03 de fevereiro, de 2016 | 20:00
Esperança para superar a crise
Pessoas dormem em fila na busca de vaga em cursos profissionalizantes no Veneza II
IPATINGA De acordo com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), o município de Ipatinga perdeu, em 2015, aproximadamente 7 mil vagas de trabalho com carteira assinada. Somente o ramo da indústria o pulmão da cidade fechou 2,8 mil postos de trabalho ao longo do ano passado. Com o aumento das taxas de desemprego em Ipatinga, uma das saídas buscadas pela população é a procura por cursos de capacitação ou profissionalizantes, e assim obter alternativas de fonte de renda.
Um recorte do cenário citado pode ser visto desde esta terça-feira (2/1) na avenida Livramento, no bairro Veneza II. Sob o sol forte e calor, dezenas de pessoas formaram uma fila para inscrições em cursos gratuitos oferecidos por um projeto social. As oportunidades são em diversas áreas e ocorrem, principalmente, no comércio e serviços, setores em que empreender requerem menos investimentos.
Na fila das inscrições por ordem de chegada e que ocupa dois quarteirões dependendo do período do dia, há pessoas que tentam voltar ao mercado de trabalho, ter uma opção extra de renda ou quem está na luta pelo primeiro emprego, sem a experiência profissional para colocar no currículo.
Esse último grupo é o caso de Amanda Santos Ribeiro, 20, moradora do bairro Bethânia. A manicure chegou à avenida Livramento às 8h desta quarta-feira (3/2). Ela foi aguardar as inscrições do curso de cabelereiro que só seriam abertas nesta quinta-feira (4/2).
O mercado está muito difícil, principalmente para quem não tem experiência. Estou pedindo a Deus que dê certo. Tenho duas filhas, de três e seis anos para cuidar”, disse.
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Próxima dela estava Denize Ramos, que saiu de casa às 5h da manhã de hoje no bairro Esperança e levou o marido e as duas filhas para marcar um lugar na fila e tentar uma vaga nos cursos de Doces e Salgados, para ela, e Elétrica Residencial, para o companheiro. Essa crise está nos fazendo tentar por todos os lados”, argumentou.
Dados divulgados no último mês de janeiro pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua mostram que, sem as garantias do emprego formal, brasileiros estão recorrendo à abertura de pequenos negócios e atividades de trabalho por conta própria.
Mais de 910 mil pessoas começaram a trabalhar por conta própria, um crescimento de 4,2%, comparando os meses de agosto, setembro e outubro de 2015 e o mesmo período de 2014. Outro dado, do Centro Brasileiro de Cursos (Cebrac), aponta que dessa forma a procura por curso profissionalizante tem aumentado na crise, em pelo menos 5%.
Momento
O mercado local desaquecido, assim como ocorre em todo o país, não tira a esperança de quem está desempregado. Na imensa fila registrada pelo Portal Diário do Aço na tarde dessa quarta-feira, não faltaram relatos citando a expectativa em driblar o momento econômico.
Pai de família, Gabriel Azevedo, 32, deixou o emprego de soldador na indústria e tentará o curso de confeitaria.
As pessoas já estranham ir de soldador à confeitaria. A área industrial está muito ruim no momento e precisamos visar outras áreas. Antes você arrumava um emprego pelo menos em um supermercado. Hoje, nem nos supermercados há vagas. A crise bateu à porta e quem tem família sabe o que estou dizendo”, lamenta.
Apesar da ascensão social da população nos últimos anos, um estudo recente da Tendências Consultoria Integrada estima que, de 2015 a 2017, 3,1 milhões de famílias da classe C devem cair para as classes D e E.
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