24 de outubro, de 2015 | 20:00
Mulher vive drama à espera de cirurgia
Secretaria de Saúde diz que aguarda o agendamento do procedimento por uma instituição de Belo Horizonte
IPATINGA Dependente da rede de saúde pública, a dona de casa Lidiane Sales Viana, 37 anos, sofre há uma década à espera de uma cirurgia vascular, que nunca chega. Moradora da comunidade do Morro do Sossego, no bairro Veneza I, ela tem um grande tumor na coxa direita que expele secreções, provoca dores intensas e limita seus movimentos. Sem poder trabalhar, Lidiane cuida de três filhos enquanto o marido tenta, nos bicos, sustentar a família. Comovidos com o drama da mulher, vizinhos ajudam como podem, inclusive, sugeriram ao DIÁRIO DO AÇO que relatasse o drama vivido pela ipatinguense.
Lidiane afirma que em 2005 procurou a rede pública de saúde devido a um pequeno caroço formado na perna. Ela acredita ter sido vítima de um erro médico. O médico suspeitou que fosse um lipoma (acúmulo de tecido gorduroso; tumor benigno), disse que não precisaria de exame e me encaminhou para uma cirurgia, para cortá-lo. Depois descobriram que era um hemangioma (formação tumoral de vasos sanguíneos), costuraram minha perna para evitar uma hemorragia, vim para casa e daí para cá isso cresceu, enche e estoura com frequência. Pouco depois da cirurgia eu descobri que estava grávida e perdi o bebê”, conta a dona de casa, emocionada.
A mulher mora em uma casa simples na rua Tancredo Neves e recebe a ajuda de vizinhos e pessoas solidárias. Lidiane já procurou unidades de saúde, o Serviço de Autorização Médica (SAM), a secretaria de saúde e outras seções. Os protocolos de atendimento estão todos guardados, mas a solução para a enfermidade não veio. Até em serviços de saúde em Belo Horizonte a dona de casa já buscou ajuda, e depende da liberação de uma cirurgia.
São 10 anos perdidos da minha vida. Meu marido não tem emprego fixo e corre comigo para hospitais de um lado para o outro. Nos últimos meses tenho febre diariamente. Está infeccionado o caroço. Além de sair muito sangue, agora quando estoura é muito pus na minha perna”, diz, mostrando a ferida.
Resposta
Questionada sobre o assunto, a Secretaria de Saúde de Ipatinga confirmou que a paciente é acompanhada pela rede municipal de saúde. A assistência é realizada por profissionais médicos (angiologista e cirurgião vascular) e exames especializados em Belo Horizonte, pelo setor de Tratamento Fora de Domicílio (TFD)”.
A secretaria afirma que, com base nos registros, a paciente entrou com a solicitação de TFD para acompanhamento com cirurgião vascular em agosto de 2014. A consulta e o exame especializados (angiotomografia) foram atendidos em novembro do mesmo ano. Em 2015, foram feitas duas novas consultas médicas, sendo a última delas em 31 de agosto deste ano, quando o profissional definiu pelo encaminhamento do caso para cirurgião plástico”.
O serviço de saúde informa que aguarda o agendamento do procedimento por uma instituição hospitalar de Belo Horizonte, credenciada pelo SUS”. E acrescenta que já encaminhou o relatório de prioridade do caso para o prestador do serviço.
A dona de casa precisa também da doação de cestas básicas. Ela reside na rua Tancredo Neves, nº 150, Morro do Sossego. O telefone para contato é o (31) 98739-0819. Assista, abaixo, entrevista sobre o caso.
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