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08 de dezembro, de 2015 | 14:58

Luta pela água em Cachoeira Escura

População saqueou caminhões com garrafas de água doados para a própria comunidade


DA REDAÇÃO – Populares protagonizaram um saque a dois carregamentos de água mineral enviados ao distrito de Perpétuo Socorro (Cachoeira Escura), em Belo Oriente, nessa terça-feira (8/12). A Polícia Militar foi chamada para conter o tumulto. Na comunidade, a água potável que seria distribuída de maneira uniforme à população, foi alvo de um “salve-se quem puder”. 

Uma moradora que optou por não se identificar relatou ao DIÁRIO DO AÇO que duas carretas com fardos de água mineral chegaram à região central do distrito por volta das 13h. Os carregamentos partiram de doações à comunidade prejudicada com o desabastecimento. Um deles atenderia a parte baixa de Cachoeira Escura e, o outro, a pessoas que moram nos morros e áreas de difícil acesso.

“Eles (os motoristas e outros que fariam a entrega) pediram para que todos aguardassem a chegada da Polícia Militar para auxiliar a entrega da água. As pessoas não quiseram esperar e começaram a invadir e a subir nos caminhões. Jogaram água na rua, estouraram galões. Houve famílias que pegaram mais de dez fardos de água; teve quem pegou o carro e encheu o porta-malas. Foi uma grande bagunça”, disse a moradora.

O abastecimento de água potável ao distrito está prejudicado pelos rejeitos da mineradora Samarco/Vale/BHP no rio Doce, desde o último dia 7 de novembro. A água que passa por tratamento com polímeros especiais não serve para o consumo humano. “A água chega às torneiras de três em três dias. No entanto, nos disseram que ela só pode ser usada para tomar banho, lavar a louça ou limpar casa. É a água mineral que recebemos de doações que usamos para beber e fazer comida”, lamentou outra moradora de Perpétuo Socorro. 

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Má-fé

Moradores de Cachoeira Escura têm denunciado que muitos comerciantes da comunidade agem de forma desonesta com as doações de água destinadas ao distrito. “Muito vendedor paga crianças ou até mesmo adultos para entrarem na fila das doações e pegarem água para eles. Logo em seguida, revendem os litros e galões por preços absurdos. Até alimentos que chegam de doações, muitos pegam para revender”, queixou-se uma dona de casa.

O caso provoca medo na população, que afirma ter receio de denunciar os oportunistas. “É cada um por si. Uma vergonha. É necessário fiscalização e controle disso”, disse outro entrevistado.

A Polícia Militar registrou boletim de ocorrência do episódio dessa terça-feira. A corporação orientou que em ações de doação, a polícia deve ser chamada previamente para auxiliar a entrega dos materiais à população. Quanto às denúncias de má-fé, o tenente Lázaro, assessor da PM, informou que denúncias, inclusive anônimas, podem ser feitas para que os militares apurem o caso e cheguem aos autores.

 

MAIS:

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