23 de janeiro, de 2017 | 17:45

Veterinário alerta que matar macacos atrapalha o combate à febre amarela

As diversas espécies de macacos habitantes das regiões silvestres de Minas Gerais tem sido alvo de ações criminosas, depois do surto de febre amarela

Enviado via Whatsapp
Morte de sagui, encontrado no bairro Horto, em Ipatinga, continua sob investigaçãoMorte de sagui, encontrado no bairro Horto, em Ipatinga, continua sob investigação
Casos de macacos mortos por envenenamento e por tiros têm surgido em todo o estado de Minas Gerais, em especial nas zonas de surto de febre amarela. Contudo, especialista reforça que os primatas não são responsáveis pela disseminação da doença. O veterinário responsável pelo Centro de Biodiversidade da Usipa (Cebus), Lélio Costa e Silva, afirma que a eliminação dos macacos não contribui de nenhuma forma para o controle da doença.

“Os primatas são vítimas e não vetores da doença. Os vetores são mosquitos como o Haemagogus, em áreas silvestres e o Aedes aegypti, na zona urbana”, destaca o veterinário.

Apesar de alguns casos de macacos mortos na região do Vale do Aço, o centro de biodiversidade ainda não recebeu nenhum registro. “Não chegou aqui informações sobre os possíveis macacos envenenados na região, mas há algumas suspeitas. Contudo, estamos atentos”, informa Lélio.

O responsável da Usipa orienta que, ao encontrar macacos mortos, a equipe do Centro de Controle de Zoonoses de Ipatinga deve ser acionado imediatamente. Outro órgão apto a receber os animais é a Superintendência Regional de Saúde, em Coronel Fabriciano. “Estes órgãos têm condições de realizar os exames para saber como o primata foi morto e ter os dados atualizados”, afirma.

Desequilíbrio ambiental

A morte de macacos provocada pela ação humana pode desencadear uma série de desequilíbrios na cadeia alimentar, de acordo com Lélio. “Nada está isolado na natureza, estes macacos possuem papel fundamental dentro de um ecossistema. Os saguis, por exemplo, se alimentam de alguns insetos e isso contribui no controle da população desses bichos. Além disso, eles são disseminadores de sementes dentro do ambiente silvestre”, pontua.

Lélio ainda informa que os macacos são como “sentinelas” da febre amarela, e que a morte deles é um sinal de epidemia. “Quando uma mata tem macacos e eles morrem por doença, é aceso um sinal para a população, ou seja, eles facilitam na identificação de diversas infecções virais que também podem nos afetar”, fala Lélio.

O veterinário ressalta que é necessário evitar o contato com os primatas, mas não é preciso ter medo ou cometer crimes contra a vida dos animais. “Na nossa região, a população gosta de alimentar os macacos e isto cria uma dependência deles. Contudo, temos área verde o suficiente para eles sobreviverem. Temos que deixar os animais em seus ambientes, porque no contato direto pode ser que o bicho morda ou arranhe e, aí sim, existe o risco de contrair outras doenças”, salienta.

Ciclo da doença

Arquivo Diário do Aço
Responsável técnico do Cebus, Lélio CostaResponsável técnico do Cebus, Lélio Costa
De acordo com Lélio, as doenças como febre amarela, e febre maculosa, entre outras, possuem períodos de epidemias que variam de cinco a oito anos, por causa, principalmente, das mudanças climáticas, como período de chuva mais prolongado e calor intenso, que favorece a proliferação dos mosquitos transmissores desses vírus.

“Estes ciclos das doenças irão ocorrer sempre. O principal ponto é a prevenção da população. As pessoas mais jovens já receberam a vacina aos nove meses de idade, precisamos ter esse cuidado continuamente”, reitera o veterinário.
Outro ponto destacado é o combate do vetor, para que as epidemias sejam mais controladas. “A atenção do combate ao vetor na área urbana é essencial, o mosquito da dengue transmite diversas doenças tão perigosas quanto a febre amarela. Portanto, temos que ficar atentos para identificar os possíveis focos de proliferação do Aedes para ter um maior controle”, ressalta Lélio.

O surto cresce

O mais recente balanço da Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG) indica que 25 pessoas já morreram em Minas Gerais, este ano, com a febre amarela. Os casos notificados da doença chegam agora a 272. Esses casos notificados ainda estão sob exame laboratorial para saber se, de fato, são pacientes com febre amarela. O novo boletim epidemiológico indicou ainda que nove municípios passaram a registrar febre amarela, ampliando de 29 para 38 o número de cidades com notificações da doença.

No novo boletim, além de Ladainha (8 mortes) e Ubaporanga (1), houve óbitos nos municípios de Piedade de Caratinga (2), Ipanema (3), Malacacheta (2), Imbé de Minas (1), São Sebastião do Maranhão (2), Frei Gaspar (1), Itambacuri (2), Poté (1), Setubinha (1) e Teófilo Otoni (1), O quadro pode se agravar, uma vez que ainda há 46 mortes sob investigação. Já os casos confirmados subiram de 34 para 47 (veja quadro). A SES-MG mantém a recomendação para que a população urbana procure a vacina, única forma de prevenção da febre amarela. O efeito da imunização demora 10 dias para começar a fazer efeito e a imunização vale por dez anos.
Encontrou um erro, ou quer sugerir uma notícia? Fale com o editor: [email protected]

Comentários

Aviso - Os comentários não representam a opinião do Portal Diário do Aço e são de responsabilidade de seus autores. Não serão aprovados comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes. O Diário do Aço modera todas as mensagens e resguarda o direito de reprovar textos ofensivos que não respeitem os critérios estabelecidos.

Envie seu Comentário