30 de janeiro, de 2016 | 09:25

Falta de geladeiras para vacinas gera polêmica

Secretaria esclareceu que o uso de caixas térmicas segue recomendação do Ministério da Saúde


IPATINGA - Uma mãe que levou a filha de dois meses para vacinar na rede pública de saúde reclama das dificuldades com a vacinação obrigatória da criança. Ela não é a única. Outras reclamações chegaram recentemente sobre o mesmo assunto. Primeiro, a mãe foi à Unidade Básica de Saúde (UBS) no bairro Bom Retiro, onde a informação era de que a UBS estava sem geladeira de vacinas.

A mãe acabou direcionada para a unidade do bairro Cidade Nobre, onde também encontrou problemas. “Lá, falta estrutura no posto, em especial na sala de vacinação, a começar pela porta toda estragada e aberta no rodapé, o que permite a entrada de animais por estas frestas. A sala estava infestada de pernilongos. É um lugar onde os bebês, que não podem usar repelentes, ficam peladinhos e totalmente suscetíveis à dengue, zika e chikungunya”, afirma.

A mãe enfatiza que na unidade não viu nenhuma geladeira, mas, sim, duas caixas térmicas com termômetros adaptados. “Será que refrigera como deve e preserva a qualidade das vacinas?”, indaga.
A mãe encerra a mensagem afirmando que, apesar das dificuldades, foi bem atendida pelas enfermeiras e auxiliares.

Procurada para responder sobre a reclamação, que teve forte repercussão nas mídias sociais esta semana, a Secretaria Municipal de Saúde de Ipatinga esclareceu que o uso de caixas térmicas no serviço de imunização segue uma recomendação do Ministério da Saúde. O objetivo é evitar abertura sucessiva dos refrigeradores, o que pode ocasionar alteração na temperatura e comprometer a qualidade das vacinas (estoque).

As caixas térmicas são usadas para conservar apenas quantidades pequenas de doses que serão utilizadas no dia. Os recipientes são seguros e com temperatura devidamente controlada para este fim, com termômetro de cabo extensor (o sensor fica instalado dentro da caixa e o visor do termômetro, do lado de fora). Estes equipamentos são usados nas salas de vacinas em todo país, tanto na rede pública quanto privada. Na unidade do Cidade Nobre, a rotina completa das vacinas – doses que são usadas durante a semana – é armazenada na câmara fria da Central de Vacinas, instalada no mesmo prédio. De lá só saem as doses usadas em determinado período e acondicionadas nas caixas. 

Geladeiras
Quanto à falta de geladeira de vacinas em algumas unidades de saúde, a Secretaria de Saúde informa que está em andamento uma investigação técnica para resolver as falhas no funcionamento de refrigeradores de algumas salas de vacinas. A suspeita é que o problema seja decorrente de variações de tensão na rede de distribuição elétrica, uma vez que tem sido registrado pontualmente e em equipamentos novos, como o usado na Unidade Básica de Saúde do Bom Retiro. Por questões de segurança, neste tipo de caso, a Secretaria recolhe as doses para o correto acondicionamento e remaneja o serviço. Das 21 unidades de saúde, 17 são equipadas com salas de vacinas.

Precariedade
A Secretaria de Saúde reconhece as condições precárias Unidade de Saúde do Cidade Nobre. Conforme a administração pública, somente no fim do ano passado a prefeitura obteve, na Justiça, uma decisão parcial favorável em relação à titularidade da posse do imóvel. Com isso, o município já iniciou a processo de licitação para a reforma completa daquela unidade. “Este ano, também será iniciada a construção de quatro novas unidades de saúde que vão substituir as mais antigas e ampliar a rede”, conclui a nota.
 
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