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17 de novembro, de 2015 | 20:00

Sistema Faixa Azul divide opiniões em Fabriciano

Alterações estão em vigor desde o fim do mês de outubro


FABRICIANO – O novo sistema rotativo de estacionamento Faixa Azul, implantado em Coronel Fabriciano no fim de outubro, tem dividido as opiniões. Lojistas, motoristas, prefeitura e dirigentes da classe empresarial explicam ao DIÁRIO DO AÇO sua visão sobre as mudanças. Conforme divulgado pela prefeitura, a ideia é melhorar o fluxo do trânsito na cidade, principalmente na área central. Recentemente, o sistema foi tema de audiência pública na Câmara de Vereadores, onde alguns pontos foram debatidos e questionados.

A iniciativa conta com a parceria da Associação Comercial de Coronel Fabriciano (Acicel), Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), Guarda Mirim e Polícia Militar. O presidente da Acicel e CDL, Marco Túlio Lamounier, esclarece que, ao ser procurado pela Guarda Mirim, gestora do sistema, alegando dificuldade com a arrecadação para o pagamento de salários e encargos atrasados, constatou-se que a situação da entidade era complicada. “Percebemos que tínhamos de avançar na modernidade, aí surgiu o Faixa Azul Online, a Acicel se interessou e fez essa mudança. Entendemos que esse é o modelo ideal, por isso entramos nesse projeto. Entretanto, temos de aguardar os números para adequar alguns detalhes”, explica o dirigente lojista, referindo ao sistema ultrapassado do antigo Faixa Azul.

No fim deste mês, pontua Marco Túlio, existe o compromisso com os lojistas de que serão apresentados dados estatísticos sobre o Faixa Azul Online, para verificar a sua eficácia. “A Acicel entrou no projeto porque os próprios comerciantes e comerciários ocupavam as vagas. A vida toda, o nosso problema foi vaga para o cliente. Por isso, assumimos essa mudança junto com a Guarda Mirim e prefeitura”, pondera.

Sistema
Por meio de um cadastro no site www.faixaazulminas.com.br, o usuário tem acesso ao serviço. Um aplicativo no smartphone identifica as vagas disponíveis e o pagamento, que pode ser feito por meio virtual no site com um cartão pré-pago ou presencialmente na sede da Acicel.
São 12 guardas-mirins envolvidos no processo, responsáveis pela impressão dos tickets. Os agentes municipais de trânsito são responsáveis pela fiscalização e autuação dos condutores que infringirem a norma. Foram cadastradas 600 vagas em 11 setores da cidade, das quais a maioria está localizada no Centro.

O motorista, ao estacionar, é abordado pelo guarda-mirim que ativa a utilização da vaga, cadastrando a placa do veículo. O condutor pode permanecer no local por até duas horas. Após esse limite, deve buscar outra vaga. Para cada período de uma hora estacionado, o motorista paga o valor de R$ 2. O veículo que estiver estacionado nas áreas do Faixa Azul está sujeito a advertência e multas, caso não cumpra a legislação.

Por sua vez, o presidente do Sindicato do Comércio Varejista do Vale do Aço (Sindicomércio), José Maria Facundes, destaca que concorda com o sistema, mas não como está funcionando atualmente. Para ele, a alteração tem atrapalhado o comércio, em um fim de ano onde todos deveriam fazer algo para priorizar as vendas. Para o dirigente, o Faixa Azul está afugentando os consumidores. “O preço é muito alto e tempo mínimo para que a pessoa não seja advertida é muito pequeno, enfim, são diversos fatores. Esse sistema, do jeito que está, parece que é só para arrecadar, e não para trazer benefícios para o usuário. Temos recebido muitas reclamações e o consumidor não está satisfeito. Poderia ser normatizado a partir de março de 2016, após esse período de festas de Natal”, opina.

PMCF
A Prefeitura de Coronel Fabriciano (PMCF), por sua vez, informou que a gestão do Faixa Azul foi delegada, por lei, à Guarda Mirim. No entanto, “a administração municipal tem colaborado para a melhoria do serviço”.
O reajuste do valor do bilhete foi realizado em virtude de sua defasagem ao longo dos últimos anos. Para a otimização do serviço, a prefeitura solicitou à Guarda Mirim a contratação de novos monitores. Críticas e sugestões feitas pelos usuários e comerciantes também já estão sendo analisadas pela gestão do Faixa Azul.

Ainda conforme a nota, o serviço foi implementado no município em 1999, a pedido da Acicel-CDL, para melhor atendimento aos clientes do comércio local. “A modernização realizada trouxe avanços ao Faixa Azul e não alteraram sua essência: possibilitar a rotatividade do estacionamento, ou seja, permitir que muitas pessoas estacionem por pouco tempo”, conclui a nota da PMCF.

 

Valor elevado x comodidade

Lojistas e usuários do sistema Faixa Azul divergem sobre o novo modelo. A possibilidade de encontrar mais vagas é apontada como ponto positivo. Por outro lado, o valor praticado e a forma como as advertências são feitas, incomodam condutores. A lojista Maria Helena, da Maria Helena Enxovais, aponta que realmente era necessária maior organização do sistema e que ele fosse realmente rotativo, para que as pessoas não abusassem e deixassem o carro mais de duas horas.

“De certa forma, esses lojistas e funcionários de loja ludibriavam os meninos do Faixa Azul, comprando determinado número de talões para ganhar essa possibilidade de ficar estacionado, o que prejudicava o comércio”, avalia. A lojista aponta como ponto negativo o fato de que os talões manuais não serão mais aceitos. “Ele é importante para provar que pus o carro ali às 9h15 e não tinha ninguém para fazer o meu cadastro”, destaca.

Ela acredita que o tempo mínimo de permanência em uma vaga é pequeno. Recentemente, ganhei uma advertência de R$ 4 e, em seguida, de mais R$ 4, por questão de minutos. “Eles teriam de ter um pouco mais de tolerância antes de fotografar a placa do carro. Além disso, a quantidade de funcionários do Faixa Azul é pequena. Isso tem que ser revisto”, cobra.

A proprietária da Cristal Bijouterias, Lenir Rodrigues da Silva, relata que o sistema acabou com o comércio e as pessoas têm ido para Ipatinga, principalmente para o shopping, que tem mais facilidade de estacionamento e mais segurança. “Aqui não, o comércio já não estava bom e agora com o Faixa Azul piorou. Não está nos ajudando em nada, o comércio está parado, como vocês podem ver. Quando foram implantar (o sistema) ouviram a opinião dos lojistas, mas não adiantou muito. Agora nos disseram para aguardar para fazer alteração no sistema. Mas esse mês nosso caixa está praticamente zerado”, lamenta.

Agradou
O pastor João Paulo Almeida mora há muitos anos em Coronel Fabriciano. Para ele, se continuarem “dando força pra gente”, olhando o carro, tudo bem. “Porque precisamos de um lugar para estacionar. Esse dinheiro que pagamos é o que pagaríamos em outro lugar para estacionar. Achei simples o cadastro. Tem que ter o Faixa Azul, sim. Bom seria se toda cidade tivesse. Somos privilegiados em ter aqui”, celebrou.

Moradora do Melo Viana, Mariana Monteiro gostou da facilidade de encontrar vagas, mas achou o sistema confuso. Ela acredita que o valor cobrado pela hora poderia ser um pouco menor, já que o momento econômico é ruim. “Além disso, seria interessante divulgar para onde esse dinheiro vai. A cobrança simplesmente não justifica. É preciso saber o porquê estamos pagando e onde esse dinheiro é aplicado. Vai para a prefeitura? Concordo com a cobrança, desde que tudo seja mais claro”, concluiu.


Leia também:

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