03 de dezembro, de 2015 | 20:00

Servidores aposentados protestam contra empréstimo

Valor será usado para infraestrutura de locais como Bom Jardim, Barra Alegre e Chácaras Madalena


IPATINGA – Durante a reunião extraordinária dessa quinta-feira (3) na Câmara de Vereadores de Ipatinga, servidores públicos municipais aposentados protestaram contra o Projeto de Lei 112/2015. A matéria, aprovada por 14 votos a 3, autoriza o Executivo a contratar operação de crédito com a Caixa Econômica Federal, no valor de R$ 5 milhões. O montante será destinado a melhorias na infraestrutura dos bairros Bom Jardim, Chácaras Madalena e o distrito de Barra Alegre. Os servidores discordam da necessidade de contrair uma dívida pela administração municipal, enquanto o 13º salário e a complementação das aposentadorias não foram quitados.

Professora aposentada, Cintia Helena afirma ser contra o empréstimo, pois a prefeitura irá pedir R$ 5 milhões para pavimentar rua. “O juro de um empréstimo junto à Caixa é elevado, mais de 8%. É incoerente isso, justamente num momento em que não há dinheiro para pagar o servidor. Pedimos que os vereadores não votassem, mas o projeto passou. Apenas três deles (Roberto Carlos-PTdoB, Werley Glicério-PSD e Jadson Heleno-SDD) votaram contra. É uma vergonha”, resume.

A coordenadora do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação (Sind-UTE) de Ipatinga, Cida Lima, explica que não há novidade quanto ao pagamento dos servidores. Conforme informou, foi realizada uma reunião há mais de 10 dias. Até então, aponta, o governo não marcou, mas há um indicativo de uma reunião nesta sexta-feira ou na próxima segunda-feira (7).

Cida Lima acrescenta que os servidores aguardam, mas não passivamente. Tem sido cobrado o pagamento dos aposentados e a expectativa é de que o governo já tenha conseguido os recursos. “Enquanto isso, estamos realizando mobilizações e mantendo o diálogo com a administração. Não podemos aceitar, de maneira alguma, a resposta de que simplesmente não há dinheiro. Tem uma lei que garante o pagamento dessa complementação e essa lei tem que ser cumprida pelo Executivo municipal”, afirma.

A presidente do Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público Municipal de Ipatinga (Sintserpi), Helenir de Lima, salienta que é necessário o pagamento dos servidores, já que existe uma lei a ser cumprida. Ela ressalta que o município deve os meses de outubro, novembro e dezembro e “a complementação faz parte da vida do servidor, que tira seu sustento desse valor”.
Caso não haja uma solução, a sindicalista esclarece que outros meios serão buscados. “O governo pediu um prazo para fazer uma nova reunião e tem colocado que está buscando uma alternativa, mas alega sempre a questão financeira. Quanto ao 13º, a prefeitura ressalta que está fazendo um esforço para pagar dentro da lei, que é até o dia 18, mas ainda não tem certeza desse pagamento”, conclui. 

PMI
Em nota, a Prefeitura de Ipatinga informou que “está envidando todos os esforços em busca de soluções para a questão do pagamento dos servidores municipais, diante do quadro de quedas de receitas em função da crise econômica nacional”. A administração municipal reitera que a normalização dos pagamentos de complementação salarial e do 13° dos servidores inativos depende exclusivamente da evolução das receitas municipais no atual e nos próximos meses.
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