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28 de novembro, de 2015 | 20:00

Crise atinge contratação de trabalhadores temporários

Redução no consumo e cenário desfavorável interferem na admissão de empregados


IPATINGA – A cada ano, o segundo semestre representa a possibilidade da contratação de trabalhadores temporários, que atuam em datas importantes para o comércio, como Dia das Crianças e Natal. No entanto, o cenário desfavorável na economia brasileira, ocasionado pelas altas taxas de juros, avanço da inflação e restrição de crédito, impactam diretamente no consumo. Diante do quadro, a Associação Brasileira do Trabalho Temporário (Asserttem) estima que o número de contratados deve sofrer queda, se comparado ao ano passado.

Considerando-se que no 1º semestre de 2015 houve uma queda em média de 15% nas contratações de trabalhadores temporários, comparado com o mesmo período de 2014, e o agravamento da crise econômica, as previsões indicam que o número de contratações tende a diminuir em torno de 20%. “Se comparado com o mês de dezembro, que alcançou cerca de 134.800 trabalhadores no ano passado, estima-se cerca 107.800 contratações para este ano”, aponta a presidente da Asserttem, Jismália Oliveira.
Divulgação


Jismália


Comércio
No país, o comércio é responsável por 70% das contratações no Natal, o que na estimativa da Asserttem representará uma média de 75.460 para o pico de contratações. Os maiores empregadores são o comércio de rua, os shoppings e os supermercados. As principais funções são atendimento; crediário; embalador; estoquistas; etiquetador; fiscais de caixa; fiscais de loja; promotor de vendas; repositor e vendedor. Por sua vez, a indústria responde por 30% das contratações.

Gerente da loja Marina Presentes, no Centro de Ipatinga, Laélio Afonso Pereira relata que foram contratadas algumas pessoas no mês de outubro, já pensando no fim do ano. “Mas o mercado não aqueceu e não foram tantos funcionários quanto em anos anteriores. Em 2015 contratamos cinco pessoas para as quatro lojas que temos em Ipatinga, número que normalmente seria o dobro. São empregados para vendas e depósito”, explica. Até o fim do ano, mais pessoal deve ser contratado, visando o Natal e Ano Novo, além do mês de janeiro, quando a venda de material escolar começa.

Oportunidade
Na loja de brinquedos, geralmente, 50% dos contratados temporariamente são efetivados. “É uma oportunidade de ficarem conosco e ingressarem no mercado. Todos os anos isso ocorre, o que é bom para o trabalhador e para a empresa”, disse Laélio Pereira. 

O presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Ipatinga, Cláudio Zambaldi, observa que, anualmente, a contratação tem início no mês de outubro. “Todos os anos, vivemos a expectativa das vendas do Natal, data aguardada pelo comércio. Este ano não é diferente. Estamos projetando a melhora das vendas diante do pagamento do 13º salário”, lembra.

O dirigente acrescenta que, além do primeiro emprego, o trabalho temporário pode ser o caminho para a reinserção do trabalhador no mercado. “É comum ver pessoas que perderam o emprego e retornam por meio de oportunidades temporárias de fim de ano. A empresa busca bons profissionais. Se desempenhar bem sua função, o temporário pode ser efetivado”, destaca.

Contratação
A Asserttem ressalta que as oportunidades temporárias (Lei 6019/74) são intermediadas pelas Agências Privadas de Trabalho Temporário (popularmente, conhecidas como Agências de Emprego) e que devem estar devidamente registradas no Ministério do Trabalho e Emprego. Isto é, este tipo de contratação, conforme a Lei do Trabalho Temporário, só pode ser feita quando realizada por meio de uma Agência, devidamente autorizada pelo MTE, não podendo ser realizada diretamente entre a empresa e o trabalhador. Os trabalhadores temporários têm praticamente os mesmos direitos dos empregados efetivos, com exceção do aviso prévio e do seguro desemprego.
 


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