29 de abril, de 2014 | 00:00

Cinquentões de Ipatinga

Aos 50 anos de vida, moradores relatam o que vivenciaram no município


IPATINGA – No ano em que Ipatinga completa 50 anos de emancipação político-administrativa, moradores cinquentões da cidade contam o que viram e viveram, e o que desejam nessa data comemorativa. Apesar da notícia da emancipação ter sido divulgada no dia 28, o aniversário de Ipatinga é comemorado em 29 de abril, uma vez que o termo foi assinado somente neste dia, de acordo com o livro “Ipatinga, Cidade Jardim”.

Considerada como uma das principais cidades da Região Metropolitana do Vale do Aço, Ipatinga é composta por pessoas de diversas localidades, em razão da geração de emprego que, historicamente, foi fortalecida pela siderurgia. Atualmente, comércio e serviços também têm contribuído com a economia local.

Prova da diversidade encontrada no município, a pedagoga Ana Ferreira da Silva nasceu em Naque, mas reside em Ipatinga há 30 anos, onde ajuda o marido na venda de vale-transporte, água de coco e picolé.

Aos 50 anos, Ana afirma ter somente pontos positivos para destacar na cidade que escolheu para viver. Em Ipatinga, a pedagoga relata ter realizado seus sonhos, sendo um deles a conclusão de seus estudos. “Me formei, fiz pós-graduação, casei minhas filhas, tenho quatro netos e minha família está realizada. Meu marido é trabalhador ambulante e, graças a Deus, todos gostam dele. Encontrei muito apoio em Ipatinga e, antes de ser pedagoga, sempre trabalhei na rua vendendo vale-transporte, água de coco e picolé”, relata. 

Para se tornar um lugar melhor, ela acredita que Ipatinga precisa olhar para as pessoas em situação de rua e os drogados. “A situação desses cidadãos é que deixa a desejar em Ipatinga. Não podemos viver tranquilos numa cidade com violência”, opinou. Ela acrescenta que, nessa idade, a pessoa fica mais sábia e, apesar de sempre continuar aprendendo, tem mais visão de mundo e compreensão sobre as coisas. “Minha expectativa é de viver muitos anos, e tudo o que quero de bom pra mim, também quero para Ipatinga, lugar que amo tanto”, enfatizou.

Parte da história
O músico Anderson Nazareth diz ter apenas boas lembranças da cidade, da qual faz parte da história, em razão de sua data de nascimento: 28 de abril de 1964.  “Amo esse lugar e a única lembrança ruim que tenho foi quando tive que deixar Ipatinga, em 1989, quando fui para o Rio de Janeiro correr atrás do meu sonho, a música, e depois segui para os Estados Unidos. Triste também foi a volta, em razão do estado de saúde do meu pai, que estava em coma e que depois de uma semana do meu retorno veio a falecer, isso em 2006. Já naquele ano vi muita diferença por aqui, tudo melhorou, Ipatinga era pequena quando saí e agora é quase uma metrópole, não existia o shopping, Centro Cultural e hoje temos uma cultura forte”, avalia.

Ao completar meio século de vida, Nazareth brinca com as mudanças em seu visual. “O que mudou ao longo desses anos pra mim foi o início da queda de cabelo. Eles têm diminuído. Mas percebo também a maturidade, que vem num momento bom. Me considero uma pessoa jovem, tão jovem quanto a cidade é”, compara. “Acho que todos temos que evoluir sempre, mas Ipatinga está muito bem culturalmente, tem que crescer, mas somos um polo cultural reconhecido, com uma infinidade de atividades culturais marcantes, tanto quanto os artistas”, aponta.

No aniversário da cidade, Anderson Nazareth, espera que os ipatinguenses amem cada vez mais a sua terra e lutem por um lugar cada vez melhor. “Todos que vivem e nasceram aqui, além das pessoas que a adotaram, que queiram e lutem por condições melhores de vida e construam uma cidade para que as próximas gerações possam desfrutar dos benefícios, que já vem sendo construídos ao longo desses anos”, reitera.

Economia
Dos seus 50 anos de vida, o empresário Márcio Penna vive em Ipatinga há 30. Filho de uma família comercialmente pioneira. “Meu pai já vendia pó de café em Timóteo, para a antiga Acesita, no início dos anos 1960 e, logo depois, juntamente a seu pai e a um irmão, se associaram a outra família no antigo Supermercado Maringá, aqui em Ipatinga. Esta sociedade durou poucos anos e então fundaram um novo empreendimento, o Supermercado Armazém do Povo. Em 1977, meu pai e meu avô fundaram a Casa do Ruralista, em funcionamento nestes 37 anos, onde hoje administro”, relata.

Márcio Penna recorda que, no período em que está na cidade, talvez o que mais impactou Ipatinga é a mudança da Usiminas para o setor privado, onde vários segmentos da economia ainda estão se adaptando à redução de empregos. “Tivemos coisas boas como o Ipatinga F.C. campeão estadual no futebol, a ampliação do setor educacional e a grande renovação comercial das lojas do Centro. Sou da época em que tínhamos bancas nos passeios e hoje o Centro possui lojas climatizadas e um ótimo mix de produtos. Enfim, o que mais me atrai é a capacidade de se refazer como centro regional de compras e como cidade prestadora de ótimos serviços”, frisou.

Para o empresário, os moradores de Ipatinga têm o privilégio de viver em uma cidade ainda criança, comparada à escala do tempo dos centros urbanos do mundo. “Ao completar 50 anos, todo morador tem a responsabilidade de moldar uma cidade tão contemporânea, desejo que cada cidadão ipatinguense entenda a importância de sua atuação na comunidade, desde a participação nas entidades, conselhos e associações. De forma concreta, espero que a duplicação da BR-381 e a pavimentação da MG-760 tragam para nossa cidade um novo ciclo de crescimento e que o setor siderúrgico encontre seu equilíbrio, mantendo sua importância na economia”, concluiu o empresário.


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