22 de dezembro, de 2015 | 20:00
Campanha salarial sem consenso
Usiminas propõe pagamento de abono e manutenção dos salários
IPATINGA Trabalhadores metalúrgicos da Usiminas e terceirizadas, além de integrantes do sindicato que representa a categoria (Sindipa), realizaram um protesto na manhã dessa terça-feira (22). A manifestação, ocorrida na entrada do primeiro turno, foi contra as propostas das empresas, que, conforme a entidade sindical, preveem 0% de reajuste na Campanha Salarial desse ano.
O Sindipa informa que a manifestação faz parte da construção da paralisação total, que ocorrerá com a greve”.
O sindicato pontua que os metalúrgicos mostraram que já perderam a paciência e que não vão aceitar 0% de reajuste salarial. Ainda conforme a diretoria, essa é mais uma tentativa das empresas de atacar o salário dos metalúrgicos, pois não repõem nem as perdas com a inflação que já somam 10,33%, no período.
Recentemente, a assessoria de Comunicação do sindicato informou que o estado de greve foi aprovado após a Usiminas apresentar uma proposta de 0% de reajuste salarial, como resposta à pauta de reivindicação dos metalúrgicos, e anunciar que não vai pagar a Participação de Lucros e Resultados referente a 2015.
Em Cubatão, os metalúrgicos atrasaram, nessa terça-feira, a produção, na entrada do 1º turno, contra as demissões e a tentativa de calote da empresa na Campanha Salarial. Os funcionários garantiram o pagamento preliminar de 7,34% retroativo a 1º de maio e R$ 1.500 de abono, também reajustado em 7,34%. A mobilização e o processo judicial continuam exigindo o reajuste de no mínimo 8,34% (INPC do período) sobre os salários e o abono.
Usiminas
A assessoria de Comunicação da Usiminas informou que a empresa respeita as manifestações sindicais, mas considera que, da mesma forma, a liberdade de ir e vir de seus empregados deve ser respeitada, acrescentando que posturas radicais não contribuem em nada para o processo. A Usiminas acredita na via da negociação para concluir o Acordo Coletivo de Trabalho 2015.
Nesse sentido, a empresa realizou nova reunião com sindicatos na última segunda-feira (21) e apresentou sua terceira proposta para o acordo, buscando equilibrar suas possibilidades financeiras em meio à pior crise da indústria siderúrgica nacional e o reconhecimento a seus trabalhadores.
A proposta contempla pagamento de abono de R$ 3.500 (R$ 2.000 cinco dias após a assinatura do acordo e R$ 1.500 em maio de 2016), manutenção dos salários, manutenção do pagamento de 20 dias extras de salário a título de retorno de férias, além de todas as cláusulas sociais vigentes no acordo anterior.
As negociações com as entidades que representam os trabalhadores continuam em andamento, com data-base estendida até 15 de janeiro e nova reunião com o Sindipa agendada para o dia 11 de janeiro.
Crise
A empresa reforça que a siderurgia brasileira passa pela pior crise de sua história. O momento exige bom senso e a compreensão de todos os setores da sociedade para a gravidade do atual cenário econômico e suas consequências. Segundo o Instituto Aço Brasil, há no momento 47 unidades desativadas ou paralisadas nas usinas brasileiras por falta de demanda. A expectativa do Instituto é que o consumo de aço no País deva cair 16,5% em 2015 na comparação com o ano passado, regredindo aos níveis de 2007.
Para 2016, a previsão de consumo de aço é ainda pior: queda de 5,1% em relação a 2015. A usina de Ipatinga, devido a este desaquecimento do mercado, tem operado com níveis mínimos de produção. Por isso, um dos três altos-fornos foi temporariamente desativado, em junho, sem previsão para o retorno.
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