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23 de fevereiro, de 2016 | 18:00

Fechamento de aeroporto regional vira incógnita

Informações do Estado, via Setop, apontam para fim da operação, mas vendas de passagens foram retomadas


IPATINGA – O fim das operações no aeroporto de Santana do Paraíso se transformou em uma incógnita. Administrado pela Usiminas desde sua inauguração, o local não será mais operado pela companhia a partir do dia 12 de março. Conforme ofício enviado pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) às empresas Azul Linhas Aéreas e Flyways Linhas Aéreas, as atividades serão suspensas a partir de então, até que haja  sua regularização. Porém, a Prefeitura de Santana do Paraíso trabalha para que o fechamento não se concretize e os voos sejam mantidos.

Nessa terça-feira (23), a assessoria de Comunicação da Prefeitura de Paraíso informou que o município tem se reunido com lideranças políticas para tentar resolver a questão. A administração municipal busca alternativas para evitar o fechamento, porém, o município, sozinho, não conseguiria fazê-lo, em face do custo para a sua manutenção e operação.

Como divulgado pelo DIÁRIO DO AÇO na edição de segunda-feira (22), a Secretaria de Estado de Transportes e Obras Públicas (Setop), informou que a Usiminas comunicou às autoridades aeroportuárias que, a partir de março, não fará mais a operação do aeroporto. Diante disso, a Anac comunicou  às duas companhias aéreas que a venda de passagens está cancelada, até que um novo operador assuma o local.

Uma audiência pública, marcada para o dia 29 de fevereiro, pela Setop, é uma das etapas necessárias para licitar a concessão da operação e exploração do aeroporto, compromisso que o Governo de Minas Gerais assumiu com prefeitos, empresários e a sociedade civil do Vale do Aço. 
Reprodução


azul e flyways


Vendas
Apesar do comunicado da Anac, nessa terça-feira era possível comprar passagens para o mês de março. Uma consulta feita no site das empresas Azul e Flyways, para o dia 15 de março, permitia a aquisição dos bilhetes para os aeroportos de Confins e Pampulha.  Outro detalhe é de que não há nenhuma informação sobre desligamento de pessoal, aviso-prévio ou algo que aponte para o fechamento do local. Além disso, a Socicam, empresa responsável pela administração e operação do aeroporto, em parceria com a Usiminas, ainda está vinculada à operação do equipamento.

Usiminas
Procurada, a assessoria de Comunicação da Usiminas informou que, considerando o agravamento da crise de demanda no mercado siderúrgico, tornou-se inviável para a empresa continuar a administrar o aeroporto, uma atividade desvinculada de seu negócio-fim.

Conforme a companhia, somente nos últimos cinco anos, o aeródromo representou para a Usiminas despesas 220% superiores às receitas. Por isso, a Usiminas promoveu intensas tratativas com o poder Público para que se chegasse a um novo modelo de gestão para a área, que fosse capaz de compatibilizar o interesse da comunidade do Vale do Aço. Assim, acrescenta a nota, após três anos de negociações e tendo chegado ao limite de suas possibilidades financeiras em relação ao aeroporto, a empresa confia que o poder Público saberá conduzir a questão da melhor forma possível.

Histórico de negociações

No ano de 2012, diante da crise econômica, a Usiminas decidiu focar suas atividades em seus negócios principais (core business). Empresa, Governo de Minas Gerais e governo federal iniciaram conversas para a transferência da administração do aeroporto, tendo em vista a inviabilidade de a siderúrgica continuar arcando com os custos elevados de operação do equipamento, que não é relacionada ao seu negócio, e é deficitária.

Em 2013, a Usiminas intensificou as tratativas com a Secretaria de Aviação Civil e a Secretaria de Estado de Transportes e Obras Públicas de Minas Gerais para a transferência das operações do aeroporto.
Em março de 2015, após ter desenvolvido todas as negociações para formalizar a cessão do aeroporto para o Governo de Minas, a Usiminas assinou os documentos necessários para a transferência.

No mês de junho de 2015, o governo mineiro lançou uma consulta pública de interesse para verificar quais empresas estariam interessadas em operar o aeroporto.Em setembro, durante reunião do Governo de Minas com a participação da Usiminas, quatro empresas manifestaram interesse em operar o local.

No fim do ano passado, após três anos de tratativas, a Usiminas informou ao Governo de Minas ter chegado a uma situação limite e comunicou à Secretaria de Aviação Civil que, após 12 de março (90 dias), não administraria mais o aeroporto de Santana do Paraíso, por ser inviável para a empresa absorver os custos de uma atividade dessa natureza.
 


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