08 de novembro, de 2015 | 21:13
Dia atípico em Naque, com mortandade de peixes no rio Doce
Depois da passagem da onda de lama da mineração, moradores ribeirinhos convivem com os estragos ambientais
Quem se sensibilizou com as imagens de peixes e outros animais mortos após a passagem da onda de lama na região do rio Doce, nas áreas da Ponte Queimada, em Pingo DÁgua e Ponte Perdida, no distrito de Revés do Belém, em Bom Jesus do Galho, não imaginava que o pior estava por vir.
O trecho do rio Doce que corta uma parte da cidade de Naque, ainda no Vale do Aço, localizada logo depois da foz do rio Santo Antônio, registrou neste domingo uma mortandade de peixes nunca vista antes pelos moradores das redondezas.
Mesmo sem saber se a morte dos peixes está relacionada à falta de oxigênio ou algum elemento tóxico trazido pelo mar de lama”, centenas de pessoas foram à beira do rio para recolher os peixes agonizando.
O sargento Anacleto, do destacamento de Naque, acompanhou essa movimentação e orientou a população para não consumir os peixes, pois ainda não se sabe, ao certo, a causa da mortandade.
Apesar dos avisos, muitas pessoas levaram os peixes para casa. Os que foram encontrados mortos, à beira do rio Doce, foram amontados em calçadas e no meio do mato.
A Polícia de Meio Ambiente está registrando os boletins de ocorrência de danos ambientais em função da passagem da lama que escapou com o vazamento de rejeitos de mineração de ferro, nas barragens de Fundão e Santarém, uma acima da outra, na unidade industrial Germano, da Samarco Mineração, localizada no distrito de Bento Rodrigues, em Mariana.
Os boletins da Polícia de Meio Ambiente serão encaminhados ao Ministério Público Estadual, responsável por apurar responsabilidades na catástrofe, que tem repercussão internacional. A Samarco é uma empresa que tem 50% de controle da gigante brasileira da mineração, Vale, e outros 50% da australiana BHP Billiton, considerada a maior empresa de mineração do mundo.
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