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16 de julho, de 2015 | 20:00

Jornada de trabalho da Usiminas em debate

Justiça do Trabalho designa audiência inicial para dia 21 de julho


IPATINGA – O pedido do Ministério Público do Trabalho (MPT) para que a Justiça estabeleça prazos e determine a convocação de assembleia de trabalhadores da Usiminas será avaliado em audiência inicial, na próxima terça-feira, dia 21. Recentemente, a juíza da 4ª Vara do Trabalho de Coronel Fabriciano, Gilmara Delourdes Peixoto de Melo, rejeitou o pedido de medida liminar na solicitação do MPT. Falta agora avaliar o mérito da ação. A convocação de assembleia deve ser feita pelo Sindicato dos Metalúrgicos de Ipatinga (Sindipa) que, por não concordar com a proposta da empresa, não levou a pauta para apreciação da categoria.

A decisão da magistrada se deu em razão de não ter sido demonstrado pelo MPT que o montante de assinaturas colhidas, nas quais empregados do setor administrativo solicitam a realização de assembleia, corresponde ao percentual mínimo estipulado nos estatutos do sindicato, ou seja, 20%. Entretanto, após visita de comissão de trabalhadores da empresa, a magistrada concordou que fossem levantadas mais assinaturas para que tal percentual fosse alcançado.
Empregado do setor de Aciaria e um dos integrantes da comissão formada por trabalhadores da Usiminas, Adair Morais, relata que uma quantidade significativa de assinaturas foi alcançada e anexada ao processo. “No total, temos 3.350 nomes. Nossa expectativa é que a juíza determine a convocação da assembleia”, disse.

Recentemente, a Usiminas propôs a redução da jornada de trabalho em um dia por semana, com a correspondente redução nos salários. A redução da jornada atinge a todos os empregados de horário administrativo em todas as unidades do grupo Usiminas. Conforma a empresa, o objetivo é preservar a equipe evitando novas demissões.

Manifestação
O Sindicato dos Metalúrgicos de Ipatinga, e a Intersindical realizaram, nessa quinta-feira (16), nas portarias da Usiminas, manifestação contra a redução de salários e demissões.
A manifestação contou com o apoio de metalúrgicos e trabalhadores de todo o Brasil. Estiveram presentes metalúrgicos de Campinas, Limeira e Santos, trabalhadores têxteis e bancários de Santa Catarina, radialistas, professores, servidores públicos, Saúde de várias regiões de São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Minas Gerais e trabalhadores na indústria de carnes e alimentação de Chapecó (SC).

Conforme a diretoria do Sindipa, a luta contra os ataques das empresas e do governo que querem reduzir os direitos dos trabalhadores é uma luta do conjunto dos trabalhadores no país inteiro. Segundo a entidade, a proposta apresentada não garante estabilidade de emprego a nenhum trabalhador. Ela assegura que a empresa pode demitir mesmo durante o período de redução de salários e a quantidade que quiser. Em outros locais do país, onde acordos de redução de direitos foram feitos, como na Volks e na Mercedes em São Paulo, as demissões se intensificaram.

O sindicato acusa a Usiminas de quer reduzir salários para aumentar seus lucros. Os 15% que a empresa quer reduzir dos salários corresponde a  0,04% do lucro da Nippon Steel (principal acionista da Usiminas e que lucrou 1,8 bilhões de dólares em 2014).

“O que a empresa diz que vai economizar com a redução de salários corresponde a 0,1% do que a Usiminas tem disponível em caixa, R$ 2 bilhões e 600 milhões, conforme a divulgação da própria siderúrgica”, aponta o sindicato.

Por sua vez, a empresa tem afirmado que a medida visa preservar, ao máximo, a equipe de trabalho. Recentemente, uma comissão foi criada por trabalhadores que foram ao MPT e à Justiça do Trabalho pedir apoio para que a proposta fosse apreciada em assembleia. O que não ocorreu até o momento.
 
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