19 de agosto, de 2015 | 20:00

Eletricistas planejam paralisar atividades

Empregados de uma das maiores contratadas da Cemig alegam irregularidades trabalhistas


IPATINGA - Funcionários da Ecel, terceirizada da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), pretendem paralisar suas atividades nesta quinta-feira, 20. Uma manifestação está prevista para ocorrer nesta manhã, em frente à sede da empresa, no bairro Caravelas, e em frente à Cemig, no Centro. Cerca de 100 trabalhadores, em sua maioria eletricistas, e até mesmo grupos de empregados da Ecel em outras cidades mineiras manifestaram interesse em participar do ato.

Não é a primeira vez que trabalhadores da Ecel decidem paralisar os serviços por alegadas irregularidades trabalhistas. Empregados afirmam que paralisações ocorreram por pelo menos duas vezes nos últimos anos na cidade. Dessa vez, os eletricistas afirmam que a contratada não tem feito os depósitos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) e as contribuições ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Além disso, a maioria dos funcionários diz estar com as férias vencidas por dois anos.

Outra reivindicação é o acerto rescisório de cerca de 70 trabalhadores dispensados do serviço há mais de três meses. Eles alegam que o caso já foi parar na Justiça do Trabalho, em Coronel Fabriciano, com decisão favorável aos ex-funcionários, mas o impasse ainda não foi resolvido. A empresa deverá encerrar os trabalhos na planta da Cemig em Ipatinga, e os trabalhadores com contrato de trabalho ativo temem que o acordo rescisório não seja feito. “Tememos por um calote da Ecel. Fizemos uma reunião entre nós na porta da empresa e, nesta quinta-feira, às 7h da manhã, iremos parar o serviço e fechar o portão da Ecel até que uma resposta nos seja dada. Se não tivermos um posicionamento claro, iremos também à portaria da Cemig”, disse um dos trabalhadores, que pediu para não ser identificado.

A empresa contratada pela Cemig é responsável por serviços essenciais de eletricidade como manutenção de rede elétrica, corte e religação, e também as novas instalações elétricas. Os trabalhadores afirmam que, se os impasses não chegarem ao um desfecho nesta quinta-feira, uma greve ocorrerá por tempo indeterminado.

Direitos

Por meio de nota, a Cemig informou que está mediando a solução das pendências da empreiteira com os empregados para garantir que os direitos trabalhistas sejam integralmente respeitados. “Em função das irregularidades apresentadas pela empresa, uma nova empresa já foi licitada para realizar os serviços”, afirma a Cemig. Conforme os trabalhadores, a nova empresa deverá ser a espanhola Asolar Energy, instalada em Montes Claros (MG).

A Ecel tem sede em Montes Claros. Em Ipatinga, a contratada tem unidade na rua Itajaí, no bairro Caravelas. Por telefone, o gerente administrativo do escritório local, Ronaldo Caldas, afirmou que o contrato da empresa com a Cemig ainda não foi finalizado – tem vigência até janeiro de 2017 -, e todos os dividendos são negociados com os funcionários. Caldas lamentou um cenário de crise econômica com reflexos na empresa e disse que os repasses ao FGTS e INSS foram acertados e “já são feitos com normalidade”. Por sua vez, as rescisões dos trabalhadores demitidos, cita, “são negociadas com o sindicato da categoria e a maioria já foi paga”. No que tange ao temor dos trabalhadores com contrato ativo, o gerente disse que “até que a Cemig nos oficialize a transição, tudo ocorre com normalidade”.

Os trabalhadores também alegam desassistência do sindicato que os representa – o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção e do Mobiliário de Ipatinga - e acionaram um advogado particular para acompanhar a contenda. Nessa quarta-feira, o DIÁRIO DO AÇO procurou pelos diretores da entidade, mas eles não foram localizados. Os funcionários da Ecel afirmam pleitear o apoio do Sindicato dos Eletricitários de Minas Gerais (Sindieletro) na paralisação programada para esta quinta-feira.

 
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