04 de dezembro, de 2015 | 20:00
Metalúrgicos votam por estado de greve
Usiminas acredita que radicalização de negociação não contribui para acordo
IPATINGA Os trabalhadores metalúrgicos de Ipatinga votaram pelo estado de greve durante assembleias realizadas nos dias 2 e 3. A informação é do Sindicato dos Trabalhadores Metalúrgicos de Ipatinga e Região (Sindipa). A deliberação diz respeito ao Acordo Coletivo de Trabalho 2015, cuja data base é 1º de novembro. Aproximadamente dois mil metalúrgicos das empresas Usiminas, Unigal, Usiroll, Usimec e empreiteiras participaram da assembleia realizada nas portarias.
Conforme a assessoria de Comunicação da entidade, a assembleia foi convocada depois que a Usiminas e Usimec propuseram 0% de reajuste salarial e também de Participação nos Lucros e Resultados (PLR). A maioria das empreiteiras não apresentaram proposta e as que apresentaram, querem retirar ainda mais dos trabalhadores”, critica o sindicato.
Ainda conforme o Sindipa, a aprovação de greve expressa a revolta dos metalúrgicos com o desrespeito das empresas”. Caso as empresas não apresentem nova proposta que atenda à reivindicação dos trabalhadores, os metalúrgicos vão deflagrar a greve nos próximos dias.
Usiminas
Por meio de sua assessoria, a Usiminas destacou que a radicalização do processo de negociação em nada contribui para que se chegue a uma solução em relação às negociações do Acordo Coletivo de Trabalho de 2015. Durante este processo, a postura da Usiminas tem sido a do diálogo construtivo e, nesse sentido, as negociações com os sindicatos continuam em andamento, com nova reunião marcada para o dia 9 de dezembro”, informa a empresa.
A Usiminas acrescenta que o mercado siderúrgico está vivendo a pior crise de sua história e, por isso, o momento exigiria bom senso e a compreensão de todos os setores da sociedade para a gravidade do atual cenário econômico e suas consequências. Segundo o Instituto Aço Brasil, há no momento 47 unidades desativadas ou paralisadas nas usinas brasileiras, por falta de demanda.
A expectativa do Instituto é que o consumo de aço no país deva cair 16,5% em 2015 na comparação com o ano passado, regredindo aos níveis de 2007. Para 2016, a previsão de consumo de aço é ainda pior: queda de 5,1% em relação a 2015. Consequentemente, a Usiminas está tendo que se adaptar à realidade do mercado com algumas medidas: em Cubatão, as áreas primárias de produção de aço deverão ser desativadas no início de 2016. Em Ipatinga, o nível de produção foi reduzido ao mínimo e um dos altos-fornos teve que ser temporariamente desligado.
Em face de todo este contexto, aponta a nota enviada pela empresa, a Usiminas apresentou ao sindicato uma proposta compatível com suas possibilidades e que contempla os seguintes itens: pagamento de abono de R$ 2.500, manutenção dos salários, manutenção do pagamento de 20 dias extras de salário a título de retorno de férias, além de todas as cláusulas sociais vigentes no acordo anterior. A empresa reitera a sua expectativa de que as negociações com o sindicato prossigam de forma sensata, tendo em vista o momento de extrema delicadeza vivido pela economia do país.
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