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24 de janeiro, de 2017 | 10:32

Gaeco prende cinco ex-funcionários fantasmas da Prefeitura de Belo Oriente

Um dos investigados recebeu R$ 3 mil durante onze meses sem nunca ter trabalhado

Alex Ferreira
Belo Oriente enfrenta o escândalo dos funcionários fantasmas da prefeituraBelo Oriente enfrenta o escândalo dos funcionários fantasmas da prefeitura

A sequência da investigação sobre a existência de um grupo criminoso, que atuava dentro da Prefeitura de Belo Oriente, para desvio de recursos públicos, por meio de funcionários “fantasmas”, tem levado a desdobramentos considerados assustadores.

O esquema foi revelado na Operação Perfídia, desenvolvida em 6 de dezembro passado, pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), formado pelo Ministério Público e as Polícias Militar e Civil.

Outras três pessoas já tinham sido presas acusadas de comandar o esquema que, conforme uma Comissão Parlamentar de Inquérito apontou no fim do ano passado, pode ter desviado mais de R$ 2 milhões entre 2015 e 2016, conforme já divulgo o Portal Diário do Aço.

Nessa terça-feira mais cinco pessoas investigadas por integrar o esquema mafioso foram alvo do cumprimento de mandados de busca, apreensão e prisão expedidos pelo juiz da Comarca de Açucena, Jefferson Val Iwassaki.

Foram presos Gedeon Madeira de Souza Gomes, 25 anos, e Maurício José da Silva, de 47 anos, estão entre os presos. “Ambos eram funcionários fantasmas da prefeitura. Gedeon é primo do vereador Disson, preso na primeira fase da operação, ano passado. Já sabemos que Gedeon recebeu salário de aproximadamente R$ 3 mil por onze meses, sem jamais prestar serviços na prefeitura. Maurício também recebeu salários sem trabalhar, mas por um período menor. Ainda analisamos os documentos para concluir quanto ele recebeu indevidamente dos cofres públicos”, informou o Gaeco.
Esquema foi revelado em operação do Gaeco em 6 de dezembro passadoEsquema foi revelado em operação do Gaeco em 6 de dezembro passado


Os outros presos são Obedes Ramos Soares, de 49 anos, Simone Ramos Soares, de 46, e Elias Alves Santiago, de 48 anos. "Todos comprovadamente receberam recursos da prefeitura sem trabalhar", afirma o Gaeco ao Portal DA.

Cabeças
Na primeira fase da operação, foram presos o ex-chefe do Departamento Pessoal da Prefeitura de Belo Oriente, Cleufas Rodrigues de Souza, o vereador Edson Celson Anselmo, o Disson (PMN) e o ex-gerente da Controladoria da Prefeitura, Helder Fernandes Silva. Todos foram presos preventivamente, mas agora respondem em liberdade. Disson, inclusive, tomou posse e atua como vereador na atual legislatura.

Os levantamentos iniciais indicam que o esquema beneficiava alguns dos funcionários efetivos e também funcionários fantasmas. Nesse caso, o dinheiro caía nas contas bancárias dos operadores do esquema, conforme apuração do Gaeco.
Apontados como cabeças do esquema, Cleufas Rodrigues e o vereador  Disson (E), chegam à sede do Gaeco, em Ipatinga para depoimento em 8/12. Disson responde em liberdade e tomou posse como vereador na atual legislatura  Apontados como cabeças do esquema, Cleufas Rodrigues e o vereador Disson (E), chegam à sede do Gaeco, em Ipatinga para depoimento em 8/12. Disson responde em liberdade e tomou posse como vereador na atual legislatura


Mudança de endereço para fugir da investigação

Conforme nota divulgada pela assessoria do Gaeco, do início das investigações até hoje houve a identificação de grande número de envolvidos, dos quais, 89 pessoas, dentre investigados e testemunhas, já foram ouvidas. “A representação do Ministério Público de Açucena e do Gaeco objetiva conter aqueles que buscaram obstar as investigações fornecendo dados pessoais falsos (endereços), bem como por se esconderem das autoridades, para não receber notificações ou intimações”, informa o Gaeco.

Conforme o Gaeco, as pessoas presas na terça-feira já tinham sido procuradas pelos investigadores, mas para tentar escapar mudavam de endereço constantemente e, determinavam que seus familiares não revelassem como poderiam ser encontradas.

Segundo os relatos iniciais, o número de envolvidos, na condição de funcionários fantasmas, seria de 23 pessoas. No entanto, conforme o desenrolar das investigações do Gaeco, foram identificadas 98 prováveis autores do desvio do dinheiro público.

Além dos presos nas ações realizadas ontem, estão foragidos Lorena Cristina de Oliveira; Antero Pereira Neto; Evelyn Ramos Sperber Portes; Gabriela Gomes de Oliveira e Priscila Gomes de Melo da Silva.

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