18 de novembro, de 2015 | 20:00
Invasores loteiam” mata ciliar do rio Doce
Área próxima ao antigo aterro sanitário de Ipatinga já foi demarcada irregularmente
DA REDAÇÃO - Os danos ambientais que o homem causa ao rio Doce vão além do escândalo da lama da mineradora Samarco/Vale/BHP Billiton. Ambientalistas denunciam uma invasão de áreas em mata ciliar na margem direita do rio Doce, em um território que pertence a Caratinga. A ocupação já foi denunciada aos órgãos ambientais do Estado de Minas Gerais, afirmam, mas o tempo passa e nenhuma providência foi efetivamente tomada.
Esta semana, ambientalistas, que pediram para não ser identificados, procuraram o DIÁRIO DO AÇO com imagens dos piquetes irregulares no meio do mato. Estão vendendo chácaras no local, que é uma importante área de preservação ambiental. Fomos à área para ver os estragos que a lama da mineradora Samarco causou, mas encontramos algo pior”, denunciam as fontes.
A área de ocupação começa nas proximidades do antigo aterro sanitário de Ipatinga, em território caratinguense e segue margem afora, por um trecho de aproximadamente três quilômetros e vai além do ponto onde o rio Piracicaba deságua no Doce.
A área no entorno, de propriedade da Cenibra, está coberta por eucalipto. Entretanto, a mata ciliar localizada entre o plantio da empresa de celulose e o rio Doce é área de preservação permanente e não deveria ser ocupada. Muito além, o Código Florestal brasileiro determina uma distância mínima que se deve manter da mata ciliar nas margens de um rio.
No local há piquetes, e os invasores já instalaram cercas de arame farpado e começam a erguer construções. Ali está em andamento um crime ambiental. Lá existia, há alguns anos, uma pequena lagoa, que as pessoas chamavam de lagoa bonitinha. Ela secou e os invasores colocaram fogo na turfa, um resíduo orgânico que aparece depois da seca das lagoas e das várzeas. Foi a fumaça dessa queima de turfa que infestou, no fim do ano passado, os bairros Vila Ipanema, Cariru, Castelo e Bela Vista. Desde aquela época a invasão foi descoberta, denunciada, mas nada foi feito”, denuncia um dos presentes.
Nas imagens, troncos de árvores têm marcações de iniciais dos proprietários da área. Os denunciantes demonstraram contratos de compra e venda de chácaras no local denominado Alto do Rio Doce, localizado na estrada que ligação ao distrito de Revés do Belém, em Bom Jesus do Galho. Os documentos foram reconhecidos em cartório.
Inquérito
Em nota, a Assessoria de Comunicação da 12ª Região da Polícia Militar informou que foi realizada fiscalização no local há cerca de um mês. Na ocasião, foram registrados boletins de ocorrência e lavrados autos de infração pelos militares da PM de Meio Ambiente. Toda a documentação foi repassada para o Ministério Público em Caratinga”, afirmou a corporação.
O Ministério Público do Estado de Minas Gerais (MPMG), por sua vez, informou que foi instaurado inquérito para apurar as invasões na área de amortecimento do Parque Estadual do Rio Doce. A situação foi noticiada pela própria Cenibra, o que mobilizou um trabalho em conjunto entre a promotoria de Caratinga e a Coordenadoria Regional das Promotorias de Justiça do Meio Ambiente da Bacia do Rio Doce”. Conforme o órgão, o inquérito, no entanto, ainda se encontra em fase de apuração.
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