato dos Trabalhadores do Município de Coronel Fabriciano, Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Ipatinga (SindUTE) e Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Antônio Dias, Jaguaraçu, Marliéria e Timóteo.

O Ato Público reforçou o apoio das entidades sindicais às reivindicações dos servidores de Timóteo e repudiou a atitude do governo Keisson Drumond em impetrar uma ação contra o Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Timóteo, conhecida como interdito proibitório”. Em carta aberta à comunidade, a CUT destacou que essa medida ataca diretamente a liberdade e autonomia sindical já que impede o Sinsep de exercer o seu papel de representar os interesses da categoria. “Nem mesmo as empresas mais reacionárias têm usado desse instrumento jurídico para impedir a manifestação dos trabalhadores”, expõe a carta.

O secretário geral da CUT e presidente da Confetam, Misael Borges, informou que o ato foi realizado em solidariedade à luta dos trabalhadores municipais, uma questão de direito na sua data base previsto na constituição.

“Ao radicalizar e tomar medidas antisindicais como tentar contratar mão de obra para substituir os grevistas, ameaçar de cortar os dias parados, “interdito proibitório” e ameaça de demitir funcionários efetivos,  o prefeito demonstrou que não quer diálogo, que não respeita o servidor municipal”, afirmou Misael Borges.

Para o presidente da Confetam, o movimento dos servidores de Timóteo está forte e cresce a cada dia. “A partir de hoje, estamos somando forças com o Sinsep e a categoria. Se o prefeito tentou calar o movimento grevista, a CUT do Vale do Aço e os sindicatos filiados  ecoaram as vozes dos servidores de Timóteo rumo à vitória”, frisou, acrescentando que a CUT Vale do Aço protocolou ofício junto à Prefeitura, solicitando à reabertura das negociações e o restabelecimento do diálogo.

A presidente do Sindicato dos Servidores Municipais de Coronel Fabriciano, Sirlene Vaz, parabenizou os servidores de Timóteo pela coragem e determinação de participar de um movimento legítimo e pacífico previsto na Constituição Federal. “Nós repugnamos o modo petista adotado pelos prefeitos de Coronel Fabriciano, Ipatinga e Timóteo que prejudica e sucateia a carreira dos servidores públicos do Vale do Aço”, salientou, acrescentando que tais gestores carregam o nome, mas não representam os trabalhadores do Vale do Aço.

Negociação

A negociação salarial foi iniciada em 23 de abril, e contou com a flexibilidade da categoria que aceitou reduzir o índice de reajuste reivindicado de 16,32% para 8,34% e o vale alimentação de R$ 200,00 para R$ 150,00. Os 8,34% representam  a recomposição das perdas salariais de 1º de maio de 2014 a 30 de abril de 2015.

A contraproposta da Prefeitura, rejeitada por unanimidade pela categoria, previa o pagamento da recomposição em três parcelas a partir de novembro de 2015. Ou seja, não consideraria os valores retroativos à data-base da categoria que é 1º de Maio deste ano.

Resposta do governo 

Em entrevista à imprensa regional, no dia 11 de junho, o governo municipal em Timóteo informou que propôs pagar aos servidores os 8,34% de reposição salarial em três parcelas, escalonadas nos meses de novembro, dezembro e janeiro de 2016.

O secretário municipal de Planejamento, Washington Borges, apresentou tabelas e planilhas em que as despesas com pessoal superaram o limite prudencial do município. Conforme o secretário, até abril de 2015, por exemplo, dos R$ 148 milhões de receita líquida da prefeitura, R$ 81,9 milhões foram aplicados com pessoal. A despesa máxima estipulada era de R$ 79,9 milhões; o limite prudencial da PMT, por sua vez, R$ 75,9 mi. “E esse período de junho, julho, agosto e setembro é o mais crítico, onde há maior queda de receita no município”, alegou.

O procurador-geral do município, Heyder Leonardo Torre, destacou medidas tomadas pelo governo para contra-atacar o cenário nacional de retração da economia. Ele citou o corte de 1/3 nas secretarias existentes, que passaram de 15 para 10 pastas, redução de 98 cargos de confiança do prefeito Keisson Drumond (PT) e a realocação de pessoal para o edifício-sede da PMT, com o intuito de cortar aluguéis e despesas com outros imóveis. Apesar dos alegados cortes, as contas públicas, afirma Torre, não podem absorver proposta acima da que foi oferecida ao Sinsep. “A equipe econômica do município já chegou à conclusão que o impacto desse percentual, de R$ 625 mil, é inexequível nesse momento. A decisão extrema e definitiva é que não há como fazer outro tipo de proposta senão essa”, reiterou.

O procurador-geral antecipou também que outras medidas permitidas pela Lei de Responsabilidade Fiscal poderão ocorrer ainda esse ano para que o município alcance o limite prudencial de gastos. Entre elas, diminuição da jornada de trabalho e a consequente redução proporcional nos vencimentos dos servidores. Isso, destacou Heyder Torre, se o próximo quadrimestre for desfavorável economicamente ao município. “E até em última instância, escolher aqueles cargos que possam ser dispensáveis para o município e exonerar os estáveis”, acrescentou.

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Greve entra na segunda semana - 15/06/2015
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