27 de agosto, de 2015 | 20:00
Votação de emendas é alvo de polêmica na CMI
Público e vereadores se manifestaram em relação à chamada ideologia de gênero
IPATINGA A votação das emendas modificativas ao Projeto de Lei 66/2015 foi alvo de polêmica na Câmara de Ipatinga, durante sessão ordinária realizada nessa quinta-feira (27). Das sete emendas, duas tinham teor preventivo. A intenção é evitar que a ideologia de gênero seja discutida nas escolas. Apesar dos protestos de parte do público, as modificações ao projeto foram aprovadas, assim como a matéria, apreciada em segunda votação.
Os parlamentares contrários à ideologia de gênero dentro do plano afirmam que, meninos e meninas, não seriam tratados dessa forma, mas sim como crianças. Supostamente, a ideologia de gênero defenderia que cada um constrói o gênero ao longo da vida. No plenário da Casa, representantes de movimento Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros (LGBTS) e também das famílias tradicionais”, marcaram presença na sessão.
Um dos defensores das emendas, o vereador Nilson Lucas (PMDB) explicou que elas visam proibir que seja adotada a ideologia de gênero nas escolas, caso o município quisesse fazer por meio de diretrizes ou qualquer outra forma. Uma refere-se a uma lei federal, que fala sobre diversidade. Já a outra trata diretamente da ideologia de gênero, da questão de orientação sexual, diversidade e gênero, uma emenda complementa a outra”, disse Nilson Lucas.
Única a votar contra as emendas, a vereadora Lene Teixeira (PT) lamentou a intolerância e as mentiras espalhadas” durante o processo de discussão do plano municipal. Lene afirmou ser contra a ideologia de gênero como está sendo propagada.
Lene Teixeira ponderou que, o importante, é discutir a questão de gênero que aponte a violência que crianças e mulheres estão sofrendo. A questão da pedofilia acontece e com gente dentro das casas, famílias ou amigos mais próximos. Queremos uma educação com qualidade que implica dar ao cidadão, desde sua infância, as condições para ele decidir o rumo e saber quais os caminhos na relação de respeito ao outro ser humano”, destacou.
Por sua vez, o vereador Nilson Teixeira de Morais, Nilsin Transnil (PTdoB) disse que, na escola, querem tratar o menino e a menina como criança. Menino tem que ser tratado como menino e menina como menina. Estão tentando plantar uma semente. Quando planta e rega, ela nasce e não compactuaremos com isso. Faz parte de um regime de liberação sexual e não somos favoráveis a isso, pois defendemos a família”, salientou.
Por sua vez, o vereador Roberto Carlos Muniz (PTdoB) recordou que as emendas preventivas já foram discutidas na Casa, assinadas por 15 vereadores, e que têm papel de natureza preventiva. O que foi falado pelo professor que veio a Ipatinga para orientar o plano de educação, aponta, é que a questão da ideologia de gênero seria tratada por diretrizes, que não iriam ser discutidas pela Câmara de Ipatinga, mas sim pelo Conselho Municipal de Educação.
Sabemos que a grande maioria do conselho é governamental e a Câmara de Ipatinga não iria se omitir. Ainda que o governo queira implantar ou fazer ideologia de gênero, ele vai precisar voltar aqui e trazer o plano para que seja discutido, tantas vezes quanto for preciso”, concluiu o vereador.
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