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22 de março, de 2016 | 18:01

Manifestação contra poluição do rio Doce marca o Dia da Água em Perpétuo Socorro

Os participantes reivindicaram mudanças na captação do distrito à mineradora Samarco


BELO ORIENTE – Em alusão ao Dia Mundial da Água, centenas de estudantes empunhando faixas e cartazes participaram de uma passeata, na manhã dessa terça-feira (22), no distrito de Perpétuo Socorro (Cachoeira Escura), em Belo Oriente. A mobilização envolveu, além das escolas, toda a comunidade local. Eles reivindicaram melhorias na qualidade da água que chega às torneiras das casas e demais estabelecimentos. O abastecimento a Perpétuo Socorro foi afetado pelos rejeitos de mineração no rio Doce.

O líquido captado no rio atingido pelo rompimento da Barragem do Fundão, em Mariana, em novembro do ano passado, é tratado na Estação de Tratamento de Água (ETA) de Belo Oriente. A prefeitura do município e a Samarco alegam que a água passou por análise laboratorial e está dentro dos critérios de portabilidade definidos pelo Ministério da Saúde.

A comunidade escolar, no entanto, discorda. Eles querem que a mineradora Samarco forneça água mineral à população e viabilize a captação definitiva do recurso de outras fontes, como o rio Santo Antônio. “Eles distribuem à população a água do rio Doce e estamos preocupados com a qualidade do líquido. Nossa briga é por uma nova captação de água. Precisamos de uma resposta rápida”, protestou a professora Elis Dutra.

A água captada do rio Doce e tratada na ETA vai diretamente para estabelecimentos comerciais, residências e escolas. Nas instituições de ensino, os alunos são orientados a levarem água mineral para as aulas. “Pedimos aos pais e alunos que levem água mineral para a escola porque a água (tratada) não é potável. Não tem qualidade para ser consumida. Pedimos às autoridades para que tomem providências e forneçam água potável aos alunos”, alega o educador da escola Tancredo Neves, José Augusto de Assis.

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Diretora da Escola Municipal Perpétuo Socorro, Margarete Oliveira lembrou que o momento de reforçar a reivindicação é “oportuno”. “As escolas públicas de Belo Oriente têm 2.600 alunos, aproximadamente. Recebemos essa água que o poder público informou que é analisada pela Samarco e que está apta para uso. Mas há uma insegurança. Nada mais oportuno que nos mobilizarmos pela conservação, economia e qualidade da água”.

O temor pelo consumo do líquido captado do rio Doce é de toda a comunidade. Na casa de Luciana Fernandes, ela conta que os gastos aumentaram com a compra de água mineral. Em média, afirma, desembolsa R$ 200 com o recurso. “Desde janeiro, quando a Samarco suspendeu o fornecimento de galões para a comunidade, compro água mineral para o filho levar para a escola e também para os afazeres domésticos”, relatou a dona de casa.

Samarco

A Samarco, por meio de nota, afirmou que, no distrito de Perpétuo Socorro, a captação alternativa será por meio de poços artesianos. “A Samarco já realizou a perfuração de um poço e, neste momento, é aguardado apenas um laudo para que a captação tenha início no local. Os técnicos da Samarco já realizam estudos para a perfuração de outros poços. É importante ressaltar que, paralelamente, a empresa trabalhou junto aos serviços de distribuição de água, para restabelecer o tratamento e a distribuição regular. A empresa realizou melhorias nas duas estações de tratamento do distrito de Perpétuo Socorro e ofereceu capacitação aos funcionários”, cita a empresa.

A mineradora também alegou que implementou diversas melhorias em relação à distribuição de água, desde a substituição das bombas de captação por um sistema mais robusto, melhorias na infraestrutura de operação das estações de tratamento de água e estruturação de padrões de controle mais rigorosos no processos de tratamento de água. “Todas essas benfeitorias, aliadas à aplicação do Tanfloc (floculante), asseguram uma água tratada dentro dos parâmetros de qualidade, de acordo com a Portaria 2914/11 do Ministério da Saúde”.


SOBRE O ASSUNTO:

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