12 de março, de 2016 | 18:00
Consumidor deve fugir de juros de cartão de crédito
Carga tributária do rotativo é a maior desde 1995 e opera a 419,6% ao ano
IPATINGA A taxa de juros do cartão de crédito atingiu o maior nível em 20 anos. Pesquisa divulgada na semana que passou pela Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac) mostrou que, no mês de fevereiro, os juros médios no cartão chegaram a 419,6% ao ano. Na região, o especialista em Finanças, Rodrigo Lopes Gatto, faz um alerta ao assunto.
A alta dos juros foi provocada pelo crescimento da inadimplência, que faz com que as instituições financeiras reajustem as taxas. Conforme a pesquisa, o consumidor que deve R$ 1 mil no cartão de crédito vê o débito saltar para R$ 5.196 ao fim de 12 meses. Em janeiro, os juros médios estavam em 410,97% ao ano. Na comparação mensal, a taxa passou de 14,56% ao mês em janeiro para 14,72% em fevereiro.
O rotativo do cartão de crédito é a modalidade mais cara disponível no mercado. Professor de finanças de uma faculdade privada de Ipatinga, Rodrigo Gatto é categórico ao dizer que o consumidor não deve recorrer a esse tipo de crédito. A primeira recomendação dada por ele é que o usuário pague a fatura no valor total. O pagamento parcial gera ônus - taxas de juros e carga tributária -, onerando o orçamento pessoal e familiar. A prática do pagamento mínimo da fatura deve ser evitada, devido ao custo financeiro elevado”, cita.
A fatura do cartão de crédito deve ser priorizada, enfatiza Rodrigo Gatto, que também é mestre em engenharia de produção. As despesas devem ser liquidadas em sua totalidade, no seu vencimento. Só devemos utilizar a função parcelamento no cartão de crédito quando estivermos desguarnecidos de liquidez”.
Caso a pessoa não possua dinheiro para quitar a fatura totalmente, vale uma renegociação. Esta prática (rotativo) deve ser abolida, pois este produto não foi criado para esta finalidade, ou seja, o que consumi hoje tem que ser liquidado no mês seguinte. Caso aconteça, antecipe uma renegociação com a instituição financeira cedente. Procure trocar o perfil de sua dívida, renegociá-la, alongar o prazo para sua liquidação, substituir por produtos com custo menor. Uma atitude saudável é a não utilização deste produto financeiro enquanto não liquidar e/ou amenizar o saldo devedor”, diz Rodrigo Gatto.
Arriscado
O correntista que entra no cheque especial também não tem alívio e vê a dívida ser multiplicada em quase quatro vezes em um ano. As taxas médias para essa modalidade demonstra o estudo da Anefac, atingiram 255,94% ao ano (11,16% ao mês), no maior nível desde julho de 1999. Uma dívida de R$ 1 mil aumenta para R$ 3.559,40 ao fim de 12 meses. Produto arriscado e caro. Deve ser usado eventualmente e jamais incorporado à receita pessoal mensal”, reiterou o especialista ao frisar que o consumidor deve contar apenas com o valor do salário.
Alternativa
Há opções de financiamento mais viáveis para quitar as dívidas que já saíram do controle. O ideal é buscar uma renegociação de maneira antecipada e amigável, ou, produtos financeiros com custos menores tais como consignado, refinanciamento ou financiamento de veículos”, sugere Rodrigo. Sobre o consignado, é fundamental saber que em esta modalidade de crédito está vinculada ao contrato de emprego. Sua liquidação pode ser antecipada com o encerramento ou extinção do vínculo empregatício”.
O professor de finanças alerta que educação financeira é vital para sobrevivência”. A utilização da planilha orçamentária doméstica é indispensável. Nela será possível visualizar nossos compromissos e possíveis receitas na linha do tempo, de maneira antecipada”, aconselhou.
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