02 de outubro, de 2015 | 09:53

MG 759 é fechada na ponte do ribeirão do Boi

Moradores do distrito de Revés do Belém fecham rodovia em protesto por retenção em córrego


REVÉS DO BELÉM - O trânsito na rodovia MG-759, no distrito de Revés do Belém, em Bom Jesus do Galho, ficou completamente paralisado durante toda a manhã desta sexta-feira (2/10). Utilizando troncos de árvores, galhos e pneus, os moradores colocaram fogo e interromperam o trânsito nos dois sentidos da rodovia que liga Revés do Belém, Pingo D’Água e Córrego Novo à BR 458.

A manifestação, que reuniu mais de cem pessoas, ocorreu nas proximidades da ponte sobre o ribeirão do Boi. A interrupção provocou filas de veículos nos dois sentidos da estrada já que não há caminhos alternativos. Com o protesto, quem precisava chegar a Ipatinga vindo do próprio distrito de Revés, ou das cidades de Pingo D'Água ou Córrego Novo, não conseguiu completar a viagem na manhã dessa sexta-feira. Muitas pessoas que moram nessas localidades trabalham em Ipatinga, no distrito industrial de Santana do Paraíso, e em outras cidades do Vale do Aço. Quem fazia o caminho inverso também teve dificuldades em chegar ao seu destino.

O protesto ocorreu por causa da falta de água, que atinge Revés do Belém há mais de cinco dias. O local da manifestação foi estratégico, uma vez que o ribeirão do Boi está completamente seco, sem água corrente e com apenas algumas poças. Próximo à ponte existe uma estação de captação de água da Copasa para o abastecimento das casas de Revés do Belém.

Segundo denúncias, a seca que atinge o ribeirão do Boi é causada por uma intervenção feita por fazendeiros, que desviaram o curso da água. Moradores disseram ainda que já acionaram os órgãos ambientais do Estado de Minas Gerais e a Polícia de Meio Ambiente, que foram ao local e apenas registraram a ocorrência.

Manifestantes informaram que não há uma gota de água nas torneiras das casas, como o aposentado Felício Genuíno Azevedo. Segundo ele, a situação está muito crítica.

“Tá todo mundo sem água; as famílias; a escola e a creche estão funcionando parcialmente”, completou. “A Copasa, os órgãos públicos tem que ajudar a gente porque faltou água, faltou tudo”, cobrou o comerciante Reginaldo Andrade.

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revés do belém mg-759


O radialista Creumárcio Lopes lembrou o problema das donas de casa com vasilhas sujas amontadas nas pias, roupas nos tanques e todos sem água para necessidades básicas do dia a dia como banho e higiene pessoal.

“Aos fazendeiros, por gentileza, liberem a água para que ela seja tratada, para que nós possamos ter um pouco mais de dignidade”, apelou Creumárcio Lopes.

 

Segundo Copasa, barramento causa desabastecimento

Em nota, a Copasa informa que nos últimos dias foi registrada uma redução drástica do nível de água no ribeirão do Boi, que abastece o distrito de Revés do Belém, no município de Bom Jesus do Galho. Equipes da Copasa, com a Polícia Militar do Meio Ambiente, verificaram o manancial e constataram várias irregularidades.

Nas intervenções ilegais são utilizados sacos com argila, pedras e madeira, desviando toda a água do ribeirão do Boi e prejudicando o curso normal do manancial. Os desvios são para realizar irrigação por meio de sulcos em lavouras de quiabo, arroz e jiló.

No dia 28 de setembro de 2015, a Polícia Militar de Meio Ambiente registrou a irregularidade por meio do Boletim de Ocorrência nº 2015-RAT-0014037464. Já no dia 30 de setembro de 2015, a Polícia Militar de Meio Ambiente reuniu-se com o proprietário do terreno, onde havia o barramento, solicitando a destruição do mesmo, o que não foi feito.

Dessa forma, a Polícia Militar de Meio Ambiente irá acionar o Poder Judiciário para que as devidas providências sejam tomadas. Na quinta-feira, 1º de outubro, representantes da Copasa e da Polícia Militar de Meio Ambiente, foram ao Ministério Público de Caratinga, solicitar o Termo Autorizativo para eliminação do referido barramento, mas não obtiveram êxito, explica a assessoria da empresa, em nota.

“A Copasa aguarda a decisão judicial, pois a companhia nem a Polícia Militar de Meio Ambiente podem exigir ou fazer o desmanche da referida barragem. A Copasa ressalta que dispõe de infraestrutura adequada para o abastecimento à população de Revés do Belém e detêm a outorga de direito do uso da água no ponto de captação e em razão da indisponibilidade de água no manancial, o abastecimento está comprometido”, conclui a nota.

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