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06 de agosto, de 2016 | 18:00

Negociações e pendências jurídicas podem alterar quadro político de Ipatinga

Eleição de 2 de outubro ainda terá muitos episódios


IPATINGA – A 57 dias da eleição marcada para 2 de outubro o cenário político em Ipatinga continua indefinido, mesmo com o encerramento, na sexta-feira (5), do prazo para a realização das convenções partidárias. Isso porque os nomes que figuram como pré-candidatos a prefeito ainda estão envolvidos em negociações e em questões jurídicas. Dos sete nomes apresentados até o momento em Ipatinga, há dúvidas se todos eles chegarão às urnas no mês de outubro como candidatos majoritários. As negociações envolvem, conforme informações de bastidores, cargos e barganha por dinheiro.

A atual prefeita Cecília Ferramenta (PT), o ex-prefeito Sebastião Quintão (PMDB), a deputada estadual Rosângela Reis (PROS), o vereador Roberto Carlos (PTdoB), Eduardo Figueredo (PSB), Robinson Ayres (PSOL) e Daniel Cristiano (PCB) confirmaram presença após as respectivas convenções de suas legendas. Entretanto, a noite de sexta-feira (5) e a madrugada deste sábado e, provavelmente, este domingo, estão agitados. As negociações de possíveis alianças têm movimentado os bastidores desde quinta-feira, quando a cidade foi tomada por reuniões dos figurões da politica local.

Uma das figuras centrais deste pleito é Cecília Ferramenta, que busca a reeleição. Ela não confirmou o nome de seu vice, o que deve ser alvo de intensa negociação até 12h desta segunda-feira (8), quando as atas das convenções deverão ser registradas nos cartórios eleitorais. A informação corrente é que existe uma forte pressão por parte do governo do Estado para uma aliança entre PROS, da deputada Rosângela Reis, e o PT.

Neste cenário, a deputada teria de apoiar Cecília, já que a legenda faz parte da base aliada do governador Fernando Pimentel (PT). No jogo estaria também a liberação de emendas da parlamentar destinando recursos do orçamento, para governos municipais. Um forte indicativo dessa tendência foi a presença da deputada do PROS ao lado do prefeito de Santana do Paraíso, Zizinho, durante a convenção do PT em Santana do Paraíso e de Keisson Drumond (PT) em Timóteo.

A indicação do vice de Cecília, que num primeiro momento seria o vereador Agnaldo Bicalho (PT), passaria a ser de responsabilidade de Rosângela Reis e do seu partido. Na convenção do PT, realizada na noite de sexta-feira, conversas de correligionários indicavam o nome de Adiel Oliveira (PV), cotado para o cargo.
A deputada, que está sempre presente nas eleições municipais de Ipatinga, seja como candidata ou apoiadora, teria a sua candidatura como um plano B, caso Quintão seja impugnado, o que aumentaria as suas chances de vitória.

Outra dúvida que paira nos bastidores é sobre o vice de Roberto Carlos. Pelas esquinas da cidade, a possibilidade de Eduardo Figueredo se unir ao vereador foi aventada. Neste caso, o advogado assumiria o posto de pré-candidato a vice-prefeito na chapa. O número elevado de candidatos levaria a uma pulverização dos votos, o que beneficiaria, em tese, Cecília Ferramenta.

Processos
Outra discussão permanente nas conversas políticas é a situação jurídica de Sebastião Quintão. Entre as várias condenações do ex-prefeito, recentemente o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) publicou acórdão com a decisão em que reformava uma sentença de primeira instância e condenava o ex-prefeito de Ipatinga e mais três à pena de ressarcimento aos cofres do município de Ipatinga no valor de R$ 165.414,8, devidamente corrigidos, assim como à suspensão dos direitos políticos por cinco anos.

Essa é só uma das muitas polêmicas envolvendo Quintão que já afirmou, por mais de uma vez, estar apto para a disputa eleitoral. Mas ele também deu a sua palavra que não usaria liminares para assegurar uma eventual candidatura. Na semana que passou o Ministério Público voltou a reforçar junto aos partidos que não indicassem pré-candidatos com pendências, pois corre-se o risco de depois de eleito o candidato ser impugnado, história que os cidadãos ipatinguenses não querem que se repita.

Em 2010, o município teve eleições extemporâneas, porque o primeiro colocado, Chico Ferramenta (PT), foi impugnado pelo TSE e não tomou posse. Quintão, que assumiu o cargo, foi cassado por abuso de poder político e econômico, dando início a um dos capítulos mais conturbados da política local e que mergulhou a cidade numa crise sem precedentes, com graves reflexos até hoje. Antes disso, o presidente da Câmara, Robson Gomes (PPS), assumiu a prefeitura e, algum tempo depois, foi eleito prefeito, na extemporânea.
A definição sobre a elegibilidade ou não de Quintão é aguardada com grande expectativa. Confirmada a sua presença, a disputa pode ganhar novos contornos.

Conforme já publicado pelo DIÁRIO DO AÇO, em uma das negociações, há a possibilidade de a deputada Rosângela Reis ter fechado acordo com Quintão para o qual ela também indicaria o vice. Entretanto, durante convenção, ela anunciou sua pré-candidatura à prefeitura de Ipatinga. O registro das candidaturas e coligações podem ser feito até as 19h do dia 15 de agosto. Até lá, muita coisa ainda pode ocorrer no cenário político de Ipatinga. 

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