26 de abril, de 2016 | 17:45

Evento promove resgate da cidadania

Iniciativa disponibiliza serviços para moradores em situação de rua


IPATINGA – Em evento realizado na Praça Caratinga, no bairro Contingente, moradores em situação de rua tiveram um atendimento diferenciado nessa terça-feira (26). Mais do que tirar documentos, o momento marcou o resgate da cidadania, como avalia o público-alvo da ação. O projeto “Rua de Direitos”, idealizado e organizado pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), ofereceu serviços nas áreas da justiça, saúde, cidadania, cultura e alimentação.

Brenda Andrade Caetano Gonçalves era só alegria com o documento novo. O motivo: a inclusão do sobrenome Gonçalves, acrescentado após o casamento. “Nos conhecemos numa clínica de reabilitação. Hoje não estamos mais na rua. Quando falo Gonçalves até suspiro. Casamos há quatro meses. Conviver em situação de rua é muito difícil, mas quando você tem força de vontade e pega com Deus, dá certo. Ele está nos erguendo e a vida está bem melhor”, comemora.

Integrante do programa de Políticas para a População em Situação de Rua de Ipatinga (POP Rua), Dênis Augusto Lessa avalia o evento como muito importante para a população em situação de rua hoje e que não tem documento, se identificarem corretamente.

“Esse espaço é para isso, essa é a busca do Ministério Público para a população de rua de Ipatinga. A questão da cidadania é muito forte, é importante contar com esse resgate. Apesar de alguns aderirem e outros não. A maioria já veio, correu atrás dos documentos e seguiu sua vida”, relata. 
Wôlmer Ezequiel


brenda


Edmilson José dos Santos Júnior, que ainda mora nas ruas, já teve título de eleitor, mas foi preso e não tirou os documentos depois disso. “Agora tirei o título. A melhor coisa é ter documentos. O voto de quem mora nas ruas também faz diferença. Nota 10 para o evento. Agendei para tirar carteira de trabalho nesta quarta-feira. Os serviços todos são legais. É uma oportunidade excelente”, aponta.

A Rua do Respeito é um projeto que vem de um termo de cooperação técnica, como explica a promotora de Justiça em Ipatinga e idealizadora do projeto "A voz da rua", Graciele de Rezende Almeida. Ipatinga foi a primeira cidade do interior a receber a iniciativa. Ela observa que não foi feito um censo e não se sabe o número exato, mas a estimativa é de que existam 200 pessoas em situação de rua em Ipatinga.

“Desde janeiro de 2015 tenho acompanhado de perto as questões referentes à população em situação de rua. A segunda promotoria tem desenvolvido um projeto com eles e hoje estamos cumprindo uma etapa importante, visa o resgate da cidadania”, resume.

A vice-presidente do Serviço Voluntário de Assistência Social (Servas), Betânia Lemos, pontua que, para a entidade, é muito importante realizar a primeira edição da Rua de Direitos no interior, porque, além de mais pessoas em situação de rua ter acesso a serviços básicos, aos quais qualquer cidadão tem direito, amplia-se as ações do programa para outras regiões do Estado. [[##1293##]]

“Este é um princípio tanto do (projeto) Rua do Respeito quanto da gestão atual do Servas. Ou seja, pretendemos regionalizar as atividades e levar ainda mais cidadania a milhares de mineiros e mineiras, e, desta maneira, conseguir resgatar o respeito e a dignidade aos quais a população em situação de rua tem direito e merece", enfatiza.

MAIS:

Projeto “Rua de direitos” atenderá pessoas que vivem nas ruas de Ipatinga - 23/04/2016
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