23 de dezembro, de 2015 | 20:00
Situação do Colégio Angélica ganha mais um capítulo
Diante da decisão de não alugar mais o imóvel por seis meses, aulas estão impossibilitadas
FABRICIANO A situação do Colégio Angélica ganhou mais um capítulo nos últimos dias. Na sexta-feira (18/12), no fim do dia, a Congregação das Irmãs Carmelitas da Divina Providência, proprietária do imóvel, anunciou à comissão de pais de alunos e ao Instituto Católico de Minas Gerais (ICMG) que não tem interesse em locar o imóvel nos próximos seis meses. A justificativa é que o prédio precisa passar por reformas. Muitos pais foram pegos de surpresa, pois já haviam matriculado os filhos para o ano letivo de 2016. Diante do anúncio, a instituição não oferecerá aulas no ano que vem.
Na segunda-feira (21) passaram aos funcionários, pais e comissão de pais de alunos, que todas as turmas não serão oferecidas em 2016 e que o colégio será fechado. Já recebemos o comunicado de demissão. São 64 funcionários desempregados e 360 alunos, do maternal ao ensino médio e técnico”, relata a funcionária, que recebeu aviso prévio recentemente.
A funcionária acrescenta que todos estão desolados e o clima é de tristeza. Alguns estão sem saber o que fazer, pois a escola é filantrópica também, alguns alunos são bolsistas e a decepção é grande. Todos foram pegos de surpresa. O colégio tem 65 anos de história. Temos netos de pessoas que estudaram aqui. Sabemos que as Irmãs Carmelitas não cederam o imóvel para o ICMG alegando que o imóvel precisa passar por reforma”, conta.
Desde o mês de setembro, o imbróglio tem sido divulgado pelo DIÁRIO DO AÇO. A informação divulgada era de que o Colégio encerraria suas atividades no âmbito escolar, devido às dificuldades financeiras enfrentadas nos últimos quatro anos. Em carta aberta aos pais e à comunidade educativa, a diretora, Irmã Maria Ângela Miguel, chegou a informar o encerramento do ciclo de gestão no colégio e o último ano de funcionamento escolar do Colégio Angélica. Entretanto, a mobilização de pais e lideranças prorrogou a esperança de que o local permaneceria em funcionamento.
No mês de outubro, foi divulgado, inclusive, que seriam abertas as matrículas para o ano letivo de 2016 e que os trâmites para que o ICMG assumisse a direção da escola, hoje administrada pelas Irmãs Franciscanas do Senhor, estavam em fase de conclusão. Uma funcionária do colégio informou que as Irmãs Carmelitas enviaram comunicado sobre a inviabilidade dessa negociação.
A comissão de pais de alunos se diz indignada com a situação. Já estava tudo encaminhado e fomos pegos de surpresa com a decisão de não locar nos próximos seis meses. No meio do ano não há como iniciar turmas. Estamos muito mal com isso tudo. Alguns pais já estavam de férias e tranquilos com a matrícula dos filhos feita. Estamos verificando o que é possível ser feito”, resume a comissão.
Tombamento
A prefeita de Coronel Fabriciano, Rosângela Mendes (PT), disse que preservar o patrimônio histórico da cidade, principalmente do Colégio Angélica, é uma das preocupações da administração. A prefeita destaca que o Conselho Municipal de Patrimônio Cultura aprovou o tombamento integral do prédio do colégio, em setembro. As irmãs foram notificadas e poderiam ter recorrido, mas não o fizeram.
O próximo passo é fazer o decreto de tombamento total do imóvel, que será publicadoainda este ano. Rosângela Mendes observa que, quando recebeu a visita da superintendente do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico (Iepha) foi informada como deveria ser o procedimento. Primeiro o tombamento pelo município e, posteriormente, pelo Estado.
Agora é concretizar o nosso decreto ainda essa semana, e encaminhar para o Estado, que também está tomando suas providências. Aí, sim, asseguramos que o colégio não será demolido nem vendido, nem passado para terceiros. Continua sendo um patrimônio de Fabriciano”, pontua a prefeita.
Já foi publicado:
Colégio Angélica abre período de matrículas - 28/10/2015
ICMG quer manter Colégio Angélica - 09/10/2015
Comissão quer manter Colégio Angélica aberto - 17/09/2015
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