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05 de março, de 2016 | 09:15

Alternativa para driblar a crise

Trabalho informal gera renda em tempos de dificuldade econômica


IPATINGA – Em tempos de dificuldade econômica, o trabalho informal tem sido alternativa para quem precisa ganhar a vida e sustentar a família. Em Ipatinga, é comum ver vendedores de água e de panos de prato e de chão nos semáforos. Se para alguns a atividade representa o ganha-pão da família, para outros a venda nas ruas é a melhor opção.

Fábio Henrique Rodrigues dos Santos vende água há algum tempo. Ele relata que o início foi para arrecadar fundos para a igreja, mas posteriormente essa atividade se transformou no seu sustento pessoal. “Vi que fluía bem e resolvi me manter assim. Tiro mais de R$ 60 por dia. Trabalho sempre com a meta de juntar dinheiro das vendas referentes a dez dias, uma média de R$ 600. Aí compro metade de mercadoria e 300 é meu lucro”, conta.

Para ele, o ponto positivo é que investe pouco e o retorno da venda da água é muito bom. “Da última vez, comprei 60 fardos e deu R$ 390. Consigo fazer R$ 1.640. A água é 100% de lucro”, comemora. O lado negativo é o calor. Mas Fábio arranja um jeitinho de fugir do sol. “Estou na sombra, numa cadeirinha, dá pra ficar mais ou menos confortável, mas é cansativo”, pondera.
Antes de vender água, Fábio lavava carros em um lava-jato. Ele abandonou o antigo emprego e garante que não tem melhor opção que a venda de água. “Não acordo cedo, trabalho quatro horas por dia e, dependendo do ritmo, vou embora antes disso. Hoje não troco meu emprego”, assegura.

Em 2015, os brasileiros enfrentaram o fechamento de postos de trabalho. A população desocupada chegou a 9,1 milhões de pessoas em novembro, 3,7% a mais do que em agosto e 41,5% a mais do que em novembro do ano anterior. Já a população ocupada (92,2 milhões) ficou estável ante agosto e caiu 0,6% em relação a novembro de 2014. Os dados são do Instituo Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 
Wôlmer Ezequiel


Fábio


Sustento
Se para Fábio a vida está favorável, para Maria Aparecida da Silva esta foi a alternativa para sustentar os filhos. Antes de trabalhar nas ruas, ela tinha emprego formal e a vida era mais tranquila. “Estou aqui para ganhar a vida vendendo chup-chup e água mineral no sinal e pelas ruas de Ipatinga. Antes eu tinha um emprego, perdi e tive de arranjar um meio de colocar comida dentro de casa”, pontua.

Maria Aparecida diz não ganhar muito com a venda, mas é o suficiente para comprar o arroz, o feijão e os itens para o sustento dos filhos. “Não tenho ninguém pra me ajudar. Não tenho marido, ninguém. Sou eu sozinha e Deus aqui nas ruas”, revela Maria. 

A presença de vendedores na rua, na opinião de Maria, é efeito da crise econômica e das demissões no mercado de trabalho formal. Ela observa que tem vários colegas vendendo no sinal. Doce de coco, pano de chão, sorvete, água, entre outros produtos. “Eu queria um emprego formal, mas hoje não tenho e preciso ganhar dinheiro. Tem dias que as vendas não são boas. É uma profissão perigosa, porque estamos sujeitos a roubo, passamos calor, a pele fica desgastada. É um sacrifício que faço para sustentar minha família, é a única solução”, conclui.
 
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