03 de junho, de 2016 | 16:56

Uma década de descaso no bairro Vila Celeste

Leito do córrego Forquilha se transformou em esgoto a céu aberto, denunciam moradores


DA REDAÇÃO - Mau-cheiro, risco de contaminação, proliferação de insetos, ratos e outro animais. A população do bairro Vila Celeste enfrentam estes problemas todos os dias, há quase uma década. De acordo com os moradores, a causa disso é o despejo do esgoto in natura no córrego Forquilha, afluente do ribeirão Ipanema. Mesmo sem coletar e tratar o esgoto a Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) cobra normalmente a taxa de esgoto, o que provoca questionamentos entre os moradores.

Ted Barbosa, diretor da Associação dos Moradores do Bairro Vila Celeste, diz que a entidade acionou o Ministério Público por causa desse problema. “Existem duas ações no MP. A equipe do Promotor de Justiça, Rafael Pureza, esteve aqui, mas até hoje nada de solução. As coisas só estão piorando, está vazando mais esgoto e a taxa continua sendo cobrada”, citou.

Segundo o membro da associação, a Copasa exigiu uma rampa de acesso para que a manutenção e ampliação da rede de esgoto, já existente no local, fosse realizada. A Prefeitura de Ipatinga fez a obra, contudo a companhia não efetivou o serviço prometido.

Em toda margem do córrego Forquilha moram diversas famílias, mas na rua Pelicano a situação é ainda mais grave. A casa de Alfredo Raimundo dá fundos para o esgoto a céu aberto o que, em sua opinião, configura um exemplo de descaso do Poder Público. “Já fizemos várias reclamações nos órgãos competentes. Antes, a Copasa vinha limpar as caixas de areia e liberava todo o esgoto retido no leito do Forquilha e era um fedor insuportável. É uma pouca vergonha, em pleno século XXI, no qual um dos principais debates é sobre a água e a gente vendo isso aí”, lamenta.
Wôlmer Ezequiel


esgoto 3


A primeira foi encaminhada à Coordenadoria Regional da Bacia do Rio Doce do Ministério Público, para que providências cabíveis sejam tomadas. Já a segunda, o promotor afirmou que Tribunais Superiores entendem que a taxa cobrada não é apenas pelo tratamento, mas também pela coleta e transporte. Contudo, ele apontou que, do ponto de vista ambiental, é necessário que todo o serviço seja executado.Jeová Aguiar, antigo morador do bairro, ressalta os perigos à saúde da população.

“Muitas crianças e pessoas mais idosas vivem por aqui, sabemos que este esgoto favorece o risco de contaminação, deixando a gente à mercê dos problemas de saúde. É preciso que a Copasa cumpra o seu papel”, desabafou Jeová.

O representante do Ministério Público, Rafael Pureza, que responde por assuntos relacionados à defesa do meio ambiente, por sua vez, confirmou ao Diário do Aço que existem duas ações; uma referente à poluição e contaminação do córrego, e outra sobre cobrança inapropriada da taxa de esgoto.

Clandestino

Em nota, a Copasa afirmou que “identificou, em vistoria realizada recentemente ao longo do Córrego Forquilha, o lançamento clandestino de esgoto no manancial e está notificando os responsáveis”. A empresa salientou, ainda, que realiza a cobrança pelos serviços de esgoto exclusivamente dos clientes conectados às redes de esgoto da companhia.

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