29 de março, de 2016 | 18:00
Aumento de juros deve inibir financiamentos imobiliários
Anúncio feito pela Caixa Econômica Federal pode prejudicar as vendas
IPATINGA Quem planeja adquirir um imóvel deve ficar atento às mudanças anunciadas pela Caixa Econômica Federal (CEF) nessa segunda-feira, dia 28. Com os juros fixados para novos financiamentos, as prestações vão oscilar de R$ 125 a R$ 1.019, dependendo do valor do imóvel e do tipo de relacionamento do mutuário com o banco. O levantamento foi divulgado pela Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac) após o anúncio das novas taxas. A medida é considerada negativa, pois pesará no bolso dos compradores. Os valores só valem para contratos assinados a partir do último dia 24.
O presidente da Associação Brasileira de Mutuários da Habitação (ABMH), Lúcio de Queiroz Delfino, observa que o aumento não inviabiliza o financiamento, mas sim impacta diretamente no valor da prestação. Ele explica que o aumento será grande ao fim do financiamento, pois a base de cálculo é alta. No fim, há uma diferença grande, já que o valor de juros aumenta em torno de 10%. É uma notícia ruim porque vai onerar a pessoa. É um balde de água fria porque, há poucas semanas, a CEF anunciou o aumento no percentual de financiamento de imóveis usados e agora vem com essa mudança nos juros”, lamenta Lúcio Delfino.
Para o financiamento de imóveis de R$ 300 mil pelo Sistema Financeiro da Habitação (SFH) com a tabela Price (prestações fixas), as prestações subirão de R$ 156,47 a R$ 266,48. As taxas para essas linhas, que estavam entre 9,3% e 9,9% ao ano, passaram para uma faixa entre 10% e 11,22%. Nos financiamentos de imóveis do mesmo valor pelo sistema de amortização constante (prestações decrescentes), o impacto na prestação ficará entre R$ 125 e R$ 250. Nessa modalidade, os juros aumentaram de uma faixa entre 10,5% e 11,5% ao ano para um intervalo entre 11% e 12,5% ao ano.
As parcelas dos financiamentos de imóveis de R$ 750 mil pelo Sistema Financeiro Imobiliário (SFI) com a tabela Price subirão de R$ 200,75 a R$ 1.019,22. No sistema de amortização constante, a prestação de um financiamento de R$ 750 mil subirá de R$ 312,50 a R$ 616. Até agora entre 10,5% e 11,5% ao ano, as taxas do SFI passaram para uma faixa entre 11% e 12,5% ao ano.
Os juros dos financiamentos da Caixa variam conforme o grau de relacionamento do mutuário com o banco. Quem não é correntista paga taxas mais altas. Quem tem conta no banco paga menos, com desconto maior caso também receba salário pelo banco. Servidores públicos também têm desconto nos juros.
Venda
O proprietário da Moradia Imobiliária, José de Oliveira, explica que o mercado e o país estão um verdadeiro caos. Para ele, o aumento nos juros inviabiliza qualquer negociação. Você está se programando para adquirir um imóvel e, de repente, vem um aumento desses. Parece pouco 1%, mas o volume, num financiamento de 30 anos, é alto”, aponta.
O empresário pondera que o país atravessa uma crise sem precedentes, com governantes perdidos, que lutam pela manutenção do cargo e não em prol da população.
Com a instabilidade, o país não tem crédito. Então, o governo liberou um valor para financiamento recentemente, criou novos valores para financiamento de imóveis, mas não tem esses recursos todos alocados. O que se faz? Eleva a taxa de juros para dificultar o acesso das pessoas. Porque se não eleva, teria uma procura acima da média e o governo não tem os recursos”, esclarece.
José de Oliveira lembra que Ipatinga passa por um momento crítico, com a crise do país e a crise do aço. Esse aumento de juros foi um balde de água fria em nossas pretensões. Liberaram um valor a ser financiado, mas criaram barreiras para que ninguém tenha acesso, é lamentável”, conclui. [[##1252##]]
Juros pouco atrativos
O presidente da Associação Brasileira de Mutuários da Habitação (ABMH), Lúcio de Queiroz Delfino, observa que a taxa de juros da Caixa está muito próxima da praticada pelos bancos privados. Quem vai financiar e não consegue recursos do FGTS, deve fazer uma pesquisa nos outros bancos, orienta.
Para o presidente, não há necessidade da taxa de juros da CEF que é praticada atualmente, se comparado o retorno que a Caixa tem, mantendo relacionamento com clientes e obtendo vantagens sobre eles. Lúcio Delfino destaca que a linha de crédito que a Caixa repassa para o mutuário tem um rendimento muito baixo. Além disso, essa taxa é repassada juntamente com a Taxa Referencial, e a CEF ganha praticamente o dobro pela gestão do recurso.
Pode pesquisar no mercado. Até então, a Caixa tem as melhores taxas. O ponto principal é que, quem vai fazer financiamento, nunca deve comprometer mais de 20% da renda familiar, porque existem outras questões, como seguro, os custos de Imposto de Transmissão de Bens Imóveis Inter Vivos (ITBI) e com cartório, mudança, móveis, entre outros detalhes que devem ser colocados na ponta da caneta”, salienta.
Já publicado:
Prepare o bolso: novos juros da Caixa assustam - 28/03/2016
Encontrou um erro, ou quer sugerir uma notícia? Fale com o editor: [email protected]
















