12 de fevereiro, de 2016 | 22:20
Risco de recuperação judicial da Usiminas preocupa
Fim da disputa societária na companhia pode ser a salvação para a siderúrgica
IPATINGA - O dia 18 de fevereiro, quinta-feira da semana que vem, está cercado de expectativas. É quando a Usiminas divulga o balanço financeiro do quarto trimestre de 2015. A expectativa do mercado é que a empresa feche no vermelho e a relação da dívida líquida/Ebtida (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) aumente. No terceiro trimestre, a Usiminas encerrou com prejuízo líquido de R$ 1,042 bilhão e Ebtida ajustado negativo em R$ 65 milhões. Em setembro, a siderúrgica tinha em caixa R$ 2,4 bilhões. No entanto, parte desses recursos, R$ 1,3 bilhão, estava na Mineração Usiminas (Musa), que barrou a liberação de caixa ao controlador.
A expectativa do quarto trimestre consecutivo de prejuízos acendeu o sinal vermelho no mercado. Nessa sexta-feira, o assunto da crise na maior produtora de aço da América Latina foi tratado com destaque na imprensa brasileira. Analistas do setor afirmaram que a siderúrgica corre o risco de não ter recursos para manter operações nos próximos meses.
A agência Estado divulgou, ontem, que o governo de MG montou uma força-tarefa para mediar um acordo entre os controladores, o grupo japonês Nippon Steel, que detém 29,45% do capital votante, e a Ternium/Tennaris, que possui 27,66%, envolvidos em uma das maiores brigas societárias do país. Em uma situação financeira complicada, a Usiminas corre o risco de não ter caixa para manter suas operações a partir de março, segundo fontes ouvidas pelo jornal Estado de S. Paulo.
A publicação afirma que, há meses tentando vender ativos, sem sucesso, para ganhar fôlego e em renegociação com bancos para alongar dívidas, a siderúrgica mineira, que já desligou três dos seus cinco altos-fornos, em Ipatinga (MG) e Cubatão (ex-Cosipa), tenta encontrar uma solução para evitar que a empresa entre em recuperação judicial. Trata-se de um recurso extremo, previsto em lei para evitar a falência.
A Usiminas negocia com vários bancos o refinanciamento de cerca de R$ 4 bilhões em empréstimos com vencimento nos próximos dois anos. Fontes do mercado financeiro afirmaram, nessa sexta-feira que os bancos concordariam, caso os acionistas se comprometessem a injetar US$ 1 bilhão na Usiminas para evitar que as métricas de endividamento se deteriorem ainda mais.
Mesmo com a divulgação das notícias nada otimistas sobre o futuro da Usiminas, nessa sexta-feira as ações preferenciais da companhia permaneceram estáveis na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). As preferenciais, que em 2011 chegaram a valer R$ 10,15, fecharam sexta-feira cotadas a R$ 0,85. Em 2016, já acumulam queda de 45,16%.
Cenário
Além da necessidade de uma reestruturação societária para recuperar a credibilidade no mercado, a empresa tem outros desafios pela frente como enfrentar um mercado interno com retração na demanda de aço em função da queda no consumo, e a superoferta global de aço e menor demanda da China.
Uma força-tarefa do governo mineiro tenta mediar um entendimento entre os dois grupos que controlam a siderúrgica. O homem que coordena essa força-tarefa é o presidente da Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemig), Marco Antonio Castello Branco, que presidiu a Usiminas entre os anos de 2008 e 2010, na sucessão de Rinaldo Campos Soares, que estava há 17 anos no cargo. Castello Branco aplicou um choque de gestão na siderúrgica mineira, que mantinha um modelo administrativo arraigado no modelo estatal, mesmo privatizada desde 1991. Acabou saindo da empresa de forma tumultuada e foi substituído por Wilson Nélio Brumer.
Saída
Entre as várias possibilidades para salvar a empresa, os dois acionistas podem estabelecer o fim da disputa. A Ternium poderia permanecer na Usiminas, desde que a Nippon aceite uma cláusula de saída, com metas para mudar o rumo dos resultados financeiros. Por fim, um grupo pode comprar a parte do outro e se tornar majoritário.
Ao responder à imprensa sobre o assunto, os grupos controladores, Nippon Steel e Ternium mantiveram o discurso sobre proteção dos interesses da companhia” e entendimento para um choque de gestão que a Usiminas necessita neste momento”.
A assessoria da Usiminas informou que não pode se pronunciar sobre o assunto por causa do período de quarentena, estabelecido pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), até à divulgação dos resultados, na semana que vem.
Origem
A Ternium, do grupo ítalo-argentino Technit, entrou na sociedade da Usiminas em 2010. A disputa entre os sócios majoritários começou em setembro de 2014, quando o Conselho de Administração demitiu o presidente indicado pela Ternium na Usiminas, o argentino Julián Eguren, com os vice-presidentes de subsidiárias, Paolo Bassetti, e industrial, Marcelo Chara, acusados de se apropriarem, indevidamente, de recursos da companhia. O caso foi parar nos tribunais, mas com sucessivas derrotas dos ítalo-argentinos, desde 2015, a Ternium não participa mais das decisões cotidianas da companhia. Desde então, a companhia é presidida por Rômel Erwim de Souza, indicado pela Nippon.
SOBRE O ASSUNTO:
Ação da Usiminas cotada em centavos na Bolsa - 16/01/2016
Ações da Usiminas esbarram no menor valor desde 2003 - 18/11/2015
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