05 de fevereiro, de 2016 | 20:00
Decisão federal pode suspender uso de simulador de direção
Presidente da Associação das Autoescolas aconselha CFCs a não vender aulas no equipamento
IPATINGA A necessidade de aulas no simulador de direção veicular pode estar com os das contados, conforme explicou o presidente da Associação das Autoescolas do Vale do Aço, Alexandre Figueiredo de Oliveira. No dia 3 de fevereiro, uma decisão do Tribunal Regional Federal do Maranhão, determinou que o Conselho Nacional de Trânsito (Contran) suspenda a exigência de aulas no equipamento.
No ano passado, o Contran, órgão do Ministério das Cidades, publicou portaria tornando obrigatória a utilização do simulador de direção veicular nos Centros de Formação de Condutores (CFCs). De acordo com a norma, os candidatos à obtenção da Carteira Nacional de Habilitação ou aqueles motoristas que irão mudar de categoria, são obrigados a fazer, no mínimo, cinco horas/aula de simulação, sendo uma com conteúdo noturno. As aulas devem ocorrer após o aluno ter feito o curso teórico e antes de iniciar a prática nas ruas.
Alexandre de Oliveira, proprietário de uma autoescola que leva o seu nome, pontua que o aluno que abriu o processo de habilitação a partir de 1º de janeiro deste ano, deveria fazer as aulas no simulador. Entretanto, com a decisão da Justiça do Maranhão, que acatou um pedido de liminar, a orientação é para as autoescolas não venderam aulas no simulador. Nossa orientação é que o aluno compre o pacote, faça psicotécnico e, quando terminar a legislação, procure saber se simulador está valendo. Compre as aulas e conclua seu processo. Eu não vendi e oriento a quem faz parte da associação que não venda”, aconselha.
O presidente relata que alguns CFCs estão vendendo aulas no simulador, mas quem iniciou o processo no ano passado não é obrigado a fazer esse procedimento. Até agora o meu simulador não foi usado, porque tenho alunos do ano passado, mas já é um alerta de que a qualquer momento pode ser cancelado”, aponta.
Simulador não condiz com a realidade
A reportagem do DIÁRIO DO AÇO testou o simulador de direção veicular. É semelhante a um videogame, mas não chega perto da realidade proporcionada por um. Equipado com setas, pisca-alerta e demais itens de um automóvel de verdade, o simulador não consegue dar ao aluno a sensação de dirigir.
A distância entre veículos, mostrada no monitor que representa a estrada não diminui de acordo com o acionamento do freio. O pedal do acelerador também não tem a mesma resposta. Ao pisar no acelerador, o carro não responde de imediato. Outro detalhe é proximidade com o monitor e o mal-estar provocado pelas três telas, que simulam os retrovisores e a estrada à frente do motorista, provocando leve tontura.
Outro detalhe negativo é que o carro virtual não tem as mesmas respostas. Depois de arrancar com o veículo real, se o condutor tirar o pé da embreagem de forma brusca, o carro pode morrer. Caso erre a marcha, o carro também responde de forma negativa, com ruídos e outros indícios.
No simulador isso não ocorre. Pode-se perfeitamente trocar de marcha sem que o carro trepide ou faça qualquer barulho.
Para quem está habituado a dirigir, o equipamento pode confundir. Para quem ainda busca formação e obtenção da CNH, a realidade vista em sala de aula e depois praticada nas ruas, pode ser ainda pior, levando-se em conta que o iniciante não tem prática.
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