28 de novembro, de 2015 | 20:00

Rejeitos trazem consequências às sub-bacias do Doce

Entidades ambientais do Vale do Aço têm monitorado impactos da tragédia ambiental


FABRICIANO – O diretor do Instituto Rio Piracicaba, Jardel Lopes, diz que entidades ambientais do Vale do Aço têm monitorado os impactos da tragédia ambiental no rio Doce. O médico veterinário afirma que as consequências da catástrofe também alcançam o ecossistema da bacia hidrográfica do rio Piracicaba, sub-bacia do Doce.

Como exemplo, ele cita que peixes que sofreram contaminação fugiram da área atingida pelos rejeitos da Samarco/Vale/BHP Billiton e alcançaram o Piracicaba. “Temos diagnosticado e recolhido animais que têm morrido até mesmo a cinco ou seis quilômetros de distância da margem do rio Doce. Animais estão bebendo água contaminada e estão adoecendo”, afirma, citando a participação de profissionais do Centro de Biodiversidade da Usipa (Cebus) no caso.

Lopes pontua que ainda não é possível mensurar os estragos provocados no Vale do Aço ante a tragédia com origem nas atividades de mineração em Mariana. Ele cita que além da Bacia do Rio Piracicaba, há, especialmente, o Parque Estadual do Rio Doce. Um relatório, inclusive, é elaborado pela gerência da unidade de conservação estadual para mensurar os danos à área. 
Wôlmer Ezequiel


jardel


O veterinário lamenta que o Piracicaba já vinha sendo prejudicado pela estiagem e agora absorve impactos do rio Doce. “A preocupação é geral, não há como as bacias ascendentes não sofrerem os prejuízos do Doce. O rio Doce tem uma extensão de 850 quilômetros, e são 229 cidades que estão no entorno. E a nossa bacia é uma delas”, cita.

A bacia do Piracicaba abrange cerca de 20 municípios. No Vale do Aço alcança cidades como Coronel Fabriciano, Ipatinga, Timóteo e Santana do Paraíso. Jardel Lopes acrescenta que o Instituto Rio Piracicaba se alia a entidades mineiras na realização de denúncias e tentativa de captação de recursos que possam minimizar os efeitos da catástrofe ambiental.

Para o médico esse é o maior desastre ambiental do país e que ainda é desconhecido, de fato, o conteúdo da enxurrada de lama que vieram das minas, que podem conter metais pesados com consequências sérias à saúde. “Há quem diga que a chuva está lavando o rio. Não está lavando não e não é simples como dizem”, cita. O ambientalista criticou ainda o tratamento dado às mineradores responsáveis pela tragédia. “Agora estamos condenados a discutir, discutir e discutir e com uma dificuldade muito grande no assunto. São empresas privadas sem a menor responsabilidade com a vida”, encerrou.
 
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