09 de janeiro, de 2016 | 20:00

Índice aponta queda no preço de imóveis

Na região, proprietário de imobiliária afirma que redução foi de aproximadamente 10%


IPATINGA – O ano de 2015 não foi dos melhores para a economia. Conforme divulgado pelo índice FipeZap de dezembro, o preço dos imóveis no Brasil teve queda real, ou seja, sua valorização ficou abaixo da inflação esperada para o ano. O índice acompanha o comportamento do mercado imobiliário de 20 cidades brasileiras. Em Ipatinga, profissionais do setor imobiliário analisam os dados.

O proprietário da Moradia Imobiliária, José de Oliveira, explica que a queda nos preços dos imóveis no Vale do Aço é de aproximadamente 10%, seguindo a média nacional. Ele acredita que a situação tenha sido ocasionada pela crise nacional e do desemprego, que gira em torno desse mesmo percentual. O empresário acrescenta que o número de pessoas desempregadas no país em 2015 foi de aproximadamente 8 milhões e que, em 2016, pode chegar a 10 milhões.

José de Oliveira lembra que o carro-chefe da economia nacional, a construção civil, vai mal. A venda de imóveis nos grandes centros teve retração e, no interior, a realidade não é diferente. “Aqui a crise é diferenciada, porque temos a crise nacional e a do aço, que nos afeta e muito, haja vista a situação da Usiminas, que entrou numa situação difícil pela queda da produção mundial”, pontua.
Ele observa que a construção civil está paralisada. Muitas construções estão prontas, outras em andamento, mas poucos vendem. “Para fazer dinheiro, tem que reduzir o valor. Isso é lamentável, porque vai só deteriorando nossa economia. O comércio imobiliário está em queda”, lamenta. 
Bruna Lage


José de Oliveira


Outro lado
Apesar da situação desfavorável, um corretor de Ipatinga, que prefere não se identificar, garante que na empresa onde trabalha, os ventos não são tão ruins. “A locação de imóveis tem sido o nosso forte. No ano passado, não sentimos muito o impacto. Em relação às vendas, não temos problema com a desvalorização, porque sempre trabalhamos com preço mais pé no chão. Em Ipatinga, os valores praticados sempre são jogados pra cima e nós trabalhamos dentro da realidade”, pontua o corretor, que manteve o nome em sigilo por causa da “concorrência”.

Compra
José de Oliveira, por sua vez, destaca que o momento é bom para comprar imóvel. Com a desvalorização, quem tem o dinheiro, deve comprar. Ele pondera que, para vender, a história é outra. “Se tem necessidade, tem que vender, mas aí tem que baixar o preço. Porque não se consegue vender o imóvel pelo preço que se oferecia há um ano, em razão da alta oferta que temos no mercado”, pontuou.

O proprietário da Moradia Imobiliária recorda que, anteriormente, Ipatinga tinha imóveis com preços mais altos. Além da quantidade de dinheiro que circulava na região, o sistema de urbanização de Ipatinga era quase perfeito, o que justificava tal alta. O fato de encontrar imóveis mais baratos em Santana do Paraíso, por exemplo, é explicado pela exigência que Ipatinga passou a fazer em relação a novas obras.

Os lotes foram se tornando escassos e o volume de construção foi aumentando, passou a se exigir um pouco mais dos construtores. Enquanto Paraíso, em expansão, não impunha tantas regras. “É normal que municípios que estão começando sua expansão demográfica facilitem mais o investimento. É o que aconteceu em Santana do Paraíso”, avalia.

Com o entrave da construção em Ipatinga, investidores migraram para a cidade vizinha. “Isso foi ruim num momento em que ainda não tínhamos essa crise. Quando se resolveu o problema, a crise já estava aqui. O Plano Diretor foi aprovado, mas a situação já era ruim. Estamos pagando o preço”, frisa.

Dica
Se o momento está bom para compra de imóveis, José de Oliveira aconselha: o ideal é comprar no bairro com maior liquidez - conceito econômico que considera a facilidade com que um ativo pode ser convertido em dinheiro - como Cariru, bairro das Águas, Horto, Cidade Nobre e Iguaçu. Nos bairros mais populares, de valor menor, a valorização é um pouco mais lenta, assim como a liquidez.
“É preciso avaliar também que a dificuldade de vender imóvel de valor mais alto é bem maior. Se precisa investir e pode, compre nos bairros que melhor lhe couber. Mas comprar imóvel é um bom negocio, sempre foi. Quem compra terra não erra, já diz o ditado”, aconselha.

Imóveis comerciais
José de Oliveira chama atenção para a desocupação dos imóveis comerciais, que hoje é intensa. “Temos na avenida 28 de abril, na avenida Macapá, e também no bairro Horto, vários imóveis desocupados. As empresas estão num momento difícil e acabam fechando. Empresas reduzindo custo, mudando para bairros menores, com imóveis mais baratos. Mas temos que pensar de forma positiva e que essa situação vai passar”, concluiu.
Encontrou um erro, ou quer sugerir uma notícia? Fale com o editor: [email protected]

Comentários

Aviso - Os comentários não representam a opinião do Portal Diário do Aço e são de responsabilidade de seus autores. Não serão aprovados comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes. O Diário do Aço modera todas as mensagens e resguarda o direito de reprovar textos ofensivos que não respeitem os critérios estabelecidos.

Envie seu Comentário