03 de novembro, de 2015 | 20:00
Greve de servidores públicos prejudica atendimento
Administração municipal reafirmou proposta de 8,42% de reajuste aos servidores
IPATINGA A greve dos servidores públicos de Ipatinga, deflagrada no fim do mês de outubro, resultou na redução do atendimento. Na tarde dessa terça-feira (3), o DIÁRIO DO AÇO presenciou a indignação de cidadãos que aguardavam nas filas de unidades como o Serviço de Atenção Médica (SAM) e na Unidade de Pronto Atendimento (UPA).
Em entrevista coletiva, os secretários de Administração, Saúde e Fazenda, Vicente Costa, Eduardo Penna e Fábio Mussi, respectivamente, reiteraram que o momento vivido pelo município é difícil e que Ipatinga chegou ao seu limite financeiro.
Por volta das 14h, a reportagem esteve na UPA, onde a jovem Karine Roque Soares, de 19 anos, aguardava desde às 10h. Com dores abdominais, a moradora do bairro Limoeiro chegou a ir à unidade de saúde, mas os servidores também estão em greve naquele bairro. Passei pela triagem e estou aqui aguardando desde então. Agora a dor melhorou um pouco, mas não está certo esperar tanto”, disse.
Também na UPA, Fernando Oliveira aguardava pelo atendimento de seu filho de 8 anos. Normalmente seria um atendimento rápido, por se tratar de criança, mas a greve prejudicou o serviço e estamos aqui desde 12h40, já que o atendimento está sendo feito de forma reduzida”, observou.
Moradora do bairro Tiradentes, Vanda Rodrigues acompanhava o pai, José. Desde 8h estamos aqui, meu pai não consegue ficar em pé porque está fraco. Corre o risco de nem ser atendido hoje. Ficamos chateados porque ele não está bem, é triste”, lamentou. Já no SAM, no bairro Cidade Nobre, Mariusa Soares relatou dificuldade para conseguir medicamentos.
Só nessa terça-feira tertentei três vezes, fui à unidade de saúde do Canaã e tentei na Unidade de Saúde do Cidade Nobre (Uisa), mas não consegui. Me disseram que é culpa da greve”, pontua.
Pontualmente sobre o caso relatado pela paciente Maiusa Soares, a Secretaria de Saúde de Ipatinga informa que o Serviço de Autorização Médica (SAM) não é o equipamento municipal responsável por dispensar medicamentos, mesmo com a greve dos servidores municipais. O SAM apenas recebe, autoriza, regula e encaminha procedimentos médicos.
"Os medicamentos são adquiridos pela assistência farmacêutica e fornecidos nas farmácias das Unidades Básicas de Saúde, Policlínica Municipal e CCDIP - DST/Aids, sob a coordenação do Departamento de Atenção Especializada da Secretaria Municipal de Saúde", informa em nota, a administração pública.
Movimento
Os servidores deflagraram greve por tempo indeterminado no dia 29 de outubro. A mobilização reúne profissionais de seções da prefeitura, além de trabalhadores das unidades de saúde e rede de urgência e emergência do município. O Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público Municipal de Ipatinga (Sintserpi) promoveu, na manhã dessa terça-feira (3), manifestação pelas ruas do Centro.
Na tarde de terça, a PMI promoveu nova reunião com o sindicato, onde reafirmou sua proposta: reajuste de 8,42%. A PMI está sempre aberta ao sindicato, reiteramos nossa proposta, um reajuste escalonado, que vai de dezembro até maio do ano que vem. A proposta foi feita ao sindicato e esperamos que seja aprovada. Talvez Ipatinga não tenha vivido uma situação tão grave em sua economia como a de hoje”, afirmou Vicente Costa.
O secretário municipal de Saúde, Eduardo Penna, destacou que a greve atingiu mais o Hospital Municipal e em partes” o Samu. Ele acrescenta que o município tem conseguido manter o efetivo que garanta minimamente a assistência aos pacientes.
Apesar da greve, não estamos permitindo que ocorra qualquer risco à vida de nossos cidadãos ou quem procure os nossos serviços. Faço um apelo aos nossos servidores que entendam o momento do município. Nossa expectativa é que essa situação seja resolvida”, frisou.
Encontrou um erro, ou quer sugerir uma notícia? Fale com o editor: [email protected]
















