31 de dezembro, de 2015 | 20:00
Ano de imobilidade econômica na região
Líder empresarial avalia impacto da recessão no Vale do Aço
IPATINGA O entendimento do presidente da Regional Vale do Aço da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Luciano Araújo, é que no atual cenário econômico da região, precisamos ter otimismo, mas com realismo”. Em entrevista ao DIÁRIO DO AÇO, o empresário pontuou o comportamento do mercado local ao longo do ano de 2015, e o reflexo da recessão econômica que abala o país. Em segmentos que são âncora do desenvolvimento regional, na avaliação do dirigente, o balanço dos últimos 12 meses é de estagnação.
Luciano Araújo cita que o Produto Interno Bruto (PIB) acumula, no ano, queda na casa dos 3%. E os investimentos do empresariado país afora seguem em marcha à ré. O índice de confiança está muito abalado com a crise que não é só econômica, mas política”, resume. Para 2016, já existe a expectativa de escalada na inflação oficial, e nova queda do PIB.
No Vale do Aço não é diferente. Por exemplo, o setor metalomecânico regional, que apostou no mercado naval e de petróleo e gás, foi diretamente impactado pela crise na Petrobras. Por isso, diversos contratos de fornecimento foram cancelados.
De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a indústria brasileira acumula quedas de 7,8% no ano e 7,2% em 12 meses. Em medições de outros agentes de pesquisa e indicadores, a queda é ainda maior. Há setores que caíram praticamente 30%”, pontua Luciano Araújo.
O executivo observa que, em Ipatinga, a Usiminas amarga a retração do segmento, onde há excesso mundial de produção de aço, pressão sobre os preços que seguem reprimidos e uma concorrência externa esmagadora, como a Ásia. No mercado nacional, a indústria automobilística, que é consumidora desse nicho, também foi acertada em cheio pela má conjuntura econômica. Ao lembrar a desativação da produção de aço na Usiminas em Cubatão (SP), Luciano lamentou a situação da planta siderúrgica em Ipatinga. Se a empresa continuar produzindo no mesmo ritmo, ela fará estoque. Ao fazer estoque, descapitaliza a empresa e aí o problema é mais grave. Acompanhamos de perto e damos todo o apoio para que a empresa possa achar seu caminho”, sintetiza.
Cenibra e Aperam figuram cenários distintos. Para a Cenibra, que exporta 95% de sua produção, com o dólar no patamar atual tem sido um bom momento”, lembra. Já a Aperam, na avaliação do representante da Fiemg, tem um mix maior de produtos passando do aço inox ao aço elétrico -, uma vez que também está focada no mercado externo, goza do momento cambial favorável.
BR-381
Entrave ao desenvolvimento regional é, sabidamente, a duplicação da rodovia BR-381 e o escoamento rodoviário. Diante do impasse das obras, Luciano Araújo afirma temer o desperdício de dinheiro público”. Ele destacou a expectativa de que o Consórcio Isolux/Corsán/Engevix retome as intervenções nos lotes 1 e 2 da rodovia, entre Governador Valadares e Jaguaraçu/Marliéria, pelo menos até a conclusão da etapa que foi iniciada, que inclui fresagem e recapeamento, por exemplo.
Como condição essencial para a realização do escopo delimitado, informa o dirigente, dos R$ 24 milhões destinados aos trabalhos, R$ 8 milhões já foram depositados em juízo. Porém, o consórcio ainda tem passivos com subempreiteiras. Trabalhamos para que acertem primeiro as dívidas com as subempreiteiras - algo em torno de R$ 3 milhões - para que aí retomem as obras”, revela.
Outra preocupação é com os túneis Antônio Dias e Prainha lotes 3.2 e 3.3. Falta a obra do lote 3.1 para a interligação dos túneis à rodovia. A redução do orçamento para R$ 8 milhões por mês no lote 7, de Barão de Cocais ao trevo de Caeté, além do mais, é outro motivo de preocupação. A terraplanagem e outras intervenções já feitas podem ser perdidas pela força da chuva. Araújo enfatizou que a Justiça está envolvida na questão. Entendemos a realidade do país, mas a obra é prioridade”, dispara.
A Fiemg Regional Vale do Aço continua a mobilização pela pavimentação da LMG-760. O governador Fernando Pimentel autorizou o Estudo e Relatório de Impacto Ambiental (EIA-Rima) e esperamos que, em março ou abril próximos esse levantamento esteja concluído e o governador cumpra o que foi prometido às lideranças regionais e retome as obras da 760”.
A administração do aeroporto de Santana do Paraíso também continua na pauta da entidade. O aeroporto representa um peso nos custos da Usiminas e o Estado sinalizou a disposição de assumir o local provisoriamente e, posteriormente, licitá-lo para a iniciativa privada. Não podemos ficar sem o aeroporto”, reforça Luciano. Diante do ano de forte declínio econômico, o presidente da Fiemg regional encerra: precisamos unir toda a sociedade para buscar um caminho para a economia brasileira”.
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