20 de julho, de 2015 | 20:00
Discussão sobre educação volta a causar polêmica
O Projeto 66/2015 foi retirado da ordem do dia na Câmara de Ipatinga
IPATINGA O Projeto 66/2015, que versa sobre o Plano Municipal de
Educação, foi retirado da ordem do dia na Câmara de Ipatinga. Após intensa manifestação do público durante a sessão dessa segunda-feira (20), o projeto recebeu pedido de vista apor 24 horas. Os protestos eram destinados à emenda preventiva, que pretende evitar que a Secretaria de Educação venha a trabalhar a questão de ideologia de gênero, por meio de diretrizes ou qualquer outra forma.
A coordenadora do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação (Sind-UTE) de Ipatinga, Cida Lima, pontua que a presença dos cartazes e manifestos se deu em razão da emenda proposta pelo vereador Nilson Lucas (PMDB), e assinada por vários vereadores, que proíbe a discussão de gênero dentro da escola. Estamos aqui para defender a discussão e defender o Plano Municipal de Educação, tal qual ele foi debatido com a população e aprovado na conferência. Nesse texto do plano, apesar de não citar a questão do gênero, dá liberdade para que trabalhemos isso, como já trabalhamos nas escolas”, disse.
Trabalhar gênero na escola, aponta, significa trabalhar pela defesa dos direitos da mulher, discutir as relações de gênero que são muito desiguais, e não significa, de maneira alguma, discutir banheiro único. O debate, na opinião de Cida Lima, passa pelo respeito às diferenças, principalmente pelos direitos das minorias. Dentro da escola passamos por situações assim. Temos de discutir sim, até mesmo para saber lidar. O índice de violência contra a mulher, contra o gay, lésbicas e o índice de estupros cresce a cada dia, isso porque as relações de gênero ainda não estão iguais e bem discutidas dentro desses espaços onde precisam ser discutidas e a escola é um deles”, destacou.
Cida Lima acrescenta que existem diretrizes nacionais que tratam do tema e a lei do plano municipal tem de seguir as diretrizes nacionais. Outro detalhe é que, na legislação da educação, existem os temas transversais, que não fazem parte do conteúdo básico do dia a dia, mas que são trabalhados pela Lei de Diretrizes e Bases (LDB) da Educação. Existe legislação que já dá essa liberdade e até como deve se trabalhar isso nas escolas. Não é novo e não apareceu agora. O que apareceu agora é a ideologia de gênero, que coloco entre aspas, porque não existe ideologia, mas sim o direito e o desejo de discutir gênero na escola”, concluiu.
Já foi publicado:
Plano Nacional de Educação completa um ano - 27/06/2015
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