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10 de fevereiro, de 2017 | 17:04

Gaeco aponta Pietro como mentor do esquema de funcionários fantasmas em Belo Oriente

Ex-prefeito de Belo Oriente, preso nesta semana, participava ativamente do esquema de corrupção investigado pelo Gaeco

Fernando Lopes

Fernando Lopes
Integrantes do Gaeco repassam informações sobre prisão do ex-prefeito de Belo Oriente e a 3ª fase da operaçãoIntegrantes do Gaeco repassam informações sobre prisão do ex-prefeito de Belo Oriente e a 3ª fase da operação
Depois das prisões do ex-prefeito de Belo Oriente, Pietro Chaves, do vereador Edson Celso Anselmo, o Disson, e do ex-servidor municipal Helder Fernandes Silva, na quarta-feira (8), o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) apontou o ex-gestor municipal como o grande mentor do esquema de funcionalismo fantasma que existia dentro da máquina pública, investigado na Operação Perfídia desde meados de julho de 2016, com as primeiras três prisões efetuadas em dezembro.

O comandante da 12ª RPM e integrante do Gaeco, coronel Edvânio Carneiro, informa que as prisões efetuadas na quarta-feira foram feitas por policiais civis e militares, e nenhum dos presos ofereceu resistência. De acordo com o delegado de Polícia Civil, também integrante do Gaeco, Gilmaro Alves, Disson e Helder foram presos novamente por atrapalhar o curso das investigações. Os dois já tinham sido presos na primeira fase da investigação, e liberados por força de habeas corpus. “Soltos, eles procuravam pessoas para que estas pudessem mentir em depoimento. Assim, a polícia e o Ministério Público optaram por pedir a prisão preventiva deles, o que foi acatado pela Justiça de Açucena”, explica.

A promotora da Comarca de Açucena, Renata Cerqueira Rocha, detalha que o fundamento do pedido de prisão preventiva do ex-prefeito Pietro é extenso e, dentre os principais argumentos, estão as acusações de diversas testemunhas que apontam o político como peça central do esquema. Os desvios eram praticados na Prefeitura Municipal de Belo Oriente desde 2012.

O grupo afirmou que a prisão de Pietro só foi possível nesta etapa, uma vez que, anteriormente, não havia elementos suficientes que sustentasse o pedido de prisão. Além disso, este procedimento seria ainda mais complicado já que Pietro possuía foro privilegiado em função do cargo que cumpria e o pedido seria investigado e julgado no Tribunal de Justiça de Minas Gerais.

Na avaliação da promotora, o rompimento político entre o ex-gestor e o vereador Disson não foi a causa principal de o esquema ser revelado, mas a própria magnitude do desvio que escancarou a fraude. “Professores não estavam recebendo seus pagamentos. E tão grande era o rombo que o clamor da comunidade levou à investigação. Até o momento, foi levantado um desvio de R$ 850 mil só com funcionários fantasmas, fora licitações fraudadas e outros crimes”, afirma Renata Cerqueira.

Envolvidos

Já na próxima semana, anuncia a promotora, 43 pessoas serão denunciadas por envolvimento no esquema. “Como existe um prazo a ser cumprido, as denúncias serão apresentadas na próxima semana. A investigação continua e cerca de mais 40 pessoas devem estar envolvidas”, reitera.

Para Renata, o retorno da população de Belo Oriente e região tem sido satisfatório e mostra o reconhecimento do trabalho do Gaeco. “As pessoas estão crédulas de que não haverá impunidade, mesmo em se tratando de agentes políticos”, ressalta.

Quarta fase

Desde o início da Operação Perfídia, nove pessoas foram presas, quatro ainda estão na cadeia de Açucena e os demais respondem pelo processo em liberdade. Agora, a operação avança para a quarta fase, que terá foco em outros métodos de desvio de dinheiro dos cofres públicos, como peculato e fraudes em licitações.
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