26 de julho, de 2015 | 00:10

“É preciso pensar na recuperação econômica”

Dirigente empresarial chama a atenção para a necessidade de cobrar ações práticas de reestruturação econômica


IPATINGA – Em tempos de crise econômica, os mais variados setores produtivos vivem dias difíceis. Sem dinheiro, investimentos em obras e contratos diminuem e a cobrança sobre os governantes cresce, na proporção do desemprego. Entretanto, o vice-presidente do Sindicato Intermunicipal das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico do Vale do Aço (Sindimiva), Jeferson Bachour Coelho, chama a atenção para a necessidade de ações para a reestruturação econômica. Para o dirigente, é preciso dar atenção para as indústrias, que geram receita e impostos, que contribuem diretamente com a arrecadação dos governos. O industrial também questiona a falta de mobilização, inclusive no Vale do Aço, para cobranças de solução.

Jeferson Coelho aponta que, como solução para o quadro, deveria ocorrer uma adequação, pelo governo federal. O Ministério da Fazenda tem providenciado ajustes, cortando despesas e aumentando tarifas como as de energia elétrica, combustíveis, e a desoneração da folha de pagamento. O dirigente acrescenta que o governo gasta mais do que arrecada e, então, em vez de só cortar os gastos, tenta aumentar a arrecadação, o que tem influência negativa diretamente sobre a economia.

O dirigente empresarial lembra que já foi apontada a diminuição do Produto Interno Bruto (PIB), que pode fechar negativo em 2015. No momento, não há um movimento para que o quadro mude. Jeferson cita, como exemplo, a visita recente do governador de Minas, Fernando Pimentel (PT) à Ipatinga, quando fez o lançamento de um programa, que vai depender da arrecadação do Estado para implementar antigas reivindicações da região.

“Posso citar a MG-760, hospital regional, a ponte entre Fabriciano e Timóteo, realinhamento dos salários dos professores em nível nacional, mas tudo isso depende de dinheiro, ou seja, recursos vindos da arrecadação e acredito que o Estado está arrecadando menos em razão dessa crise. Em momento algum vi alguém se posicionar em defesa de um plano de recuperação econômica do Estado e do país”, destacou.

Para o empresário, o governador, que foi ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio e permanece muito próximo da presidente Dilma Rousseff (PT), deveria ser o interlocutor para que, de alguma forma, houvesse uma reforma tributária, por exemplo. “Eu ouvi uma notícia segundo a qual os governadores dos estados da região Sudeste estiveram em Brasília para acabar com a guerra de tributos, porque existe uma disputa entre os Estados. Parece que estão fazendo um acordo, mas não vemos uma luz no fim do túnel. Não vemos isso ocorrer em um curto espaço de tempo”, aponta.  
Divulgação


jeferson bachour


Quando o governador Fernando Pimentel esteve em Ipatinga, Jeferson Bachour relata não ter visto nenhum representante da Usiminas presente na reunião. A ausência foi percebida porque a empresa é uma das âncoras do Leste de Minas, tem grande importância para o Estado e está fortemente impactada pela conjuntura econômica atual. “Acredito que a Usiminas teria de ser ouvida. O que a Usiminas precisa nesse momento? As empresas deveriam ser ouvidas, afinal, temos de garantir a empregabilidade. Com a baixa demanda econômica, está ocorrendo muita demissão e não vi ninguém falando em alguma coisa que pudesse reverter esse quadro”, cobrou.

Jeferson Coelho lembra que a duplicação da BR-381 não pode parar, assim como a luta pela pavimentação da MG-760, hospital regional, entre outras demandas estruturais importantes para a região. “A minha preocupação é de onde virão os recursos para serem feitas essas obras. Não vi na classe empresarial nenhuma movimentação nesse sentido, e deveria ter sido colocado nessa apresentação alguém que pudesse, representando os empresários, cobrar do governador uma aproximação maior com o governo federal para fazer uma discussão”, avalia.

Alternativas
O setor metalomecânico tem buscado novos caminhos. Apesar de ter poucos recursos, as empresas, com apoio do Sebrae e da Fiemg, começaram um trabalho visando que as empresas do Vale do Aço possam atender o segmento de implementos agrícolas.

“A agroindústria é o principal produto de exportação do Brasil. Nunca atendemos esse mercado e estamos começando a fazer um trabalho agora. Muito antes disso, o governo do Estado, os municipais também, já deveriam ter se preocupado em ter uma empresa âncora que além da Usiminas, demandasse o aço fabricado aqui. Nunca vi um movimento voltado para trazer uma empresa que pudesse comprar o aço e utilizar as empresas já instaladas aqui no fornecimento de peças e acessórios para que pudéssemos movimentar a economia da região”, opina.

A falta de inciativas nesse sentido acarreta em desemprego. Jeferson lamenta o cenário atual e acredita que deveria se pensar em evitar o desemprego e não se perder a cultura da região, voltada para o setor metalomecânico. “Não podemos continuar como estamos, perdendo fábricas como perdemos a fábrica de vagões da Usiminas mecânica, que foi para Congonhas, e ninguém falou nada contra isso. Precisamos reverter esse quadro. Os projetos e conversas deveriam passar incialmente por uma recuperação econômica da região leste, para que o restante possa entrar nos eixos”, conclui. 

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