16 de julho, de 2015 | 00:00

Polêmica marca audiência pública sobre PME

Audiência foi realizada pela CMI na tarde de quarta-feira (15)


IPATINGA - A Câmara de Vereadores de Ipatinga promoveu, nessa quarta-feira (15), audiência pública para debater o Plano Municipal de Educação (PME), que traça metas para os próximos 10 anos. A discussão sobre ideologia de gênero, que tem sido motivo de polêmica em diversas partes do país, e que supostamente estaria contida no PME, fez com que o plenário da Casa ficasse lotado.

Presente ao debate, Wenderson Godoi, que integra o Conselho Municipal de Cultura e é delegado eleito na primeira conferência municipal LGBT, se posicionou contrário a uma emenda preventiva criada pelos vereadores, solicitando que as escolas não discutam a questão de gênero nos próximos dez anos. Para ele, a emenda é um erro, em razão dos diversos casos de agressão a LGBTs em todo o país.

“Queremos levar essa discussão para a escola. Tem uma mentira sendo espalhada Brasil afora, onde se prega a ideologia de gênero. Não estamos pregando nada e, sim, propondo que nossa cidade discuta nas escolas a questão de gênero e propondo que esse ambiente escolar, sem tirar a responsabilidade da família, discuta sobre esses assuntos”, pontua.

Um dos vereadores que assinam a emenda, Nilson Lucas (PMDB) explica que a emenda é preventiva, a fim de evitar que a Secretaria Municipal de Educação venha a trabalhar a questão de ideologia de gênero, por meio de diretrizes ou qualquer outra forma que seja. O parlamentar observa que a ideologia de gênero não pode ser inserida, porque as crianças em questão têm uma média de idade de seis anos.

Desinformação
Presidente do Conselho Municipal de Educação, Maria Aparecida da Silva pontua que o Plano Nacional de Educação, em nenhuma das 20 metas, trata desse conteúdo e foi o Plano que referendou e orientou a discussão regional. Ela relata que o trabalho partiu de um diagnóstico do território, pegando as demandas da educação infantil até a superior, e a palavra gênero não é citada em nenhuma parte do texto.

Ela acrescenta que o plano é fruto do trabalho de muitas pessoas, e quem levanta polêmica deveria se preocupar com o conteúdo que, de fato, ele (PME) trata, como vagas para educação infantil, ampliação da educação integral, educação inclusiva, educação de jovens e adultos, etc.

“Isso é que deveria ser o fato de interesse do plano, e muitos acham que nessa audiência será votado o plano. Isso só mostra a total falta de informação, ou vieram aqui para procurar uma palavra que não vão encontrar, porque não está colocada no nosso plano”, reiterou. 

Durante a audiência, a secretária municipal de Educação, Leida Tavares, falou sobre as metas do plano. Na educação infantil, ela destacou a intenção de atender em creches a no mínimo 50% das crianças em período integral, além de universalizar a pré-escola até 2016. “Não existe nada no plano tratando de destruição da família. A prova de que não existe é que não encontraram nenhuma diretriz e nada relativo ao que estão chamando de ideologia de gênero nesse texto. O tempo todo falamos da importância da família, é muito leviano dizer isso”, frisou.
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