21 de maio, de 2016 | 18:00

Crianças são a aposta para tentar mudar baixo percentual de leitura

Pesquisa aponta que 44% da população brasileira não lê e 30% nunca comprou um livro


IPATINGA – Uma pesquisa realizada pelo Ibope, por encomenda do Instituto Pró-Livro, aponta que 44% da população brasileira não lê e 30% nunca comprou um livro. Contrariando os dados, alunos de diversas idades visitaram a edição deste ano do Salão do Livro Vale do Aço, no Centro Cultural Usiminas. Os pequenos se mostraram empolgados com a feira e correram para escolher uma nova aventura entre as várias opções de leitura.

Para a pesquisa, é leitor quem leu, inteiro ou em partes, pelo menos um livro nos últimos três meses. Já o não leitor é aquele que declarou não ter lido nenhum livro nos últimos três meses, mesmo que tenha lido nos últimos 12 meses. Aluna da Escola Estadual Dom Helvécio, do bairro Imbaúbas, Maria Paula Silva Barbosa, de 10 anos, contraria os dados. Ela lê, em média, três livros por mês.
“Meu último foi ‘Diário de um Banana’. Recebo incentivo para ler em casa e na escola. Gosto de ler porque a gente descobre outras coisas que não sabíamos. Leio um pouco de tudo, mas minhas histórias favoritas são as de animação”, conta.

Aluna da mesma escola, Bianca Castro também tem 10 anos e muita disposição para leitura. “Leio em casa, na escola, em todo canto. Sempre me apoiam e me incentivam para buscar novas histórias. Acho legal isso. Leio por passatempo e também porque tenho o hábito. Depois conto as histórias para outras pessoas, assim todos ficam sabendo. Minha mãe acabou de comprar pra mim ‘Papo de menina’, essa será a minha próxima leitura”, adiantou a estudante. 
Wôlmer Ezequiel


Bianca


Dados
A leitura ficou em 10º lugar quando o assunto é o que gosta de fazer no tempo livre. Perdeu para assistir televisão (73%). Em segundo lugar, a preferência é por ouvir música (60%). Depois aparecem usar a internet (47%), reunir-se com amigos ou família ou sair com amigos (45%), assistir vídeos ou filmes em casa (44%), usar WhatsApp (43%), escrever (40%), usar Facebook, Twitter ou Instagram (35%), ler jornais, revistas ou noticias (24%), ler livros em papel ou livros digitais (24%) – mesmo índice de praticar esporte. Perdem para a leitura de um livro: desenhar, pintar, fazer artesanato ou trabalhos manuais (15%), ir a bares, restaurantes ou shows (14%), jogar games ou videogames (12%), ir ao cinema, teatro, concertos, museus ou exposições (6%), não fazer nada, descansar ou dormir (15%).

Entre os escritores preferidos dos brasileiros estão Monteiro Lobato, Machado de Assis, Paulo Coelho, Maurício de Sousa, Augusto Cury, Zibia Gasparetto, Jorge Amado, Carlos Drummond de Andrade, Cecília Meireles, Chico Xavier, John Green, Ada Pellegrini, Vinícius de Moraes, José de Alencar e Padre Marcelo Rossi. 
Wôlmer Ezequiel


Maria Paula


Incentivo
Ao visitar a feira, a professora da Escola Dom Helvécio, Gisele Murta, relatou que existe o incentivo aos alunos, por meio de cantinhos de leitura e idas à biblioteca. “Eles levam o livro pra casa e depois contam sobre o que leram para os colegas. É uma geração que estamos conseguindo colocar para ler mais. Ficaram animadíssimos para comprar livros aqui no evento. A todo o momento que tem uma oportunidade, eles querem ler, em todo intervalo possível”, revela a professora.

No horário de intervalo, as crianças são incentivadas a ler, o que será ampliado, conforme explica Gisele. “Queremos colocar mais espaço para tal (a leitura no intervalo). Acredito que a leitura é tudo. Para garantir um futuro de leitores, precisamos incentivá-los agora. Nós professores pedimos aos pais que também o façam. Tem que ser um prazer. Digo aos alunos que leiam tudo, propaganda, folder de supermercado, placas, tudo. Dessa forma, cada dia mais irão se interessar pela leitura”, concluiu.

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