18 de março, de 2016 | 18:00
Leonardo Quintão defende a saída de Dilma para retomada econômica
Ele afirma que o PMDB terá candidato em Ipatinga e em Belo Horizonte
DA REDAÇÃO - Indicado pelo PMDB para a comissão de impeachment, eleita por 433 votos a favor e apenas 1 contrário, o deputado federal Leonardo Quintão afirma que vê na saída da presidente Dilma Rousseff (PT) a única forma de acabar com a instabilidade política, que prejudica a economia brasileira.
Para Quintão, a decisão de Dilma em levar o ex-presidente Lula para o Palácio do Planalto, foi uma estratégia equivocada e não a salvará do impeachment que, se aprovado, resultará na posse do vice-presidente, Michel Temer (PMDB), no cargo de presidente. Em entrevista ao DIÁRIO DO AÇO, o deputado também confirma que o PMDB deverá ter candidatura própria em 2016 para disputar as Prefeituras de Ipatinga e de Belo Horizonte.
DIÁRIO DO AÇO - O que deve acontecer com o Brasil nos próximos dois meses, que é o tempo regimental do processo do impeachment?
LEONARDO QUINTÃO Um tempo de turbulência política e de muita cautela. A situação econômica do País só piora a cada dia. Ano passado, o desemprego aumentou. Aproximadamente 1,86 milhão de pessoas perderam o emprego. Este ano, se não fizermos nada para retomarmos a condução da economia, 2,5 milhões de pessoas irão ficar desempregadas. Vivemos uma estagnação econômica agravada pela falta de estabilidade política. E o governo tem muita dificuldade para restabelecer a normalidade política. O cenário não é positivo.
DA Para o senhor, qual o principal fator que dificultou até agora o restabelecimento da normalidade política?
QUINTÃO A Operação Lava Jato, que investiga o esquema de corrupção nos contratos da Petrobras é o principal. O processo de impeachment tem muito a ver com a falta de estabilidade política também. O setor produtivo do país está esperando uma decisão para a retomada dos investimentos. Mas isso só vai ocorrer se houver segurança. O fato é que a presidente Dilma demonstra que não tem capacidade para isso, o que reforça a tendência da aprovação do impeachment.
DA O senhor é favorável ao impeachment. O que o motivou a ir nesse rumo?
QUINTÃO Foi esse contexto de agravamento da crise econômica, com a paralisação do setor produtivo e o consequente desemprego. A economia estagnou, o governo está sem rumo e há uma perspectiva totalmente negativa para o Brasil. É preciso promover uma mudança, agora. Todas as denúncias de corrupção, as implicações das pedaladas fiscais, entre outros fatores, deixam a presidente em posição difícil de mostrar para o povo brasileiro que terá condição de reverter o quadro. Além disso, pesou o fato de todos nós, deputados mineiros, estarmos sendo bombardeados com pedidos pró-impeachment. É um grito por mudança na direção do país.
DA Como o senhor viu a indicação do ex-presidente Lula pra chefe da Casa Civil?
QUINTÃO Foi um erro. A tentativa de levar Lula a assumir esse papel fez crescer a instabilidade política e acirrou mais os ânimos entre os grupos que defendem lados opostos nessa questão. Como falar em retomada do crescimento econômico em um cenário desses? Acreditamos que isso somente será possível após a votação do processo de impeachment em plenário. O prazo regimental é que em 60 dias esteja concluído com a votação na Câmara e logo depois, no Senado.
DA Dia 17, quando empossou novos ministros, entre eles, Lula, na Casa Civil, a presidente Dilma Rousseff insistiu em seu discurso que há uma convulsão social provocada e um golpe em andamento. Como o senhor recebeu essas afirmações?
QUINTÃO O processo de impeachment é constitucional. Então, não pode ser considerado um golpe. Já a convulsão social resulta de um sentimento de indignação que as pessoas têm diante de fatos que são revelados a cada dia. Realmente, cresceu a intolerância entre grupos na sociedade. O ódio e a intolerância são péssimos conselheiros em um momento tão importante e decisivo como este em que precisaremos reunir todas as forças para reerguer o país.
DA E sobre a possibilidade de o PMDB em deixar os cargos que ocupa no governo Dilma?
QUINTÃO Será uma decisão a ser tomada na última semana de março. O diretório nacional do PMDB vai colocar o assunto em votação e caberá à assembleia decidir.
DA Como o senhor se posiciona em relação à disputa das Prefeituras de Belo Horizonte e de Ipatinga?
QUINTÃO O que posso dizer é que o PMDB terá candidato em Ipatinga e em Belo Horizonte. Garanto que teremos candidato. Já está acertado e os nomes da disputa nessas duas cidades serão definidos em convenção.
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