27 de novembro, de 2015 | 20:00
Destinação do 13º salário será dividido entre contas e compras
No país, pesquisa aponta tendência para compra de presentes
IPATINGA O fim do ano é aguardado com ansiedade pelos trabalhadores. Nesta época, com o pagamento do 13º salário, os brasileiros se dividem entre pagar as contas em atraso, compra de presentes, além de poupar para os compromissos do início de anos. Uma pesquisa do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) mostra que quatro em cada dez pessoas irão utilizar ao menos parte do abono para a compra de presentes de Natal. Em Ipatinga, consumidores irão se dividir entre pagar contas e fazer compras.
Apesar de ainda não ter recebido o abono, a cabeleireira Sônia Ferreira já tem um planejamento de como irá aplicar o valor. Tenho que pagar algumas contas, mas não posso deixar de presentear pessoas queridas. O porém é que o início do ano está aí e, com ele, mais contas, os famosos impostos”, lembra.
Já o aposentado José Aroldo está tranquilo e não destinou o pagamento para nenhum fim específico. Geralmente não dependo do valor do 13º, é só mais um pagamento que cai na minha conta. Isso porque me programo ao longo do ano e, quando pego a quantia, não interfere na minha vida financeira”, conta.
Por sua vez, o gerente da loja agropecuária Vale do Aço, Patrick Rodrigues, está no grupo daqueles que vão aproveitar cada parte do salário. Quero presentear meus familiares, comprar alguns itens pra minha casa e pagar contas, claro. IPTU, IPVA são os impostos que não podemos nos esquecer. Acredito que todo brasileiro se vê nessa situação, de ter que pagar dívidas e honrar compromissos”, destaca Patrick Rodrigues.
Planejamento
Para os especialistas do SPC Brasil, as compras de fim de ano devem ser bem pensadas e planejadas para não impactar negativamente no orçamento dos consumidores brasileiros. Entre os que recebem o benefício e não irão gastar tudo com as compras de Natal, 31% dos entrevistados pretendem destinar os recursos do 13º salário a uma poupança ou investimentos, e 24% pretendem quitar dívidas para organizar a vida financeira.
No entanto, se comparado com 2014, a opção de economizar e/ou investir caiu de forma significativa (31% em 2015 ante 46% em 2014) e aumentou o percentual de pessoas que não sabem o que irão fazer com o 13º salário (16% em 2015; 5% no ano passado).
Dívidas
Cerca de 5% utilizarão o salário extra para quitar as dívidas também, mas apenas para que possam fazer novas compras, considerado um motivo errado pela economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti. Para ela, o dinheiro do 13º deveria ser primeiramente pensado para pagar dívidas pendentes, empréstimos ou para investir.
Se o consumidor tem apenas uma dívida em aberto, é mais fácil resolver o problema. Caso exista mais de uma, o ideal é escolher aquela que está atrasada ou optar pelo valor com juros mais altos como, por exemplo, cheque especial e cartão de crédito.
O educador financeiro do SPC Brasil e do portal Meu Bolso Feliz, José Vignoli, também acredita que se educar financeiramente não é deixar de comprar presentes e fazer uma ceia, mas sim escolher lembranças criativas e que estejam dentro do seu orçamento.
A palavra-chave é organização. Primeiro, faça uma lista de pessoas que deseja presentear e comece a pesquisar valores das lembrancinhas de Natal. Depois, defina um limite de gastos e respeite-o. Neste caso, trocar os presentes para a família toda pelo amigo secreto pode ser uma boa forma de economizar dinheiro”, concluiu.
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