24 de junho, de 2015 | 20:00

Sindicato e Usiminas não chegam a entendimento

Comissão de trabalhadores busca auxílio junto ao Ministério Público do Trabalho


IPATINGA – Após a Usiminas divulgar o envio de nova proposta, o Sindicato dos Metalúrgicos de Ipatinga (Sindipa) recusou, novamente, os termos sugeridos pela empresa. Tal proposta assegura a garantia de emprego de, no mínimo, 95% do total de empregados administrativos, durante o tempo de vigência do acordo (três meses, podendo ser renovado por mais três). Entretanto, o sindicato discorda e não vê garantias para os trabalhadores.

A medida prevê a redução da jornada de trabalho em um dia por semana, com a correspondente redução nos salários. A redução da jornada atinge a todos os empregados de horário administrativo, em todas as unidades do grupo Usiminas, que somam cerca de três mil trabalhadores. Pela proposta, esses empregados trabalhariam apenas quatro dias, durante três meses, prorrogáveis pelo mesmo período. Ao fim desse prazo, a empresa faria uma nova avaliação do cenário econômico. A medida só poderia ser adotada se for aprovada em acordo coletivo de trabalho. O compromisso da empresa, aponta o boletim, é de preservar empregos.

O presidente do sindicato, Hélio Madalena Pinto, disse que não se trata de uma proposta nova e comprova o que o sindicato já vinha denunciando: a redução da jornada seguida de demissões. Conforme o sindicato, a empresa, além de propor reduzir os salários, diz com todas as palavras que sua proposta é demitir e que ela buscará limitar as dispensas a 5% dos trabalhadores.

Segundo informou o sindicato, pela proposta da companhia, os salários seriam reduzidos de 14% a 16% para todos os trabalhadores da semana inglesa, o que também incidiria sobre o INSS, o FGTS, os adicionais de insalubridade e periculosidade e sobre as vantagens pessoais. Para um trabalhador que ganha R$ 2.500 e recebe periculosidade, por exemplo, a perda seria de R$ 487,50. A perda mensal de cada trabalhador no FGTS e na Previdência seria de R$ 105.

Caso ocorra redução no quadro de pessoal, o presidente do sindicato pondera que haverá impacto em outros segmentos de Ipatinga, especialmente no comércio. “O trabalhador já está endividado e se fala em aumento na energia elétrica de 38%. A redução de salário vai impactar também na aposentadoria do trabalhador. O governo aperta de um lado e a empresa do outro. Então, não temos mais condições. Estamos abertos a negociações e, inclusive, temos reunião pré-agendada para esta quinta-feira. Não queremos que o trabalhador perca direitos”, argumentou o presidente.

Comissão
Uma comissão formada por trabalhadores da Usiminas foi recebida, nessa quarta-feira (24), pelo Procurador do Ministério Público do Trabalho (MPT), Adolfo Jacob.  Após ter procurado ajuda na Delegacia Regional do Trabalho e receber a informação de que o assunto não seria de sua alçada, o grupo buscou auxílio no MPT. Um dos representantes da comissão, Adair Morais, explica que o procurador, além de atender muito bem os trabalhadores, disse já estar “ciente da situação”.

“Acreditamos que teremos uma solução, porque o procurador foi muito receptivo. Ele ficou de avaliar a situação antes de intimar as duas partes para tentar chegar a uma solução”, disse Adair Morais. O grupo que visitou o MPT foi integrado por aproximadamente 80 trabalhadores. Sobre a nova recusa do sindicato em relação à proposta da Usiminas, Adair lamentou o posicionamento. “Achamos estranho, porque nenhuma proposta foi levada à apreciação da categoria. O sindicato não está sendo nosso mensageiro, e toda proposta tem que ser levada à categoria para avaliação”, pontuou.

Empregados da Usiminas em BH
aprovam a redução de jornada

DA REDAÇÃO - Os empregados administrativos do escritório da Usiminas e Usiminas Mecânica, em Belo Horizonte, aprovaram, nessa quarta-feira (24) a proposta de redução da jornada em um dia útil por semana, com redução proporcional do salário.

A assembleia foi convocada pelo Sindicato dos Metalúrgicos de Belo Horizonte e Contagem. A medida está prevista para entrar em vigor em julho, em data a ser definida.
No acordo, a Usiminas também propôs garantia de emprego de, no mínimo, 95% dos empregados administrativos durante o tempo de vigência do acordo (três meses, podendo ser renovado por mais três, conforme a Lei).


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Nova proposta da Usiminas prevê garantia de emprego - 23/06/2015
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