28 de julho, de 2015 | 20:00
Empregados da Usiminas temem novas demissões
Pendência da votação da proposta de redução de jornada preocupa
IPATINGA Com a proximidade do fim do mês e o fechamento da folha de pagamento, a preocupação da comissão de empregados da Usiminas é que ocorram mais demissões na empresa. Isso em razão da pendência da votação da proposta de redução de jornada, que ainda não foi levada à votação pelo Sindicato dos Metalúrgicos de Ipatinga e Região (Sindipa). Conforme a empresa, ao reduzir a jornada em um dia por semana e também o salário, o objetivo é preservar a equipe.
Um dos integrantes da comissão de trabalhadores, Adair Morais, explicou que, na tarde dessa terça-feira (28), esteve com o procurador do Ministério Público do Trabalho (MPT), Rafael Albernaz Carvalho, após tentar conversar com o juiz do Trabalho.
O magistrado não ia conversar conosco porque estava atendendo duas varas e, por isso, fomos ao MPT. O procurador explicou que não depende mais daqui, porque subiu uma instância. Disse também que não entendeu o embasamento da desembargadora ao dar a decisão favorável ao Sindipa, pois não se baseou em nada do que o MPT havia explicado”, relata.
Agora, a comissão tentará contato com a desembargadora do Tribunal Regional do Trabalho, Paula Oliveira Cantelli, que concedeu uma liminar em favor do Sindicato dos Metalúrgicos de Ipatinga e Região suspendendo os efeitos da decisão proferida pela juíza da 4ª Vara do Trabalho de Coronel Fabriciano. O número de pessoas ameaçadas é muito grande. Não achamos justo essa situação, porque poderíamos chegar a um consenso. O Sindimiva (Sindicato da Indústria Metalomecânica) conseguiu acordar os mesmos termos de redução de jornada de trabalho e não conseguimos entender porque isso não ocorre na Usiminas. Nem com as assinaturas que conseguimos levantar o sindicato abriu assembleia. Não tem como entender”, lamenta.
Nessa terça-feira, os trabalhadores iriam procurar o sindicato para tentar um retorno sobre o ofício protocolado no dia 17, pedindo que atendesse ao apelo da comissão e convocasse assembleia extraordinária. O pedido se baseou no estatuto, que diz que 20% dos sócios efetivos podem requerer assembleia. Mas não vamos parar nosso movimento. Nosso maior medo é que chegando o início do próximo mês, ocorram novas demissões. Inicialmente a intenção da Usiminas era garantir 95% da equipe. Mas agora, com essa demora, fica complicado e temos notícia de que mais de 300 demissões ocorreram”, estima.
Manifestação
Conforme informou o Sindipa, o que está valendo é o mandado que garante que o sindicato pode recursar a proposta da Usiminas. Não houve nenhuma movimentação da empresa em relação a uma nova proposta. Mas tem feito tentativas de coagir trabalhadores e coagir e sindicato. A Usiminas fez uma proposta que reduz direitos e não aceitamos. Derrubamos a liminar e ficou decidido que é sim uma atribuição do sindicato tratar politica sindical”, disse a assessoria de Comunicação.
Da parte do MPT, a manifestação em relação ao entendimento do sindicato foi feita no dia 23 de julho. Mesmo não tendo sido notificado sobre a decisão da desembargadora do TRT, o procurador Rafael Carvalho disse que o MPT irá aguardar e, dependendo, a questão será revisada, ou não, pelo juiz Luciano José de Oliveira. Por ora, temos de aguardar a decisão do juiz”, reiterou.
Já foi publicado:
Trabalhadores da Usiminas protocolam pedido de assembleia - 18/07/2015
Jornada de trabalho da Usiminas em debate - 16/07/2015
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