23 de junho, de 2015 | 21:10
Nova proposta da Usiminas prevê garantia de emprego
Empresa busca entendimento para adequar pessoal e produção; sindicato resiste
DA REDAÇÃO - Uma nova proposta encaminhada pela Usiminas ao Sindicato dos Metalúrgicos de Ipatinga (Sindipa), prevê a garantia de emprego de, no mínimo, 95% do total de empregados administrativos. A medida vale para o tempo de vigência do acordo que prevê a redução da jornada de trabalho em um dia por semana, com a correspondente redução nos salários. A entidade que representa os trabalhadores mantém a resistência a essa forma de ajuste.
A redução da jornada atinge a todos os empregados de horário administrativo em todas as unidades do grupo Usiminas, que somam cerca de três mil trabalhadores. Pela proposta, esses empregados trabalhariam apenas quatro dias por semana, durante três meses, prorrogáveis pelo mesmo período. Ao fim desse prazo, a empresa faria uma nova avaliação do cenário econômico. A medida só poderia ser adotada se for aprovada em acordo coletivo de trabalho.
A proposta, feita no fim do mês de maio, enfrenta forte resistência dos representantes dos trabalhadores. Os sindicatos evitam levar a proposta à votação sob o argumento que ela precisa avançar.
Na segunda-feira, 23, a Usiminas encaminhou ao sindicato em Ipatinga a garantia de emprego e reforçou que o compromisso é o de preservar a equipe. A informação do protocolo do ofício na sede do Sindipa, no bairro Bom Retiro, consta em boletim distribuído para os funcionários. "Essa foi a alternativa encontrada para fechar essa negociação o mais breve possível, principalmente considerado o agravamento da crise e os fortes impactos em nosso negócio", informa o boletim.
O comunicado acrescenta que, na Mineração Usiminas, já houve assembleia com mais de 90% de aprovação da proposta. "Nas unidades das Soluções Usiminas, em Santa Luzia e Betim, a aprovação foi de 99%. Nas demais plantas, as negociações continuam em andamento", afirma o boletim.
Entre outros itens previstos estão as férias e o 13º salário que terão como base de cálculo os salários integrais, sem as reduções, durante a vigência do acordo.
Resistência
O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Ipatinga, Hélio Madalena Pinto, afirmou ao Diário do Aço que a proposta não apresenta um avanço, necessariamente. "O texto, para nós, é muito claro que a empresa vai tentar manter em 5% as eventuais demissões durante a vigência do acordo. Em nenhum momento a Usiminas colocou claramente que vai se limitar a 5%. Isso só reforça nossa afirmação anterior de que, além de reduzir a jornada e reduzir salários, a empresa quer demitir", afirmou o dirigente.
O sindicalista também afirmou que a folha de pagamento representa apenas 7% do custo da empresa e "não será reduzindo salários que será encontrada a solução para os problemas econômicos".
Os representantes dos trabalhadores afirmam que inexiste segurança para colocar a proposta em votação pelos trabalhadores, que se sentem pressionados a aprovar o acordo e endossar abaixo-assinados. Votar a proposta legaliza a redução da jornada com o rebaixamento. Questionado sobre o fim do prazo para um acordo, o sindicalista informou que a resistência à medida abrange unidades da empresa em Belo Horizonte, Cubatão (SP) e Porto Alegre (RS).
Altos-fornos
No dia 18 de maio, a Usiminas anunciou os desligamentos temporários dos altos-fornos nº 1 da usina de Cubatão e de Ipatinga, reduzindo sua produção de ferro-gusa em cerca de 120 mil toneladas/mês. Em Cubatão, o equipamento foi desligado em 31 de maio e, em Ipatinga, a partir de 4 de junho.
Esse foi o primeiro ajuste anunciado pela companhia, com a justificativa de adequar a produção ao atual ritmo de demanda do mercado siderúrgico. A medida foi anunciada depois do registro de queda de 12,6% nas vendas de produtos em aço, pela empresa, no primeiro trimestre de 2015, em comparação com o primeiro trimestre do ano anterior.
JÁ PUBLICADO:
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