15 de setembro, de 2015 | 20:00

Cartão de crédito com juros elevados

Economista alerta para risco de endividamentos


IPATINGA - A taxa média de juros do cartão de crédito chegou a 350,79% ao ano, segundo levantamento da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac). Ao mês, a taxa do cartão está em 13,37%, aumento de 0,34 ponto percentual em relação a julho. O economista Amaury Gonçalves aponta as razões para o percentual elevado e orienta para que o consumidor não faça dívidas.

No cheque especial, a taxa média ficou em 218,17% ao ano (10,14% ao mês), com elevação de 0,04 ponto percentual na comparação com julho. A taxa média geral de juros para pessoa física teve um aumento de 0,08 ponto percentual entre julho e agosto, chegando a 128,78% ao ano – 7,14% ao mês. Além do cartão de crédito e cheque especial, a pesquisa leva em consideração o crédito para automóveis, o financiamento pessoal em bancos, o crédito em financeiras e os juros do comércio.

Amaury Gonçalves explica que houve um aumento dos juros, justificado pelo aumento da inflação, pelo ajuste que o governo federal está fazendo na economia brasileira e pelo aumento dos impostos que incidem sobre o sistema financeiro. Para arrecadar mais, o governo elevou a contribuição sobre o lucro dos bancos, aumentando a alíquota. E os bancos estão repassando aos clientes.

Outro aspecto apontando por ele é o aumento da inadimplência, uma vez que a crise vai se agravando no quadro da economia brasileira, a inadimplência sobe. “Esse é mais um motivo para os bancos aumentarem a taxa de juros. Mais uma vez, aqueles bons pagadores irão pagar pelos devedores, isso porque os bancos não abrem mão de manter a taxa de lucro elevada”, destaca.

Amaury acrescenta que os bancos continuam lucrando muito dentro da economia brasileira e que estão mais seletivos, inclusive para concessão de crédito. “Estão dificultando mais, fazendo uma análise da ficha e do perfil do correntista que quer pegar dinheiro emprestado. No passado, existia abundância de crédito. Hoje, apesar dos juros ainda elevados, os bancos estão seletivos. No setor automobilístico os juros aumentaram menos proporcionalmente do que as demais modalidades, como cheque especial, cartão de crédito. Isso porque os bancos estão mais seletivos e exigindo uma entrada maior. Essa é a explicação para que os veículos não tenham elevado tanto”, aponta. 
Wôlmer Ezequiel


Amaury Gonçalves


Dicas
Para não se ver envolvido em dívidas, o consumidor deve ficar atento aos gastos. Cartão de crédito é para ser usado somente por um período momentâneo e deve ser quitado integralmente. Amaury Gonçalves aconselha que, aquele que está endividado ou em um processo de endividamento do cartão de crédito, pagando só a parcela mínima, deve sair dessa bola de neve. Isso porque com os juros a 350% ao ano, é muito elevado para qualquer país.

“Essa pessoa deve procurar o banco, fazer uma operação de crédito pessoal, com avalista. Apesar de toda a dificuldade,  esse avalista que vai garantir uma taxa de juros em torno de 6% a 7% ao mês, o que é bem melhor do que a taxa de juros do cartão”, avalia. Outra opção é pensar duas vezes antes de comprar: se precisa agora e se tem dinheiro. Porque, se não existe a perspectiva do dinheiro, não se deve nem sair com o cartão.

O economista salienta que é melhor fazer pequenas compras com dinheiro, ou cartão de débito, e não comprar a crédito, o que cria uma falsa ilusão de que se tem esse dinheiro. Outro detalhe é não ter mais do que um cartão de crédito. Se recebe só uma vez por mês, basta então um cartão. “Mais de um é para quem tem outras fontes de renda. Se não for esse o caso, um cartão basta, até porque o próprio cartão de crédito tem custo, eles cobram a taxa de anuidade, o que dificulta ainda mais a manutenção desses pagamentos em dia”, conclui Amaury Gonçalves.    
 
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